terça-feira, 25 de agosto de 2009

Mais M


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

M de Melancolia (e de Ministério da Educação e de M.... e de Melanoma e de Montalbán)

"A veces no se puede elegir entre lo bueno y lo malo. A veces sólo se puede elegir lo inevitable."

Manuel Vázquez Montalbán, Milenio Carvalho

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O de Objecto de Desejo

A perfeita cadeira de leitura:


A histórica

A reconfortante

A funcional

Ou a do quarto 508 do Hotel Praia, na Nazaré, em que uma pessoa se podia enroscar, girar e olhar para o mar.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

R de Rothko


(Santa Cruz, Agosto 2009)

B de Biorritmo (II)

"Bewitched, bothered and bewildered" (THE RODGERS & HART SONGBOOK)

Na versão de Ella Fitzgerald:


Ou de Rufus Wainwright:

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

F de Férias

SE ALGUM DIA VOLTARMOS À NAZARÉ



Há alguns anos
antes de virmos para o rio Kamp pescar garoupas
era costume besuntarmos o corpo com argila
fazermos dos ossos estigma
como a pegada do cavalo no Sítio
que tu nunca conseguiste ver

Procurávamos lagostas nas rochas
protegíamo-nos com castelos de areia
Quando uma onda maior nos ameaçava
era na corda das bóias que sabíamos estar a salvação
dum iminente afogamento

Resolvíamos sopas de letras com areia
jogávamos cartas contra o vento
brindávamos as barracas de pijama
com baldes cheios de água salgada
e
só uma vez
com o mijo que nos empalideceu

Mas
de tudo
o que mais apreciávamos
era podermos vazar o lixo depois do jantar
largar o balde junto ao contentor
e fugir noite dentro em correria
à procura duma liberdade
que sabíamos estar à nossa espera nas ruas

Se algum dia voltarmos à Nazaré
será com a carteira recheada de marisco
com as unhas dos pés presas ao alcatrão
e com as mãos atadas aos recibos verdes
a que votámos a liberdade dos nossos dias presentes

Isto
se algum dia lá voltarmos
coisa de que duvido por já não me parecer
possível



Henrique Manuel Bento Fialho
in Canto de Mar - uma antologia de poesia sobre a Nazaré
(Biblioteca da Nazaré)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

L de Lar

MY HOUSE, I SAY

My house, I say. But hark to the sunny doves
That make my roof the arena of their loves,
That gyre about the gable all day long
And fill the chimneys with their murmurous song:
Our house, they say; and mine, the cat declares
And spreads his golden fleece upon the chairs;
And mine the dog, and rises stiff with wrath
If any alien foot profane the path.
So, too, the buck that trimmed my terraces,
Our whilom gardener, called the garden his;
Who now, deposed, surveys my plain abode
And his late kingdom, only from the road.

Robert Louis Stevenson

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

S de Sorte (II)

Perguntaram-me, enquanto esperava pelo autocarro:

"A menina quer comprar um bocadinho de sorte?"

(não era um poeta, mas um literal cauteleiro)

domingo, 2 de agosto de 2009

O de Orgulho

T de Tradução

Um dia, gostava de ver editada em português uma antologia da Amalia Bautista:

AVARICIA (in Pecados)

El avaro jamás será dichoso.
El avaro malvive y no se gasta
ni una de sus monedas apiladas,
inservibles, mugrientas.
Y eso es imperdonable.
Porque el avaro, como todos,
morirá qualquier día, pero sin haber visto
el brillo de los ojos más amados
al abrir un regalo.

[para a Ângela, que me disse que eu não padecia deste pecado]

V de Vício

Se um dia escrever uma tese, será provavelmente sobre policiais. E, se me pedissem, até traduzia policiais de graça:

"Death. As soon as the word entered her mind she knew that it was the real one; the others going round on the carousel had been merely substitutes for it."


Margaret Millar, A stranger in my grave