segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

S de Sete rosas mais tarde (IIIb)


[As irmãs Aurélia e Sofia de Sousa.]

P de (Dois) Anos de Pássaros (XXIII)

António Patrício:
o final de Dinis e Isabel - Conto de Primavera

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

G de Gostava de ter sido eu a lembrar-me deste título (II)

[Merecia uma capa/contracapa melhor.]

P de (Dois) Anos de Pássaros (XXII)


Robert Adamson, "The birdcage", 1890

P de (Dois) Anos de Pássaros (XXI)

Uma gaiola foi à procura de um pássaro.

FRANZ KAFKA

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

P de (Dois) Anos de Pássaros (XX)

Às vezes, por instantes, sinto em mim
A minha alma d'infanta...
A cotovia acorda em folhas secas...
E com asas partidas, ainda canta!


António Patrício, O Fim, Porto: Lello & Irmão, 1909

P de (Dois) Anos de Pássaros (XIX)

A de "Aqui começa o B" (II)

[II/2011]

J de (O) Jardim e a Casa (VII)

Vou pelo meu jardim...
Ando a regar o alecrim do norte.
Que bem que cheira! É só pr'a mim,
Ninguém m'o corte...

Onde eu passo tudo reverdece,
Não há inverno, fica tudo em flor...
Ressuscitai, flores do tapete,
Ganhai cor...

Sou jardineira.
Ando a regar a Morte...
E as covas não abrem a florir!...
É sina minha. É a minha sorte.


António Patrício, O Fim, Porto: Lello & Irmão, 1909
[Ontem ao som de António Fragoso]

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

J de Janelas II

Les Fenêtres


Celui qui regarde du dehors à travers une fenêtre ouverte, ne voit jamais autant de choses que celui qui regarde une fenêtre fermée. Il n'est pas d'objet plus profond, plus mystérieux, plus fécond, plus ténébreux, plus éblouissant qu'une fenêtre éclairée d'une chandelle. Ce qu'on peut voir au soleil est toujours moins intéressant que ce qui se passe derrière une vitre. Dans ce trou noir ou lumineux vit la vit, rêve la vie, souffre la vie.

Par delà des vagues de toits, j'aperçois une femme mûre, ridée déjà, pauvre, toujours penchée sur quelque chose, et qui ne sort jamais. Avec son visage, avec son vêtement, avec presque rien, j'ai refait l'histoire de cette femme, ou plutôt sa légende, et quelquefois je me la raconte à moi-même en pleurant.

Si c'eût été un pauvre vieux homme, j'aurais refait la sienne tout aussi aisément.

Et je me couche, fier d'avoir vécu et souffert dans d'autres que moi-même.

Peut-être me direz-vous: «Es-tu sûr que cette légende soit la vraie?» Qu'importe ce que peut être la réalité placée hors de moi, si elle m'a aidé à vivre, à sentir que je suis et ce que suis?
Charles Baudelaire

V de Vício (V)

NEW HEAVENS FOR OLD
By Amy Lowell

I am useless.
What I do is nothing.
What I think has no savour.
There is an almanac between the windows:
It is of the year when I was born.

My fellows call to me to join them,
They shout for me,
passing the house in a great wind of vermilion banners.
They are fresh and fulminant,
They are indecent and strut with the thought of it,
They laugh, and curse, and brawl,
And cheer a holocaust of “Who comes firsts!” at the iron fronts of the houses at the two edges of the street.
Young men with naked hearts jeering between iron house-fronts,
Young men with naked bodies beneath their clothes
Passionately conscious of them,
Ready to strip off their clothes,
Ready to strip off their customs, their usual routine,
Clamouring for the rawness of life,
In love with appetite,
Proclaiming it as a creed,
Worshipping youth,
Worshipping themselves.
They call for women and the women come,
They bare the whiteness of their lusts to the dead gaze of the old house-fronts,
They roar down the street like flame,
They explode upon the dead houses like new, sharp fire.

But I—
I arrange three roses in a Chinese vase:
A pink one,
A red one,
A yellow one.
I fuss over their arrangement.
Then I sit in a South window
And sip pale wine with a touch of hemlock in it,
And think of Winter nights,
And field-mice crossing and re-crossing
The spot which will be my grave.

[Gostava de pôr estes últimos cinco versos no colofón do livro que acabei de traduzir.]


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos" (IV)

O vídeo é um breve inventário de mim:
carrosséis e bicicletas à velocidade certa;
viagens de papel com o meu pai, antes das viagens a sério com os amigos (Veneza);
jardins com árvores; mar com vento e conchas;
pássaros sem mais nada; o gato; as sombras;
o desejo de voltar atrás.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

F de Falar para as Paredes (VI)


Fotografia de Marta Peixoto
[em Braga]

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

R de Rebeca (V)


William Turner (1775-1851)

"The morning after the shipwreck"

B de Biorritmo (LIII)

L de Livraria (III)

A caminho da minha livraria preferida:

[Fotografia de Rui Miguel Ribeiro]

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

R de Redenção (II)


J de "Jardins sous la pluie"

Camélias ontem, no Jardim da Estrela:




[Com a devida vénia a Monsieur Claude, pelo título.]

sábado, 12 de fevereiro de 2011

S de Salivação (IV)


Fui à pastelaria comprar príncipes ao quilo.

N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos" (II)

H de "Haverá uma beleza que nos salve?"

Eu tinha visto que a dor era sempre necessária para se produzir alguma coisa de belo e de gigante: para se agarrar um pedaço de sonho, que, apenas entrevisto, foge: para que nas nossas mãos esquálidas fique um farrapo dessa figura de prodígio: para que a vida tenha um fim: para amar: para criar: para que alguma coisa de duradouro reste. Num grito existe sempre viva uma porção de beleza. Da cova nascem coisas materiais, formas, árvores, nuvens - da dor jorra a beleza absoluta.

E com que fim? dir-me-ão.

Imaginem um estatuário: para compor uma marmórea figura, para realizar um fantasma entrevisto, precisa de sofrer. Depois tritura o barro, petrifica a dor. E acaso se pergunta se o barro sofre? Assim Deus esmaga o barro que nós somos para construir alguma coisa de extraordinário: mundos, a Vida e a Morte, alma infinita que tudo atravessa.

De que precisam os poetas para fazer uma obra de génio? De dor. O sofrimento cria. Lembram-se das figuras de mármore, para sempre debruçadas sobre os túmulos antigos? O luar que vem pela rosácea gótica ao tocar-lhes dá-lhes uma vida de sonho, fá-las todas de poalha: estremecem, levantam voo, dir-se-ia. Pois a dor, fio a fio, como o luar, dá vida ao sonho.

Para se criar é preciso sofrer-se. Hoje e sempre só a dor é que deu vida às coisas inanimadas. Com um escopro e um tronco inerte faz-se uma obra admirável, se o escultor sofreu. Mais: com palavras, com sons perdidos, com imaterialidades, consegue-se este milagre: fazer rir, fazer sonhar, arrancar lágrimas a outras criaturas. Com as simples e secas letras do abecedário, um desgraçado com génio, metido numa água furtada, edifica uma coisa eterna, uma construção mais sólida e mais bela, do que se fosse arrancar os materiais ao coração das montanhas.

O que é então a dor, milagre extraordinário, que consegue dar vida às fragas? o que é esse assombroso fluido, que se comunica, alma arrancada da própria alma e que se pode repartir como o pão? Nunca houve sob o sol criatura que sofresse da verdadeira dor cujo sofrimento não consolasse ou salvasse. Até as mais humildes, tal como árvores que ainda depois de mirradas, vão aquecer e alumiar os pobres.

A dor dá a vida e não é a própria vida: cria, redime, obra prodígios e nada há que se comunique, que convença, que torne os homens irmãos, como ela... Para onde vão pois todos esses gritos, unidos num só grito? Visto que nada se perde, que é que se sustenta no infinito com essa enxurrada de lágrimas? Deus?


Raul Brandão, Os Pobres

N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos"

Podemos regressar finalmente a um sítio, mas não podemos fotografar a nossa infância.

[Lisboa, 11/02/2011]

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O de "O mundo está escuro: ilumina-o" (XI)

Uma tradição que se voltou a cumprir este ano:

F de Fazer História

Fotografia de Alexandra Lucas Coelho, no Cairo:
a palavra escrita no caderno é REVOLUÇÃO.

C de Comfort Food

No restaurante Paladares do Mar:

Mas faltava o Miguel:

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

R de Regresso ao trabalho (IX)

Le travail est lui-même amour, infiniment plus d 'amour que l'individu n 'en peut susciter en autrui. Il est toutes les espèces d'amour.

Rainer Maria Rilke, Le Testament
trad. Philippe Jaccottet, éd. du Seuil, 1983

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

F de Fazer Fotografia (XXXVIII)

Leitura de cabeceira:

L de Ler (IV)

Ontem, aqui, entre as 19h e as 21h, ouvi uma leitura assombrosa de poemas, entre eles "o mais belo poema do século XX". Gostava sempre de acordar, como hoje, com estes versos na cabeça:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

N de "no lugar seguro da próxima Primavera" (III)


No meu caminho diário, algumas árvores decidiram antecipar a Primavera
e, de repente, toda a cidade fica em segundo plano.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A de Amor (IX)

CONTRA REMEDIO AMORIS



Não sou desse género de mulheres
incapazes de amor e de ternura.
Sei o que é valor e o que é sangue,
embora odeie o sacrifício e me repugne
a vaidade que nasce da violência.
Quero ser a mulher de um mercenário,
de um poeta ou de um mártir, vai dar ao mesmo.
Sei olhar nos olhos dos homens.
Reconheço quem merece a minha ternura.


Amalia Bautista, Cárcel de Amor, 1988
[trad. ID]

V de Vício (IVb)



Gosto tanto de policiais que até me apetece traduzi-los.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

S de Solidão (ou C de Comunidade) IX

ortofrenia


Aclamações
dentro do edifício inexpugnável
aclamações
por já termos chapéu para a solidão
aclamações
por sabermos estar vivos na geleira
aclamações
por ardermos de mansinho junto ao mar
aclamações
porque cessou enfim o ruído da noite a secreta alegria por escadas de caracol
aclamações
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve
porque outra é indubitável: não se ouve ninguém


Mário Cesariny, Pena Capital (2º ed.),
Lisboa: Assírio & Alvim, 1982

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

F de Fazer Fotografia (XXXVII)

Mais uma razão para regressar a Espanha:
comprar este livro...




... e ver coisas assim.


William Henry Fox Talbot,

"An oak tree in winter", c. 1842-43

"Dandelion seeds", 185o's

B de Biorritmo (LII)

Quero estar

T de "(um) torso dobrado pela música" (III)

Marc Chagall
[Esta também tinha a minha cara, Daniela.]

S de "(Las) simples cosas"




Lista provisória de coisas simples mas redentoras:
uma árvore ainda com folhas para dar no final de um dia mais longo,
um jogo em que ninguém perde, um bar só para amigos,
um beijo antes de adormecer.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

L de Livraria (II)


A caminho da minha livraria preferida.

R de Redenção


A de "Aqui começa o B"