domingo, 31 de julho de 2011

B de Biorritmo - C b

B de Biorritmo (C)

 Ouviu-se ontem, numa noite muito bonita:



[...]
Rumbo a la cosecha cosechero yo seré
Y entre copos blancos mi esperanza cantaré
Con manos curtidas dejaré en el algodón
Mi corazón.


La tierra del chaco quebrachera y montaraz
Prenderá en mi sangre con un ronco sapucay
Y será en el surco mi sombrero bajo el sol
Faro de luz
[...]

sábado, 30 de julho de 2011

P de (Os) Pássaros em Volta (XVIII)


Sir Edward Burne-Jones,
"Ladies and animals sideboard - good and bad animals - study for a lady feeding parrots", 
1860

T de Tratado de Pedagogia (XXXVI)

Miúdos,
Não tentem isto em casa. E muito menos na escola:

E de "É a Hora!" *




* O título é, claro, de Fernando Pessoa.
A música de algumas das melhores madrugadas dos últimos tempos
.

N de "No fundo, é isto" (II)

ACUSAÇÃO AO PRINCÍPIO DA TARDE


Viajo atrás do guarda-freio    um saco de livros na mão
o eléctrico quase cheio e na paragem da Sé lá saem
ao que diz o condutor e com ciência pura    os carteiristas
muito nervoso aquele que saiu pela porta da frente
E ao dobrar a esquina da Catedral    subindo à luz
da Graça    insinua então o advogado dos passageiros
atirando na minha direcção a nuca    e o polegar dirigido também
mas à frente do peito resguardado
e contando por certo que eu não o visse    que andaria eu à cata
pois então das carteiras vizinhas
Meio mundo ficou de rosto para mim
e eu como se todo o mundo
tivesse cristalizado no clarão da coisa insinuada
Nisto de carteiristas
o saber de experiência feito dos guarda-freios faz lei
E posso reafirmá-lo porque chegando à Graça
e em pedindo explicações    a criatura lá foi dizendo que
se eu reagia por alguma coisa seria    Fiquei
a compreender melhor
o murro de Billy Budd no mestre de armas Claggart
na bela novela
de Herman Melville    De um eléctrico na Graça
ao navio Indomável ainda vai existindo a porra do inexplicável


- Abel Neves

quinta-feira, 28 de julho de 2011

P de (Os) Pássaros em Volta (XVII)



[Obrigada, Luis]

E de Espinhas para um gato (VIII)


Robert Berény
"Natureza morta com gato"
(1930)

P de (Os) Pássaros em Volta (XVI)


Este e outros objectos de desejo/sonho aqui.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

R de Regresso ao Trabalho (XVII)



[...]
Não vou lamentar, o que passou, passou
Eu vou embora, meu tempo acabou
Tenho muita coisa para descobrir
[...]

O de "Onde se lê gato" (III)


"Eu-próprio o Outro"

M de Medo (IV)

P de (Os) Pássaros em Volta (XV)


Gwen White
[1936]

P de Poética (VI)

O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede

até à queda vinda
da lenta volúptia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma


- Luiza Neto Jorge

terça-feira, 26 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

L de (A) Luz da Sombra (XII)

ESPERA


Quando estou sem remédio
tudo jaz em torno ao berço
parado quieto seguro

As janelas não convidam
as lâminas desanimam
o gás nada promete

Em cada quina uma espuma
embota o gume
em cada gesto um arreio
rasga a vontade

Ninguém se atreve
no auge da tristeza
Sem luz ninguém se apaga

Porque estou assim
pensam que me conformo
mas um fósforo molhado
ainda pode secar


- Fabio Weintraub

C de "Canção diante de uma porta fechada" (III)

Termina assim o livro Eis o Amor   a Fome e a Morte:


Se te perguntarem
dirás que não preferes os versos
antes a melodia anterior     a suspeita da calma
Mas eles são os espalhados ícones
a derradeira hipótese no lado esquerdo do peito
A página é um tecido intenso    tenso como a lira
e seria belo que entrasses na página
como o pássaro no arvoredo

ABEL NEVES

domingo, 24 de julho de 2011

P de (Os) Pássaros em Volta (XIV)


[Pedi emprestado ao RMR, mas já não devolvo.]

M de Música para os meus olhos (XVI)



para partilhar dois prazeres com as pessoas preferidas.

M de Medo (III)

Levanto as mãos e o vento levanta-se nelas.
Rosas ascendem do coração trançado
das madeiras.
As caudas dos pavões como uma obra astronómica.
E o quarto alagado pelos espelhos
dentro. Ou um espaço cereal que se exalta.
Escondo a cara. A voz fica cheia de artérias.
E eu levanto as mãos defendendo a leveza do talento
contra o terror que o arrebata. Os olhos contra
as artes do fogo.
Defendendo a minha morte contra o êxtase das imagens.


- Herberto Helder, Ou o poema contínuo (Assírio & Alvim)

P de (Os) Pássaros em Volta (XIII)

C de Cicatriz (IV)

PREÇO


Meu casaco
acha bonito?
De segunda mão

De segunda meu cabelo
o sorriso que te dei
na última quarta-feira
e a promessa que farei
cega e nua sob aplausos

De segunda aquele orgasmo
leiloado por credores
a cicatriz que se alastra
na tenda dos camelôs

Novo somente
o perdão por conhecer
todas as coisas e gestos
pechinchados sem vergonha
redimidos pelo uso

Sempre novo esse perdão
inédito
como uma farpa sob a unha
no polegar esmagado


Fabio Weintraub, Baque, São Paulo: Editora 34, 2007

sábado, 23 de julho de 2011

V de Vista para um saguão (II)

Clicar para aumentar:




A história de amor é outra, mas o saguão é o mesmo

P de (Os) Pássaros em Volta (XII)

Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões.
Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo
Se se recorda dos movimentos migratórios
E das estações.
Mas não me importo de adoecer no teu colo
De dormir ao relento entre as tuas mãos.

- Daniel Faria
[AQUI]

sexta-feira, 22 de julho de 2011

C de Chocolate Jesus (IV)

M de Museu Imaginário (XXII)


Lucian Freud (1922 - 20 Julho 2011)
~
"Girl with kitten"
(1947)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

R de Revisões da matéria dada (IV)

F de Falar para as paredes (VIII)


[Em Lisboa,
a caminho de um caril de camarão à altura dos amigos em redor da mesa.]

P de Poética - IV b

In a manner of speaking

Um dos meus momentos preferidos do Hamlet, além de outro em que aquela espécie de António Carlos Cortez da peça – quer dizer, a Ofélia – morre afogada, é uma enumeração, talvez a melhor de toda a história da literatura: “words, words, words.”. Em vez de cair na tentação que seria repetir, por si, este recurso de estilo, Zbigniew Herbert consegue dar à mesma ideia uma expressão nova, a qual perde por destruir a simplicidade mas, ao mesmo tempo, ganha em imagética: “we live on archipelagos/ and that water these words what can they do what can they do prince”.

Talvez por acidente, talvez não, o feito que o poeta polaco aqui consegue é sintomático do problema que à partida afecta a nossa possibilidade de nos entendermos. As palavras sofrem da síndrome da peça de mosaico e, mesmo quando ligadas entre si, em todo o poder de uma imagem, não ligam propriamente dois corpos um ao outro, duas compreensões uma à outra, tal como a água, verdadeiramente, nunca liga duas ilhas: “In a manner of speaking/ Semantics won't do/ In this life that we live we only make do/ And the way that we feel/ Might have to be sacrified”.

Hamlet, entre outras coisas, é uma peça sobre a impossibilidade absoluta de extremarmos os sentimentos que temos uns pelos outros. O Eugénio, quando escreveu que “São como um cristal,/ as palavras./ Algumas, um punhal,/ um incêndio”, não podia estar mais longe da verdade. As palavras não são nada, perdem-se entre nós e nós perdemo-nos com elas pelo caminho. Somos ilhas que sobrevivem entre os sussurros de outras, numa solidão em que só podemos ser amigos, em que só podemos ser inimigos de nós próprios. Isto é que é morrer.
 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

M de Museu Imaginário (XXI)

Um dos muitos motivos para regressar a Veneza:


Tintoretto, "A Criação dos Animais", c. 1550

M de Mesa de Amigos (VII)

Ontem, a desoras, ainda nos lembrámos deste poema:


A CARNE AGARRADA AOS OSSOS

Deitei a tarde pela janela e fiquei só
com a linha onde a luz se suspendeu
num tom rosado, tão calmo, quase
artificial neste fim de Abril, a descer sobre
o azul da minha voz. Pus-me a fumar
por cima de um caderno, enchendo
e virando páginas, um punho a apoiar
este rosto agarotado e um dedo
passando pela boca que há muito
não se embeiça por sentidos razoáveis.

Não sei se tentava voltar aos braços
de alguma remota ilusão, se me fiquei
por um circuito de estilhaços ou qualquer
outra lesão silenciosa. Mais óbvios
todos os destinos, dói mais ao princípio:
ver como os dias vão saindo repetidos. E daí,
a repetição talvez seja só eu, esta pequena
intriga ou vago remorso que me escreve.

Não era como se tivéssemos muito
a esperar das ruas, mas saímos
e depressa demos com o labirinto de excessos
na noite que o corpo nos exigia. Os dois
à boleia do tempo, juntando mais
umas horas a esta idade que tresanda já
a maus hábitos, paixões sem interesse
e fantasias voltando a casa destruídas,
cada vez menos e menos inocentes.
Por aí a imaginação perdia
toda a confiança, dócil, foi-se ajoelhando
e enfrentou confissões ordinárias,
sepultando os sorrisos
que nos caíram entre os lábios.

Esquecemos tantas outras vidas.
Sentados de costas para a entrada,
no Saloio da 24, insististe que a vidinha,
enfim, lá tinha dado connosco. E que lugar
tão triste para o admitirmos, entre a fatia
de pizza, o rissol e os copos de plástico
que não foram suficientes para afastar-nos
da razão, nem sequer distrair os sinónimos
que chegam, às vezes, demasiado cedo,
quando o coração é um ódio
tão natural, uma forma de pedir
que não contem mais connosco.

Um tudo-nada comovidos, aguentou-nos
um silêncio que também já não era só nosso.
Arrumados para estatísticas:
eu levando um curso aos chutos vai agora
para uns cinco anos, e tu, diplomado
e num primeiro emprego, a seres pago
para gastares com a infelicidade
as incertezas que te restam. Os dois,
como é normal, mimando e entretendo
a carne agarrada aos ossos.


Diogo Vaz Pinto, Nervo (Averno)

terça-feira, 19 de julho de 2011

A de Aniversário (VI)

No aniversário de uma das minhas pessoas preferidas, o meu poema de aniversário preferido:


A BIRTHDAY



My heart is like a singing bird
Whose nest is in a water'd shoot;
My heart is like an apple-tree
Whose boughs are bent with thick-set fruit;
My heart is like a rainbow shell
That paddles in a halcyon sea;
My heart is gladder than all these,
Because my love is come to me.

Raise me a daïs of silk and down;
Hang it with vair and purple dyes;
Carve it in doves and pomegranates,
And peacocks with a hundred eyes;
Work it in gold and silver grapes,
In leaves and silver fleurs-de-lys;
Because the birthday of my life
Is come, my love is come to me


- Christina Rossetti (1861)

domingo, 17 de julho de 2011

A de Anjos Caídos (III)

Gosto de ler em jardins:



Golgona Anghel, Vim porque me pagavam (Mariposa Azual)


M de Medo (II)

Tive um pesadelo exactamente assim, quando andei de muletas:



 

Flannery O'Connor


P de Poética (IV)

Ontem, a noite começou - e tão bem - com esta canção:



[...]
Give me the words
That tell me everything
In a manner of speaking
Semantics won't do
[...]

sexta-feira, 15 de julho de 2011

P de (Os) Pássaros em Volta (XI)


Tennessee Williams

L de Liberalização

Seria assim:


quinta-feira, 14 de julho de 2011

C de Começar o dia com um livro novo (II)


Os homens de idade cultivam
pequenas certezas:
o correio chegar
às três e quarenta e cinco em ponto,
as palavras cruzadas virem
no canto superior esquerdo
da página vinte e três.

O peso de um recém-nascido,
a largura e a profundidade de um sapato
a quantia exacta de uma conta,
e, quando se justifica,

o sítio onde tudo aconteceu
não o motivo - apenas o sítio preciso.

Os homens de idade
não gostam mesmo nada
de ir para além

das ligações já estabelecidas…

Não gostam de vaguear na escuridão
ou de programar muito o futuro
nem de estar muito longe de casa.

Não, os homens de idade não gostam
mesmo nada de ir para além destas
pequenas certezas -
o nome, a data e o local e o número
e a fome e o amor…

Mas serão só os homens de idade?
Todos somos velhos de vez em quando.


Tennessee Williams, Alguns Poemas,
trad. de Ricardo Marques,
Lisboa: Língua Morta, 11 de Julho de 2011

C de Crise - II b


[Em Cascais]

R de Revisões da matéria dada - II b

RATTLESNAKES (1984),
Lloyd Cole and The Commotions



Jodie wears a hat although it hasn't rained for six days
she says a girl needs a gun these days
hey on account of all the rattlesnakes
she looks like Eva Marie Saint in On the Waterfront
she reads Simone de Beauvoir in her American circumstance

she is less than sure if her heart has come to stay in San Jose
and her neverborn child still haunts her
as she speeds down the freeway
as she tries her luck with the traffic police
out of boredom more than spite
she never finds no trouble she tries too hard
she's obvious despite herself

she looks like Eva Marie Saint in On the Waterfront
she says all she needs is therapy
yeh, all you need is love is all you need

Jodie never sleeps because there are always needles in the hay
she says that a girl needs a gun these days
hey on account of all the rattlesnakes
she looks like Eva Marie Saint in On the Waterfront
as she reads Simone de Beauvoir in her American circumstance

her heart… heart is like crazy paving
upside down and back to front
she says ooh, it's so hard to love
when love was your great disappointment


[Obrigada, João Luís]

C de "Canção diante de uma porta fechada" (II)



Fotografias de Kostas Argyris,
no Monte Athos

quarta-feira, 13 de julho de 2011

C de "Canção diante de uma porta fechada"


O título é de Agustina Bessa Luís; a fotografia de uma capela entrevista em Cascais;
a vontade de (re)ler The Time of the Angels, de Iris Murdoch, e todos os livros de Ana Teresa Pereira.

R de Revisões da matéria dada (III)

H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (XI)


Onde se lê "Bolanger", deve ler-se "Boulanger",
criador do primeiro restaurante - no sentido moderno do termo.

[Restaurante Vin Rouge, Cascais]

terça-feira, 12 de julho de 2011

B de Brincar com ossinhos (IV)



In darkness let me dwell, the ground shall sorrow be,
The roof despair to bar all cheerful light for me,
The walls of marble black that moistened still shall weep,
My music hellish jarring sounds, to banish friendly sleep,
Thus wedded to my woes and bedded to my tomb,
O let me living, living, die till death do come.

P de Poética (III)

FIESTA DEL ALMA


Por qué pasas tan deprisa
las páginas de tus nervios?
Todo se ceremonia a cada paso contado
Tú ibas a escuchar el ruído del lavarropas
y creías oír sonar la flauta de Dios
Quién asimila la máscara de las horas?
El antifaz terrible de la vida
Hasta el último instante estuvimos llevando
las colgaduras del alma


- Carlos Edmundo de Ory
in Sin Permiso de Ser Ángel, New York: Vanguardo Editions Gas Station, 1988

N de "No fundo, é isto"

V de Vício (VII)

As personagens deste livro, incluindo os touros, são completamente fictícias.

[Nota prévia em:
Rex Stout, O Touro Assassino, col. Vampiro, Lisboa: Livros do Brasil, 2000]

segunda-feira, 11 de julho de 2011

C de "Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos..." (III)

Os despojos do dia:




B de Biorritmo - L b

Ouviu-se ontem, ao vivo e sob a lua:

P de (Os) Pássaros em Volta - IX b

sábado, 9 de julho de 2011

L de (A) Luz da Sombra (XI)


John White Alexander (1856-1915)

"Sunlight"

[Via Joana Jacinto]

A de Amor (XVI)

FIDELIDADE


Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como só a presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?

Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.


- Jorge de Sena

sexta-feira, 8 de julho de 2011

M de Museu Imaginário (XX)



CY TWOMBLY
(1928 – 5 de Julho de 2011)


quinta-feira, 7 de julho de 2011

R de Revisões da matéria dada (II)


Marlon Brando e Eva Marie Saint
em
Há Lodo no Cais (1954), de Elia Kazan

A de "Álcool, nem vê-lo"


Monkey Shoulder Whisky

[Os macacos, libertei-os eu, suavemente.
A foto é do RMR. As artes finais serão da Sf.]

P de "Portugal não é um país pequeno" (VII) - a Moody's é que não tem estômago


Ontem,
num restaurante que o autor deste blogue tem de conhecer.

B de Biorritmo (XCIX)

Ontem, a noite foi assim tão bonita:

quarta-feira, 6 de julho de 2011

L de (A) Luz da Sombra (X)

 


Dois fotogramas de:
Fritz Lang, Der müde Tod, 1921


C de Crise (II)


[Preço em vigor ontem]

R de Revisões da matéria dada - b

DIALOGO DEL PERRO Y DEL ANGEL


El perro le dijo al ángel: "yo te beso"
el ángel le dijo al perro: "yo te muerdo"
el perro le dijo al ángel: "yo te canto"
el ángel le dijo al perro: "yo te ladro"
el perro le dijo al ángel: "yo te alabo"
el ángel le dijo al perro: "yo te meo"
el perro le dijo al ángel: "yo te leo"
y el ángel: "cállate que me estropeo!"


Carlos Edmundo de Ory, Sin Permiso de Ser Ángel,
New York: Vanguardo Editions Gas Station, 1988

terça-feira, 5 de julho de 2011

R de Regresso ao Trabalho (XVI)


E uma borboleta enorme passou redentoramente à frente da janela,
enquanto esperava o início de mais uma reunião.

R de Revisões da matéria dada

segunda-feira, 4 de julho de 2011

M de Música para os meus olhos (XV)

Sylvia Plachy - mãe de Adrien Brody - fotografa assim...


... e assim.

P de (Os) Pássaros em Volta (X)

- "Si un oiseau savait dire précisement ce qu'il chante, pourquoi il le chante, et quoi, en lui, chante, il ne chanterait pas."

- "Il faut être léger comme l'oiseau et non comme la plume."

PAUL VALÉRY
[Obrigada, Hugo]


- "If you call yourself a poet, sing it, don't state it." (Poetry As Insurgent Art)

- "Every bird a word, every word a bird." (What Is Poetry?)

LAWRENCE FERLINGHETTI

domingo, 3 de julho de 2011

P de (Os) Pássaros em Volta (IX)


Hoje, em Campo de Ourique.

D de Desejo

VIE DANGEREUSE


Aujourd'hui je suis peut-être l'homme le plus heureux du monde
Je possède tout ce que je ne désire pas
Et la seule chose à laquelle je tienne dans la vie chaque tour de l'hélice m'en [rapproche
Et j'aurai peut-être tout perdu en arrivant


- Blaise Cendrars

S de Sense of Snow (V)

Ou "Music for R.":

P de Poesia (VI)

sábado, 2 de julho de 2011

B de Biorritmo (XCVIII)



"someway, baby, it's part of me, apart from me"
[...]

sexta-feira, 1 de julho de 2011

L de Levantar a cabeça (VI)


Ontem, na Bica.

S de (A) Solidão dos Números Primos

T de "(um) torso dobrado pela música" (IX)

Basta senhora harpa das belas imagens
Dos furtivos cosmos iluminados
Outra coisa outra coisa buscamos
Sabemos pousar um beijo como um olhar
Plantar olhares como árvores
Engaiolar árvores como pássaros
Regar pássaros como heliotrópios
Tocar um heliotrópio como uma música
Esvaziar uma música como um saco
Degolar um saco como um pinguim
Cultivar pinguins como vinhedos
Ordenhar um vinhedo como uma vaca
Desarvorar vacas como veleiros
Pentear um veleiro como um cometa
Desembarcar cometas como turistas
Enfeitiçar turistas como serpentes
Colher serpentes como amêndoas
Descascar uma amêndoa como um atleta
Abater atletas como ciprestes
Acender ciprestes como faróis
Aninhar faróis como cotovias
Exalar cotovias como suspiros
Bordar suspiros como sedas
Derramar sedas como rios
Tremular um rio como uma bandeira
Depenar uma bandeira como um galo
Apagar um galo como um incêndio
Vogar em incêndios como em oceanos
Ceifar oceanos como searas
Repicar searas como sinos
Esquartejar sinos como cordeiros
Desenhar cordeiros como sorrisos
Engarrafar sorrisos como licores
Engastar licores como jóias
Electrizar jóias como crepúsculos
Tripular crepúsculos como navios
Descalçar um navio como um rei
Pendurar reis como auroras
Crucificar auroras como profetas


- Vicente Huidobro
(tradução de Luis Pignateli)
in Natureza Viva, Hiena

[Previsivelmente roubado aqui]

L de Ler (VII)

Ouve-se na capa de um livro: