MORTE DE UMA ESTAÇÃO
Choveu toda a noite
sobre as memórias do verão.
Ao anoitecer saímos
no meio de um ribombar lúgubre de pedras,
imóveis na margem segurando lanternas
para explorar o perigo das pontes.
Ao amanhecer vimos as pálidas andorinhas
ensopadas e pousadas sobre os fios
espreitando os sinais misteriosos da partida -
e reflectiam-nas na terra
as fontes de rosto desfeito.
Antonia Pozzi, Morte de uma estação,
trad. de Inês Dias,
Lisboa, Averno, 2012

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