sábado, 21 de fevereiro de 2015

F de Fazer Fotografia (LII)




Adília Lopes, Manhã,
Lisboa: Assírio & Alvim, 2015


*


APANHADOR DE PIRILAMPOS


A poluição dos escapes
os herbicidas
foram-vos empurrando
para fora
do Pinheiro Manso

antiga minha luz
particular
em noites doces
procuro-vos
e nada encontro
senão lixo
entre as folhas

fazeis-me
tanta falta
neste mundo escuro


FERNANDO ASSIS PACHECO

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

V de Vida




Will McBride, Florença, 1957



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

P de "Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera" (VII)





[...]
Quero dizer-lhe: Sim, houve problemas, a nossa relação era difícil de perceber, e complicada, mas mesmo assim, queria apenas ter-te aí sentada na cama em que já dormiste algumas noites, agora é a tua parte da sala de estar, queria apenas olhar para o teu rosto, os teus ombros, os teus braços, o teu pulso com o relógio de bracelete dourada, um pouco apertado, enterrando-se na carne, as tuas mãos fortes, a aliança de ouro, as tuas unhas curtas, não tinha de te olhar nos olhos ou de ter qualquer tipo de comunhão, completa ou incompleta, mas ter-te aqui em pessoa, em carne e osso, por algum tempo, pressionando o colchão, enrugando a colcha, com o sol a brilhar atrás de ti, seria muito bom. Talvez te deitasses na cama para leres um pouco durante a tarde, talvez adormecesses. Eu estaria no quarto ao lado, muito perto. 
[...]


trad. Inês Dias, Lisboa: Relógio D'Água, 2015





[ID, Sintra/013]

domingo, 15 de fevereiro de 2015

P de Pele




Fernando Assis Pacheco, Nausicaah!,
Lisboa, ed. do autor, 1984

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

C de Começar o dia com um livro novo (XXXIII)


VIDA PARALELA


Nenhum comboio nos leva
tão longe: uma cidade morta

vive ainda na rara canção.
Escuta as palavras que ensina

e todas as coisas que volta
a mostrar: a noite, o sossego

no quarto emprestado,
as caves com livros

de Charing Cross Road
e o tempo lá fora

tão frio.


Rui Pires Cabral, Morada, 
Lisboa: Assírio & Alvim, 2015




[ID, 'Hyde Park', 014]

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

R de Regresso ao Trabalho (LVII)


nas cidades
existem os autocarros.

nas pessoas
existe a tabela dos horários.

as tabelas mal se lêem.

os autocarros às vezes não param.


Nuno Moura, Os livros de [...],
Lisboa: Mariposa Azual, 2000





[ID, Sete Rios, 05/013]

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

C de Começar o dia com um livro novo (XXXI)





VERSOS DO DESCONSOLO


para Stig Dagerman


fiquei com pouco tempo
para dar à claridade
e as abelhas já não vêm
pôr mel dentro das rosas.

às vezes, a minha sombra
é um pedaço de risco,
qualquer coisa desavinda
a que o Sol quer dar sustento.

quem disse que a memória
é sempre muito antiga?

quem falou de uma aranha
para tecer a eternidade?


Emanuel Jorge Botelho, Fecho a cortina, e espero,
com capa de Luis Manuel Gaspar e um desenho de Urbano, 
Lisboa: Averno, 11 de Agosto de 2014





[Lou, 01/015]