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domingo, 3 de maio de 2015

S de "Sempre disse tais coisas esperançad@ na vulcanologia" (XII)


A ÁRVORE DAS RAÍZES


a minha infância tem uma árvore
assombrosa. é uma bela história de amor
entre as nossas mãos pequeninas
e aqueles seus braços enormes, bravos e
loucos como o riso das mães,
que faziam abrandar o medo e a tarde.

oito, nove, dez: virávamo-nos à procura dos outros
pelo labirinto de grutas cavado nas raízes,
ao abrigo do vento e da solidão que não tardaria
a descobrir o nosso esconderijo.

ao parar, há dias, na Deslocação do Labirinto,
imaginei que talvez Vieira da Silva
tivesse sonhado a minha árvore.
ou vice-versa. dois seres mágicos do mesmo elemento
engendrando-se um ao outro nas raízes do mundo:

azuis e verdes com riscos ferozes
onde a vista se afunda para depois
nos libertar. assim é, entre o céu da memória
e a erva húmida destes dias,
a árvore da minha infância.


Renata Correia Botelho, Small Song,
2.ª ed., Lisboa: Alambique, 2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

M de Museu Imaginário - XXVI b




Jim Jarmusch, Os Limites do Controlo, 2009



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

C de Começar o dia com um livro novo (XXXII)


Virás sempre
fazer com que acredite
que o tempo
nesta procura
não acaba.

Gesto exigente
o teu amor alado.

E nenhum vento que nos perturbe.


Marta Chaves, Perda de Inventário,
com capa de Inês Dias e separata de Maria Manuel Viana, 
Lisboa: Alambique, 27 de Janeiro de 2015




[Inês Dias, Sintra, 05/013]

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

B de Bom Ano Novo (VIII)


I'M GOING IN


ao piano, um corpo pronto
a nascer tudo de novo

a promessa dedilhada do regresso
àquele ponto de encontro
circular, em que já não recordamos
quem somos, nem por quem

chorámos. aquecemos as mãos
batidas pelo vento, a pele funde-se
aos poucos com as asas, o sangue
com as florestas e os rios.

this is how it starts,
olhamos a manhã ao longe
à espera que nos desenhem um rosto.


Renata Correia Botelho, small song, 2.ª ed., 
com capa e desenhos de Daniela Gomes,
Lisboa: Alambique, 1 de Janeiro de 2015



sábado, 12 de julho de 2014

C de Cores




Isabel Nogueira e Paulo Furtado, A Kind of Blue,
Lisboa: Alambique, 11 de Julho de 2014

sábado, 19 de abril de 2014

C de "(O) começo de um livro..." - ou de uma editora (III)


Regressar a casa sozinho e noite dentro
quando o silêncio das árvores da rua se acentua
e os poemas que nunca hás-de fazer te atingem
com o fragor de telhas caídas de um telhado
mesmo em cima da tua cabeça - tanta fragilidade
E por fim entrar em casa, ordeiramente
A essa hora todo e qualquer remorso
é coisa de somenos, importante sim
para dormir, para brincar, só a morte
Ursinho de peluche no travesseiro
da cama - a tua morte


Rui Caeiro, Sobre a nossa morte bem muito obrigado,
com capa de Luís Henriques e arranjo gráfico de Inês Mateus
Lisboa: Alambique, 18 de Abril de 2014
[1.ª ed.: &etc, 1989]