Mostrar mensagens com a etiqueta The Wall. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta The Wall. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

C de Cicatriz (XI)


"[...]
devo sentir nostalgia? de quantas cicatrizes precisa a nostalgia?"

Pablo García Casado




[Fevereiro 013]

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

R de Regresso ao Real - VIII b


CONSOANTES ÁTONAS


Emudecer o afe[c]to português?
Amputar a consoante que anima
a vibração exa[c]ta
do abraço, a urgência

tá[c]til do beijo. Eu não nasci
nos Trópicos: preciso desta interna
consoante para iluminar a névoa
do meu dile[c]to norte.


- Inês Lourenço, Coisas que nunca,
Lisboa: & etc, 2010




[ID, Funchal | 12/019]

sábado, 30 de setembro de 2017

O de Outono (VIII)


MARA

A chuva
não veio, os tinteiros
estão vazios,
os sonhos acomodam-se
em latas de cerveja.
Porque o Setembro,
porque esta folha de papel
fica branca, tu não dás
com a minha porta, mas
o meu cabelo cresceu,
as divas sorriem-nos
dos cartazes,
com as palavras
que eu não encontrei
um outro mata
a sua sede.
Jürg Beeler (trad. de João Barrento)
in Bumerangue 3, Guimarães, 1997




[ID, Lisboa | 012]

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

F de Falar para as paredes (IX)


TEMA


Foram quintais de dois invernos,
um desenho na janela para explicar
qualquer coisa sobre nós, qualquer coisa
terrivelmente alheia às palavras. 

Pequenos alicerces do próprio tempo,
quem diria que os podíamos
apagar? Iam do princípio ao fim
dos meses, era onde se agarrava 
o ramo branco da casa.


Rui Pires Cabral, Praças e Quintais,
Lisboa: Averno, 2003




[ID, S. Miguel, 17/08/11]



NOMEAR-TE


Não o poema da tua ausência,
Apenas um desenho, uma fresta num muro,
Algo no vento, um sabor amargo


Alejandra Pizarnik, 30 Poemas, 
trad. Inês Dias e Manuel de Freitas, 
Lisboa: Língua Morta, 5 de Setembro de 2011

terça-feira, 25 de abril de 2017

E de "É assim que se faz a História. Sem palavras a mais." (XXIII)



ID, Entrecampos | 2000
[era antes do Digital]




ID, Rossio | 2012
[era depois dos Telemóveis]

quinta-feira, 9 de março de 2017

P de (Po)ética (LV)


ESCREVER


A vida é demasiado séria para eu continuar a escrever. A vida costumava ser mais fácil, e muitas vezes agradável, e então escrever era agradável, embora também parecesse sério. Agora a vida não é fácil, tornou-se muito séria e, por comparação, escrever parece um pouco disparatado. Escrever não é, muitas vezes, sobre coisas reais, mas depois, quando é sobre coisas reais, está muitas vezes a ocupar o lugar de algumas coisas reais. Escrever é demasiadas vezes sobre pessoas que não aguentam mais. Tornei-me entretanto uma dessas pessoas. Sou uma dessas pessoas. O que eu devia fazer, em vez de escrever sobre pessoas que não aguentam mais, é pura e simplesmente desistir de escrever e aprender a aguentar. E prestar mais atenção à própria vida. A única maneira de me tornar mais inteligente é não voltar a escrever. Há outras coisas que eu devia estar a fazer em vez disso.


Lydia Davis, Não Posso nem Quero,
trad. Inês Dias, Lisboa: Relógio D'Água, 2015




[ID, Coimbra 013]

sábado, 4 de junho de 2016

A de Amor (XII)


Não te aproximes tanto
de uma alma em cinzas. Apenas
arde

ou dá-me
do sol estrelas, escuros
fragmentos da mansidão. So tired

of dying
digo, baixinho, amo-te. Digo-o
pela tua boca.


- José Carlos Soares, Este perder-se
(2011)




[ID | 2011]

sábado, 30 de abril de 2016

B de Brincar com ossinhos - IX b





Como se pressentisse a sua ruína
como se cego fosse
estendeu a mão e deixou os seus dedos
desenharem as palavras desenhadas
na pedra "eu morte existo".


João Miguel Fernandes Jorge
in Sobre o mar e a casa, com pinturas de Pedro Calapez,
Lisboa: Europália, 1991




[ID, Lisboa, 2016 | Coimbra, 2012]

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

L de (A) Luz da Sombra (XLVI)




[ID, Madrid, 015]

domingo, 14 de junho de 2015

P de (Os) Pássaros em Volta (IV)




[ID, '13 de Junho de 2011' - 2015]



quarta-feira, 1 de abril de 2015

A de A poesia é o menos (VII)


Tens direito aos teus rancorzinhos e ao bom proveito que eles te façam e também ao mau, que isso de rancores é igual a estrume: tanto dá tétano como dá flores. 


Rui Caeiro, Deus e outros animais,
Lisboa: Averno, 2015




[ID, 'Parallel Walks', 09/013]

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

P de "Paredes frias" (III)


E a tua ferida, onde está?
Pergunto onde fica, em que lugar se oculta a ferida secreta para onde foge todo o homem à procura de refúgio se lhe tocam no orgulho, se lho ferem? Esta ferida - que fica assim transformada em foro íntimo - é que ele vai dilatar, vai preencher. Sabe encontrá-la, todo o homem, ao ponto de ele próprio ser a ferida, uma espécie de secreto e doloroso coração.
Se observarmos o homem ou a mulher que passam com olhar rápido e voraz - e também o cão, o pássaro, uma panela - a velocidade do olhar é que nos mostra, ela própria e com rigor máximo, que ambos são a ferida onde se escondem mal sentem o perigo. O quê? Já lá estão, já os conquistou - deu-lhes a sua forma - e para ela a solidão: lá estão inteiros no retesar de ombros em que passam a concentrar-se, com toda a vida a confluir na ruga maldosa da boca, e contra a qual nada podem nem querem, pois dela é que sabem esta solidão absoluta, incomunicável - este castelo da alma - para serem a própria solidão.


Jean Genet, O Funâmbulo,
trad. Aníbal Fernandes, Lisboa: Hiena Editora, 1984





[Lisboa, 17/05/013]




O CIRCO


Venham ver, venham,
a minha oculta ferida.
Tem rebordo roxo
e paixão ao meio. 

É bonita e quero-lhe muito.
É flor de passiflora à botoeira
da pele que subpulsa,
que repulsa,
meus audiovisuais que aguentam tudo:
minha náusea, meu coração-culpa.

Brinco enquanto finjo um outro assunto.
Rif-raf é um brinquedo de criança
ou nada quer dizer
senão imagem onomatopaica.
Diagrama, indica infecção
palustre de água-viva e memória
tão secreta que não mata.

Vê-se e não se vê
a minha oculta ferida.
Mas tem cruzes e espinhos.
No centro uma gota brilha
rocio
ou som murmurado
que se transmite sem pedir palavra.

A minha ferida sangra 
como que entornada.
Venham ver, entrem,
que não se paga nada. 


Ruy Cinatti, 75 Poemas,
org. Manuel de Freitas, Lisboa: Averno, 2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O de "O poema ensina a cair"


[Ontem à noite, em Lisboa]

sexta-feira, 30 de maio de 2014

E de "É assim que se faz a História. Sem palavras a mais." (L)



Do 'Terrorismo Poético' (cf. Hakim Bey) e do outro
Lisboa / Maio 014

segunda-feira, 7 de abril de 2014

domingo, 13 de outubro de 2013

T de "Treze maneiras de olhar para um melro" - V


V


Não sei se prefiro
A beleza das entoações
Ou a beleza dos subentendidos,
O melro a assobiar
Ou o instante depois.




WALLACE STEVENS
[Tradução e fotografia de Inês Dias - Santarém, 01/013

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

B de Brincar com ossinhos (IX)


[Coimbra, Dezembro 2011]

sábado, 15 de dezembro de 2012

J de Janelas (V)


A CANÇÃO DE ORPHEU - O VAZIO PAGÃO


Negro sobre negro. Desce a faixa azul vibrate
fogo branco, vermelho cortado por lista branca "não
quero monumento nem catedrais, quero uma escala
humana para um grito humano" - cor de carne,
branco-sujo, leve cinza, "girassol desventrado para reter o
alimento", junto aos murais
públicos de Pompeia, um braço caído sobre a biblioteca
laurenciana, janelas cegas, opressiva atmosfera. Sentir

depois que estão presos
numa sala onde as portas foram tapadas com tijolo; resta
bater com a cabeça contra a parede

impensável mistura de cor: sangue-de-boi e negro; o largo
traço do quadrado, o rectângulo: cinza, azul, alvaiade.
Detritos da vida quotidiana: cebo, feltro, guerra, corpos
abatidos - madeira e bronze - finalidade e morte.


João Miguel Fernandes Jorge
in O Próximo Outono, Lisboa: Relógio D'Água, 2012




[Lisboa, Fevereiro de 2012] 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E de Espera (XXIV)


[Sintra, 13/10/12]