
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
V de Vício (IV)

domingo, 22 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
B de Biorritmo (XXIX)
E ando na vida à procura
Duma noite menos escura
Que traga luar do céu.
Duma noite menos fria,
E em que não sinta a agonia
Dum dia a mais que morreu.
Vou cantando amargurado,
Mais um fado e outro fado
Que fale do fado meu.
Meu destino assim cantado
Jamais pode ser mudado
Porque do fado sou eu.
Ser fadista é triste sorte,
Que nos faz pensar na morte
E em tudo o que nós morreu.
E andar na vida à procura
Duma noite menos escura
Que traga luar do céu.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
E de Espinhas para um gato (II)
[Fonte: CD "Blues and Haikus", Jack Kerouac - com Al Cohn e Zoot Sims]
domingo, 15 de agosto de 2010
T de Tratado de Pedagogia (X)
"Sou profissional do sofrimento/ Professor do sentimento/ Do amor fui artesão// Mestre do viver já fui chamado/ Conselheiro do reinado/ Cujo rei é o coração/ Mestre do viver já fui chamado/ Conselheiro do reinado/ Cujo rei é o coração// Quebrei do peito a corrente/ Que me prendia à tristeza/ Dei nela um nó de serpente/ Ela ficou sem defesa/ Mas não fiquei mais contente/ Nem ela menos acesa// Tristeza que prende a gente/ Dói tanto quanto a que é presa/ Abre meu peito por dentro/ O amor entrou como um raio/ Saí correndo do centro/ Dentro do vento de maio/ Dentro do vento de maio"
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A de Afinidades Electivas (II)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
A de Amor (III)
Learning to read you, twenty years ago,
Over the pub lunch cheese-and-onion rolls.
Learning you eat raw onions; learning your taste
For obscurity, how you encoded teachers and classrooms
As the hands, the shop-floor; learning to hide
The sudden shining naked looks of love. And thinking
The rest of our lives, the rest of our lives
Doing perfectly ordinary things together – riding
In buses, walking in Sainsbury’s, sitting
In pubs eating cheese-and-onion rolls,
All those tomorrows. Now twenty years after,
We’ve had seventy-three hundred of them, and
(If your arithmetic’s right, and our luck) we may
Fairly reckon on seventy-three hundred more.
I hold them crammed in my arms, colossal crops
Of shining tomorrows that may never happen.
But may they! Still learning to read you.
To hear what it is you’re saying, to master the code.
domingo, 8 de agosto de 2010
H de (A) Humanidade em Agosto (IV)
sábado, 7 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
J de (O) Jardim e a Casa (III)
Then, in the garden,
The willow-tree.

P de (No) princípio (era...) IV
sábado, 31 de julho de 2010
V de Vício (III)
sexta-feira, 30 de julho de 2010
F de Férias
Conclusão, aliás feliz: Preciso de tirar umas férias. A sério.
É preciso fazer qualquer coisa contra o medo.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
quarta-feira, 28 de julho de 2010
E de Efeito borboleta
In the middle of our porridge plates
segunda-feira, 26 de julho de 2010
H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (IV)


O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela / Copenhaga (encerrado em 2007)
domingo, 25 de julho de 2010
A de À falta de mar (II)
No guardanapo,
a negro, o nome do oceano
em algum dia em algum
segmento perdido do tempo
haveria de ter o Atlântico
por detrás de uma janela
como se fosse a montra de
nenhum outro bar
onda atrás de onda
e quando soprasse a nortada
e o vidro se confundisse
com os cristais do sal
círculo ao redor do copo
o oceano era a palavra que
levava aos lábios.
João Miguel Fernandes Jorge,
Invisíveis Correntes, Lisboa: Relógio D’Água, 2004
sexta-feira, 23 de julho de 2010
F de Fazer Fotografia (XV)
pupila fechada na sua moldura
como um azulejo,
a lágrima coalhada:
no filme a luz que se deixa prender
e vela ainda
o olho de vidro
o berlinde opaco de tanto dormir.
Elisa Biagini, “Morgue”
in TELHADOS DE VIDRO 6
quarta-feira, 21 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
A de Amor em Fuga
B de Biorritmo (XXV)
Entre sombras misteriosas
em rompendo ao longe estrelas
trocaremos nossas rosas
para depois esquecê-las.
Se o meu sangue não me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana.
Partamos de flor ao peito
que o amor é como o vento
quem pára perde-lhe o jeito
e morre a todo o momento.
Se o meu sangue não me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana.
Ciganos, verdes ciganos
deixai-me com esta crença
os pecados têm vinte anos
os remorsos têm oitenta.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
T de Tratado de Pedagogia (IX)
As nuvens sobrevoaram os poemas. Os poemas desapareceram. Submersos no limbo. Ou ocultados por uma folha amarelecida, quase ao rés da terra, na floresta nocturna de repente incognoscível. Os poemas foram deslizando para o outro lado do tempo. Quem os escreveu deu-os por perdidos, dolorosamente ignorante da viagem secreta.
Os poemas desapareceram.
Contradizendo o abismo irremediável, os poemas emergiram na manhã seguinte. Cobertos de orvalho.
sábado, 17 de julho de 2010
F de Fazer Fotografia (XIV)
F de Fazer Fotografia (XIII)
Ofereceram-me uma antologia de poemas felizes*. Logo na Introdução, a organizadora questiona-se sobre até que ponto é possível pôr a felicidade por escrito. Seguem-se 101 exemplos, mas a capa é talvez a melhor prova de que se pode fixar a felicidade. Não a vou descrever; só vendo (se calhar, a felicidade não deve ser lida, tem de ser mesmo vivida/vista em primeira mão).
É curioso, porque esta semana tinha falado com dois amigos sobre porque é que fotografamos: o que é que queremos apreender? O que é que tentamos salvar? O que é que nos foge ou, em última análise, não é fotografável? Para eles, o que se fotografa é sempre, de uma maneira ou outra, a morte. A ausência. Real ou pressentida. E por isso usei o verbo salvar. A razão pela qual guardo tantas fotografias ao longo dos anos é porque quero salvar, de algum modo, todas aquelas pessoas, sítios e momentos que entretanto fui perdendo ou vendo mudar. Ao abrir um dos álbuns, recupero a minha bisavó do Algarve ou o sorriso do dia em que acabei o estágio e descobri que estava apaixonada. A felicidade até pode ser isso: saber que fotografar a morte é roubar do esquecimento, da segunda morte; prolongar esses “últimos olhos” de que falou o Borges. Às vezes, a poesia também faz o mesmo: guarda em si as ondas que partilhámos com alguém que já morreu, numa ilha já modernizada; impede que as flores plantadas provisoriamente na calçada da minha rua murchem; mantém o amor em passeio pelos caminhos da manhã.
Claro que a morte parece ganhar sempre. Nem tudo é fotografável. Há pessoas que fugiram sempre da objectiva e que agora temos medo de não conseguir recordar, fechando os olhos. Há momentos que aconteceram sem testemunhas que os fotografassem ou escrevessem – quando desci as escadas da casa da minha bisavó, carregada de livros, aos 4 anos. Há coisas que dificilmente se conseguem fotografar – o vento nas searas, borboletas a esvoaçar à nossa volta, a maior parte das coincidências (duas velas a serem acesas ao mesmo tempo, por pessoas diferentes mas com a mesma intenção). E há coisas que o tempo – a morte – se encarrega de vir novamente resgatar, como os arco-íris que o meu computador desfragmentou.
Mas depois existem pequenos milagres. O descobrir uma fotografia semelhante a uma das minhas recordações mais antigas num livro de Stanley Kubrick. E, por vezes, quando chego a casa e passo as fotografias para o ecrã/papel, surpreender-me com o pássaro que se atravessou em pleno céu, a sombra ou o reflexo que conseguimos captar, a esperança que doía por resistir à realidade de uma cadeira de rodas para venda e de um bando de cães abandonados num sítio em ruínas. O suficiente para, por instantes, vencer a morte, suportar a vida e estar, um pouco, feliz.
* Heaven on Earth: 101 Happy Poems (Faber and Faber)
quinta-feira, 15 de julho de 2010
O de "Onde se lê amor"
E a música. A música, atravessando, diagonal ininterrupta, as salas todas. Atravessando o corredor, muito longo. Com seus segredos.
B de Biorritmo (XXIVc)
E outra versão ainda:
"Como és mejor el verso aquel/ que no podemos recordar." (Letra de Homero Expósito)
quarta-feira, 14 de julho de 2010
A de À falta de mar...
terça-feira, 13 de julho de 2010
M de Museu Imaginário (VII)
Vilhelm Hammershøi, "Interior with Young Man Reading", 1898 (Hirschsprung/Copenhaga)
domingo, 11 de julho de 2010
B de Biorritmo (XXIII)
"[…] Nina,/ no llorés, mordete los ojos,/ cachame las manos bien fuerte,/ si viene la muerte, mangala:/ que pague, de prepo y de a uno/ los días felices que debe. […]"
Horacio Ferrer
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
B de Biorritmo (XXII)
MORGEN
Música: Richard Strauss
Texto: John Henry Mackay
Elisabeth Schwarzkopf, Soprano / LSO, George Szell
Und morgen wird die Sonne wieder scheinen,/und auf dem Wege, den ich gehen werde,/ wird uns, die Glücklichen, sie wieder einen/ inmitten dieser sonnenatmenden Erde...// Und zu dem Strand, dem weiten, wogenblauen,/ werden wir still und langsam niedersteigen,/ stumm werden wir uns in die Augen schauen,/und auf uns sinkt des Glückes stummes Schweigen...
[And tomorrow the sun will shine again/ And on the path that I shall take/ It will reunite us, the blessed ones,/In the midst of this world that breathes in the sun...// And to the broad shore, lapped by blue waves,/ We shall quietly and slowly climb down,/ Silently we shall look into each other's eyes/ While upon us descends the silence of true bliss...]
sexta-feira, 2 de julho de 2010
D de "deve ser/ com certeza um sítio muito triste" (II)
Envio-te o meu gato negro com um colar de violetas
- Último gesto deste dia de Inverno.
Não perturbar os pequenos barcos ao longe
- Meu ir conventual pensar de flores.
Não perturbar o fumo do cigarro
- Pousado no silêncio.
sábado, 26 de junho de 2010
C de Carrosséis (IX)
"[...] I have seen things that I can't explain/ Looking through windows, feeling the same/ I have seen moments I'd like to share [...]"
quarta-feira, 23 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
M de Museu Imaginário (VI)
Collier Schorr, "Arrangement # 21 (Geraniums)" in GERMAN FACES (exposição temporária no Museu Colecção Berardo)
T de Tratado de Pedagogia (VI)
Escrevam o que queiram.
No estilo que lhes pareça melhor.
Passou demasiado sangue sob as pontes
para continuar-se a crer
que possa seguir-se um só caminho.
Em poesia tudo é permitido.
Com a condição expressa
é evidente
de superar-se o papel em branco.
Nicanor Parra
(tradução de Jorge de Sena)
retirado daqui.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
B de Biorritmo (XX)
Nacho Whisky
Las heridas y los sueños
se citaron una noche.
Nadie sabía la hora,
nadie sabía el lugar.
Las cargaban en el alma
tres hombres del tiempo de antes
que se fueron por la vida
apuntando a la razón.
La calesita* del tiempo
les devolvió la sortija.
Uno contaba del oso,
el otro habló del camello
y el tercero dió jirafa
porque apuntaba hacia el cielo
y se tomaron el vino
de la revancha final.
Las lágrimas se escondieron
por honor y por mentira
y en la arruga del pasado
les floreció el corazón.
Y la aguja perforada
del obelisco porteño
les remendó las miradas
y el dolor se iluminó.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
M de Mesa de Amigos (III)
quarta-feira, 16 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
P de (No) princípio (era...) IV
O princípio de um dos meus filmes preferidos de sempre:
C'est l'histoire d'un homme qui tombe d'un immeuble de 50 étages. Le mec, au fur et à mesure de sa chute, il se répète sans cesse pour se rassurer:
"Jusqu'ici, tout va bien."
"Jusqu'ici, tout va bien."
"Jusqu'ici, tout va bien."
Mais l'important, c'est pas la chute. C'est l'atterrissage...
sábado, 12 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
J de (O) Jardim e a Casa
Porto/Junho 2010
Sophia de Mello Breyner Andresen, O Rapaz de Bronze
quinta-feira, 3 de junho de 2010
M de Morte (II)
Quando morrermos,
não haverá divisões, nem fronteiras, nem estatutos.
Haverá, quando muito, um nome.
[tu sabias, querida Emily,
tu sabias quando disseste
“forever – is composed of nows –“]
Haverá valas comuns, túmulos
opulentos, gente que chorará a partida
de alguns, ignorando a vida de outros.
Quando eu morrer,
enterrem o caixão longe do meu corpo.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
V de Viagens (IV)
Levantou-se e saiu
ainda gotejante.
Tinha uma mala de viagem à espera
e um caderno de pequenos textos
onde colara durante intervalos estáveis
recortes de películas a preto-e-branco.
Na mala, faltavam algumas
peças de roupa essenciais;
no caderno de pequenos textos,
finais plenos.
No entanto, era óbvio para ela
que bastavam aqueles dois utensílios
para suportar o peso inconstante
da felicidade ou do infortúnio
e que neles caberia o volume incerto
de qualquer aventura.
terça-feira, 25 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
P de Primavera (XII)
I de Inverness (II)
Onze horas: a tua mão adormecida marca
agora um conto de Karen Blixen
– veremos em breve essa casa cinzenta,
em Helsingør – enquanto eu ouço uma sonata
de Scarlatti tocada por Scott Ross
e sei que também isso ficarei a dever à Dinamarca.
Apontamentos culturais? Podem até chamar-lhes
assim, ignorando a áspera nudez da voz,
o grito comum que viemos suspender aqui.
Lá em baixo, por exemplo, os funcionários do
restaurante, terminado o serviço, abrem
a terceira garrafa de champanhe e fumam
ruidosamente, como se amanhã não existisse.
A questão, no fundo, é apenas esta: há momentos
em que a vida nos parece quase bela,
escolhos onde embatem as mais íntimas certezas.
Talvez adormeçamos lado a lado,
de costas para a morte, e haja corsários ao fundo,
um mar de gelo protegendo-nos da noite.
T de Tratado de Pedagogia (V)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
M de Museu Imaginário (V)
Francisco de Goya, "Riña de gatos", 1786-88 (Museo Nacional del Prado)
Jardim Bordallo Pinheiro/Museu da Cidade (15 Maio 2010)
sábado, 15 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
P de Primavera (XI)
estremeço desde o princípio do meu rosto
desde o momento em que sorri e me sorriram
e é nesse lugar ínfimo que suspendo todas as palavras
que fecho os olhos e sinto a frescura de todas as águas
o oceano que cessa e atende o esvoaçar da primavera
é a primeira primavera de todos os outonos
é aqui que em silêncio se bordam os calendários
dias entre dias e sobre dias e as memórias que escapam
e não mais se alcançam se não nos tornarmos menores
- no futuro não há edquecimento nem segredos
cada coração guarda apenas o que for mais comum.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar"
Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.
sábado, 8 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
B de BIOGRAFIA, de David Teles Pereira (Língua Morta, 2010)
Há dias em que não penso uma só palavra
que queira dizer-te, dias em que as fronteiras entre os homens
se encontram permanentemente abertas ao estreitar de mãos,
como laços de gravata a fecharem-se sobre o colarinho da camisa.
Não penso sequer na tua nuvem a morrer todos os dias à minha porta,
mas diz-me, diz-me afinal de contas tudo o que quiseres.
É que eu, eu passei demasiado tempo na tua pele,
a sonhar os gregos com intenções de cerâmica e laser,
e agora é Outono a caminho do teu rosto,
resta-me passar a rua pelos olhos, pedir café e uma amostra de cinema [datado,
tal como a originalidade da nossa história,
entregue a amanuenses talentosos na hora de nos ortografar bem.














