quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
M de Museu Imaginário (Vb)
O de Outono
TEMPO SEM TEMPO
(Mario Benedetti)
Preciso de tempo necessito desse tempo
que outros deixam abandonado
porque lhes sobra ou já não sabem
que fazer com ele
tempo
em branco
em vermelho
em verde
até em castanho escuro
não me importa a cor
cândido tempo
que eu possa abrir
e fechar
como uma porta
Tempo para olhar uma árvore um farol
para andar pelo fio do descanso
para pensar que ainda bem que hoje não é Inverno
para morrer um pouco
e nascer em seguida
e dar-me conta
e dar-me corda
preciso do tempo necessário para
chapinhar umas horas na vida
e para investigar por que estou triste
e acostumar-me ao meu esqueleto antigo
Tempo para esconder-me no canto de um galo
e reaparecer num relincho
e para estar em dia
e para estar em noite
tempo sem recato e sem relógio
Que o mesmo é dizer preciso
ou seja necessito
digamos que me faz falta
tempo sem tempo.
Versão de Miguel Martins
in Proibida a entrada a animais (excepto cães-guia), Língua Morta
(Mario Benedetti)
Preciso de tempo necessito desse tempo
que outros deixam abandonado
porque lhes sobra ou já não sabem
que fazer com ele
tempo
em branco
em vermelho
em verde
até em castanho escuro
não me importa a cor
cândido tempo
que eu possa abrir
e fechar
como uma porta
Tempo para olhar uma árvore um farol
para andar pelo fio do descanso
para pensar que ainda bem que hoje não é Inverno
para morrer um pouco
e nascer em seguida
e dar-me conta
e dar-me corda
preciso do tempo necessário para
chapinhar umas horas na vida
e para investigar por que estou triste
e acostumar-me ao meu esqueleto antigo
Tempo para esconder-me no canto de um galo
e reaparecer num relincho
e para estar em dia
e para estar em noite
tempo sem recato e sem relógio
Que o mesmo é dizer preciso
ou seja necessito
digamos que me faz falta
tempo sem tempo.
Versão de Miguel Martins
in Proibida a entrada a animais (excepto cães-guia), Língua Morta
terça-feira, 28 de setembro de 2010
P de (Um Ano de) Pássaros (XI)
QUADRO COM PÁSSAROS
O muro é, deste lado, escuro e triste,
tal como acontecia naquele conto
que um dia te expliquei. Se fosse verdade, hoje
todos os pássaros pintados por ti
estariam à tua espera do outro lado
cantando para ti: a parte clara
de que falava o conto
iria acolher-te como eu e a tua mãe
se pudesses um dia regressar a casa.
Enquanto conto a mim mesmo a história,
vejo os últimos pássaros que pintaste.
Aqui, no lado sombrio deste muro,
de que forma poderia pagar a ilusão
de sentir-te na brisa de um instante?
O muro é, deste lado, escuro e triste,
tal como acontecia naquele conto
que um dia te expliquei. Se fosse verdade, hoje
todos os pássaros pintados por ti
estariam à tua espera do outro lado
cantando para ti: a parte clara
de que falava o conto
iria acolher-te como eu e a tua mãe
se pudesses um dia regressar a casa.
Enquanto conto a mim mesmo a história,
vejo os últimos pássaros que pintaste.
Aqui, no lado sombrio deste muro,
de que forma poderia pagar a ilusão
de sentir-te na brisa de um instante?
Joan Margarit, Joana (Ediciones Hiperíon)
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
S de Self
"She was not to talk with, she was not to cook, she was not to produce children. She was not to knit sweaters, to write plays, to dig ditches, to sing songs."
Lawrence Block, The Canceled Czech
domingo, 26 de setembro de 2010
F de Fazer fotografia (XVIII)
A "fotografia pendurada na parede" do poema de Joan Margarit:
Xavier Miserachs, "Passeig de Gràcia", 1962
sábado, 25 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
P de (Um Ano de) Pássaros (IX)
É na axila que um pássaro se aninha
e toma carne e febre,
cantando o trabalho paciente
do sonho e da melancolia.
Pássaro num outro espaço,
para onde nos vão desejos e poemas...
Eu te saúdo, pássaro de branca neve e papoila viva,
ao pé do bebedouro e do espinheiro.
Pássaro: casa pequena de ossos
espalhados no alvoroço de ventos e marés...
- Jacques Izoard
(tradução colectiva - Poetas em Mateus)
in Jardins mínimos e outros poemas, Quetzal - 1994
e toma carne e febre,
cantando o trabalho paciente
do sonho e da melancolia.
Pássaro num outro espaço,
para onde nos vão desejos e poemas...
Eu te saúdo, pássaro de branca neve e papoila viva,
ao pé do bebedouro e do espinheiro.
Pássaro: casa pequena de ossos
espalhados no alvoroço de ventos e marés...
- Jacques Izoard
(tradução colectiva - Poetas em Mateus)
in Jardins mínimos e outros poemas, Quetzal - 1994
domingo, 19 de setembro de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)


