quinta-feira, 4 de novembro de 2010

R de Regresso ao trabalho (V)

"Doenças do trabalho. Um problema político de primeira importância. Hoje em dia, uma grande percentagem dos empregos faz mal às pessoas."

W. H. Auden, O Prolífico e o Devorador, Lisboa: &etc, 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

P de (Dois Anos de) Pássaros (II)

A Raposa (Sintra), 01/11/10

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O de Outono (VI)

Vou subindo por uma escarpa
Que vai ter à mansão divina.
Em cada corda da minha harpa
Canta uma estrela vespertina.

Em meio de luzes tantas,
Que sempre refulgirão,
Vejo astros às minhas plantas
E colho estrelas com a mão.

Quantos sublimes resplandores
Cintilam castos no meu peito!
São os responsos precursores
Da paz do meu último leito.

Minh’alma é árvore deserta
Que o Outono vem desfolhar.
Quando o sonho me desperta,
No meu peito canta o luar…

O Inverno passa, a primavera
Esconde-se entre alas de lírios:
Mas a minh’alma sempre espera
Dores novas, novos martírios.

Tudo me é sonoro e suave:
Emperolado de sol,
Bate as suas asas de ave
No meu peito de rouxinol.

As minhas ilusões são rosas
Esfolhadas por mãos celestes;
São como brisas silenciosas
Entre alamedas de ciprestes.

No campanário onde me acho,
Entre cítaras de luar,
Contemplo a lua debaixo
Da minh’alma, a soluçar…


ALPHONSUS DE GUIMARAENS

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

L de Levantar a cabeça (IV)

Sintra, 31/10/10

D de Dia de los Muertos (II)


Carlo Farneti
(ilustração para uma edição de Les Fleurs du Mal, 1935)

sábado, 30 de outubro de 2010

M de (O) Mistério da Estrada de Sintra (II)

[Sintra/Outubro 09 - e hoje, amanhã e depois de amanhã]

B de Biorritmo (XXXVIII)


"[...]
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida
[...]"

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

P de (Um Ano de) Pássaros (XVIII)

A ÚLTIMA NOITE DA TERRA


O melro de todos os anos voltou a visitar a minha casa
mas eu permaneço aqui.
A sua música não muda, já o escrevi.
No entanto o meu trabalho é constatar o óbvio
e isso é o que o melro me vem recordar.
O tempo passa, as pessoas envelhecem, morrem
pela sua própria mão ou com ajuda.
As palavras vão descendo pelo escoadouro
do que alguém chamou a intra-história.
Tudo flui e perde-se, os rios no mar,
o mar na imensidão inabarcável do cosmos,
o cosmos no nada de onde não deveria ter saído.
Entretanto vamos dando às teclas.
Um tamborilar contra séculos de morte programada
e um futuro de certeira incerteza.
Um batalhão de patéticos amanuenses do esquecimento
exigindo duas camisas para o caminho até ao patíbulo.
O frio não é porém o problema, antes o medo.
E é o melro, na sua ignorância, quem conhece a verdade.
Cumpre sem a mínima estridência
o ritual que a biologia lhe impôs.
E de súbito morrerá. Sem epitáfios, como este,
que hão-de desfazer-se com uma careta indiferente
entre as chamas da última noite da Terra,
quando já ninguém reconhecerá qualquer significado,
se é que algo alguma vez teve significado.


Roger Wolfe
in CRIATURA nº5
(tradução de Luís Filipe Parrado)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A de Alegoria da Cave

FEIRA DO LIVRO - EDIÇÕES AVERNO

Livros manuseados a 2 euros

28 Outubro (5ªf), a partir das 22h30,
BAR NA CAVE
(R. Imprensa Nacional, 116b, cave do restaurante BS)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

E de Efeito Borboleta (IV)

"Borboletas na Criatura II"
(foto de SF)

F de Fazer Fotografia (XXIII)

III

O meu poema é uma écloga
fechada num quarto cheio de borboletas
e esta mulher sólida e pacífica
que modela no lume esculturas frias

O meu poema não é um poema
mas apenas transposição de ver,
por exemplo, agora, o espanhol que viaja há três anos
a dormir em cemitérios
O meu poema é olhar,
velar a técnica,
fotografar as mãos para acender a luz

Um dia serei eu próprio o meu poema
com dentes de perdiz em tempo de caça
fugitivo
sensitivo
procurador
extintor de sono

Muhammad Abdur Rashid Ashraf (António Barahona)
in Criatura, nº 5

domingo, 24 de outubro de 2010

E de Efeito Borboleta (III)

Shel Silverstein, The Missing Piece (1976) -
vale a pena ler a história toda.

O de Outono (V)

Andre Kertesz, "Woman reading in leaf falling woods", 1931

F de Fazer Fotografia (XXII)

CLICHÉ


Não é que seja o momento para trocar
cartões-de-visita. José Maria da Silva,
fotógrafo profissional com estúdio em Lisboa,
tem por hábito mudar-se para a vila da Ericeira
na época balnear. Ainda está por aqui

no dia 5 de Outubro. Um notável testemunho
(gelatina e sais de prata, memória pronta e fiel)
que, com sorte, há-de chegar à Ilustração
Portuguesa. Além disso, uma kodak não tropeça
em estrangeirismos, ornatos de sabor clássico,
no jeito francês da frase, nos defeitos da sintaxe.

José Maria da Silva, fotógrafo profissional,
passa o resto da tarde com um nervoso
miudinho. Até revelar as chapas. Olhem bem
para estas caras, estas formas do passado. Nada mau
para seres humanos. Pode dizer-se que sim.

Vítor Nogueira, Quem diremos nós que viva? (Averno)

sábado, 23 de outubro de 2010

M de Museu Imaginário (XIV)


Adolf Hoffmeister, 1959
(ilustração para A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne)

M de Museu Imaginário (XIII)


Domenico Gnoli (1969)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O de Outono (III)

Para o Mané,
que tem de ensinar aos pobres adultos
onde é que as folhas das árvores estão durante o Outono
Egon Schiele, "Árvores de Outono" (1911)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

C de Complicadíssima Teia


Le Journal de Jules Renard lu par Fred
(1988)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

E de Espinhas para um gato (III)



Rui Caeiro, Gatos e Homens, Livraria Artes e Letras
(desenhos de Bárbara Assis Pacheco)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

P de (Um Ano de) Pássaros (XVII)


Masao Yamamoto
[Obrigada, Daniela]