terça-feira, 19 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
S de Solidão (ou C de Comunidade) IV
Mas hoje ainda é domingo, ainda é manhã escura em que poderei continuar a ser terna com quem está aqui na casa, sem necessária aparência de homem, e com raro espírito de ver.
Assírio & Alvim, p.146
sábado, 16 de outubro de 2010
B de Biorritmo (XXXVII)
"[...] I'll love you 'til the bluebells/ Forget to bloom/ I'll love you 'til the clover/ Has lost it's perfume/ And I'll love you 'til the poets/ Run out of rhyme."
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
M de Museu Imaginário (XIb)
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
P de (Um Ano de) Pássaros (XIV)
Que não aprove inteiramente os seus
Costumes. Ave proletária,
Nidifica em recessos e buracos, suja tudo
E por vezes deixa os ovos
Onde calha – no relvado da frente, por exemplo.
Ele julga que também sabe cantar. Na Primavera
Estão em todos os telhados, nos altos ramos
Ou nos postes telegráficos, num chinfrim
De notas dissonantes, repetindo os clichés
Dos outros melodistas.
Mas vai a Trafalgar Square
E demora-te, pela tardinha, nos degraus da
igreja de St. Martin;
Vê-os, lá no alto,
Os estorninhos, antes do recolher, numa revoada –
Centenas deles, a girar,
A pairar, a dançar, e todo o sonoro bando
Volteia como um único pássaro: uma imagem
Intuída da cidade.
in On Wings of Song, Everyman’s Library, 2000.
[Tradução de RPC]
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
S de Sete rosas mais tarde
Pertencem-lhe a sua folha e o seu espinho.
A esse põe ela a luz no prato,
com o seu sopro enche-lhe os copos,
só para ele sussurram as sombras do amor.
Quem arranca de noite o coração do peito e o arremessa ao alto:
não falha o alvo,
apedreja a pedra,
a esse bate-lhe o sangue fora do relógio,
o tempo faz-lhe soar na mão a sua hora:
pode brincar com bolas mais bonitas
e falar de ti e de mim.
sábado, 9 de outubro de 2010
S de S.T.T.L.
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, que não, que ao menos não me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela
a paixão grega
- Herberto Helder
in A faca não corta o fogo, Assírio & Alvim
AQUI
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
P de (The) Privacy of Rain (IV)
[Aconselha-se o visionamento das 4 partes seguidas, para ajudar a chuva a passar.]
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
B de Biorritmo (XXXV)
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
O de Outono (II)
domingo, 3 de outubro de 2010
H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (VII)
Um dos meus programas preferidos sobre cozinha:
A de Amor (V)
[Recomenda-se, em nota de rodapé, o documentário que Cédric Klapisch realizou sobre Aurélie Dupont e sobre a dança e a arte em geral e a busca da perfeição e a beleza e o ir mais longe e o entregar-se aos outros e... Chama-se "L'espace d'un instant". Eu também já fui assim; às vezes ainda me sinto assim, felizmente.]
T de Tratado de Pedagogia (XIII)

[…]
Outros, terão pago o luxo do alfabeto num bonito jardim-escola
Com jovens educadoras de infância muito viris e velhas doces
Entre o espanto de haver tantos meninos e o seu temor.
Vejam eu: encontrei o alfabeto na sopa. Em cada domingo
No jantar que se chamava ceia e identificava o domingo
A avó Tina, como num teatro, vinha do fundo da imensa cozinha
Altíssima e misteriosa no branco mágico de todos os dentes
Com o andar pautado de uma cerimónia bem estabelecida
E depunha ao centro da comprida mesa de trez tábuas de pinho
A terrina do pato branco grasnando de bico para mim.
Água, sal, um dente de alho, uma unha de banha, massinha de letras.
A receita mais sóbria para a única sopa sem odor.
O alho era tic apenas, uma vénia à rotina, uma malícia.
Era e não era uma sopa. Era uma iniciação à teoria extreme da forma.
Ao domingo, isto é, nesta sopa, a malga costumeira
Cuja borda estava no horizonte semanal do meu nariz
Dispunha a saia em roda como uma mulher de Buarcos
Virava prato de borda larga, côvo ranço do horizonte
E sobre ele descia a nave brilhante dos prodígios
Lenta como uma coisa com motor, não como se caísse.
A avó, de pé, servia-me a primeira e derradeira concha.
Sem sombra sem som sólida suave sem um salpico
A sopa decorria no prato roubando-lhe o fundo
Onde a maranha de sinais surgia subindo do poço
Prolongado desde mim até ao mais longe de mim
Num ponto que não acabava, nunca acaba, no sítio impossível
Onde origem e fim é igual, no lugar que persigo quando prossigo.
Claro que convenho: pedagogia versus didáctica!
Mas permanece a diferença e a diferença embaraça.
[…]
O que é a escrita? Arpoar baleias? Petiscar enfados?
Brincar laboriosamente com letras na borda do prato?
O aceitar regras transgredindo regras, criar regras
Recusar tudo no aceitar de tudo mas intervindo sempre
Com uma colher de obstinação, duas colheres de fome,
Trez colheres de desdéns?
sábado, 2 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
M de Museu Imaginário (Vb)
O de Outono
(Mario Benedetti)
Preciso de tempo necessito desse tempo
que outros deixam abandonado
porque lhes sobra ou já não sabem
que fazer com ele
tempo
em branco
em vermelho
em verde
até em castanho escuro
não me importa a cor
cândido tempo
que eu possa abrir
e fechar
como uma porta
Tempo para olhar uma árvore um farol
para andar pelo fio do descanso
para pensar que ainda bem que hoje não é Inverno
para morrer um pouco
e nascer em seguida
e dar-me conta
e dar-me corda
preciso do tempo necessário para
chapinhar umas horas na vida
e para investigar por que estou triste
e acostumar-me ao meu esqueleto antigo
Tempo para esconder-me no canto de um galo
e reaparecer num relincho
e para estar em dia
e para estar em noite
tempo sem recato e sem relógio
Que o mesmo é dizer preciso
ou seja necessito
digamos que me faz falta
tempo sem tempo.
Versão de Miguel Martins
in Proibida a entrada a animais (excepto cães-guia), Língua Morta
terça-feira, 28 de setembro de 2010
P de (Um Ano de) Pássaros (XI)
O muro é, deste lado, escuro e triste,
tal como acontecia naquele conto
que um dia te expliquei. Se fosse verdade, hoje
todos os pássaros pintados por ti
estariam à tua espera do outro lado
cantando para ti: a parte clara
de que falava o conto
iria acolher-te como eu e a tua mãe
se pudesses um dia regressar a casa.
Enquanto conto a mim mesmo a história,
vejo os últimos pássaros que pintaste.
Aqui, no lado sombrio deste muro,
de que forma poderia pagar a ilusão
de sentir-te na brisa de um instante?
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
S de Self
domingo, 26 de setembro de 2010
F de Fazer fotografia (XVIII)
Xavier Miserachs, "Passeig de Gràcia", 1962
sábado, 25 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
P de (Um Ano de) Pássaros (IX)
e toma carne e febre,
cantando o trabalho paciente
do sonho e da melancolia.
Pássaro num outro espaço,
para onde nos vão desejos e poemas...
Eu te saúdo, pássaro de branca neve e papoila viva,
ao pé do bebedouro e do espinheiro.
Pássaro: casa pequena de ossos
espalhados no alvoroço de ventos e marés...
- Jacques Izoard
(tradução colectiva - Poetas em Mateus)
in Jardins mínimos e outros poemas, Quetzal - 1994
domingo, 19 de setembro de 2010
F de Futebol (II)
B de Biorritmo (XXXI)
Para os amigos que provaram uma vez mais que - diga o Rilke o que disser - às vezes nos podemos encontrar na mesma ilha.
sábado, 18 de setembro de 2010
S de Solidão (ou C de Comunidade)
Et l’art n’a rien fait sinon nous montrer le trouble dans lequel nous sommes la plupart du temps. Il nous a inquietés, au lieu de nous rendre silencieux et calmes. Il a prouvé que nous vivons chacun sur son île ; seulement les îles ne sont pas assez distantes pour qu’on y vive solitaire et tranquille. L’un peut déranger l’autre, ou l’effrayer, ou le pourchasser avec un javelot – seulement personne ne peut aider personne.
XII
De l’île à île, il n’y a qu’une possibilité : de dangereux sauts où l’on risque plus que ses jambes. Cela donne un éternel va-et-vient bondissant, fait de hasards et de ridicules ; car il arrive qu’ils soient deux à sauter en même temps l’un vers l’autre, si bien qu’ils ne se rencontrent qu’en air, et qu’après ce pénible échange ils se retrouvent tout aussi loin – l’un de l’autre – qu’auparavant.
Éditions Allia (que tem um dos mais bonitos catálogos de grandes livros pequeninos )
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
E de (Uma Outra) Educação
Por culpa do Vasco Granja, esta série de desenhos animados foi determinante na minha formação:
B de Biorritmo (XXIVd)
E como é que me foi escapar esta versão... Há músicas que conseguem salvar um dia, sobretudo com a ajuda da chuva lá fora.
B de BIOGRAFIA, de José Amaro Dionísio (TELHADOS DE VIDRO, nº14)
"O coração é uma arte difícil. Mas tudo o resto é a crédito."
terça-feira, 14 de setembro de 2010
R de Regresso ao trabalho (IV)
"O medo do aborrecimento é a única desculpa para trabalharmos."
"Se a preguiça nos faz infelizes, tem o mesmo valor que o trabalho."
Jules Renard, excertos do Diário (1887-1910) in Telhados de Vidro, nº14 (trad. José Miguel Silva), Averno
domingo, 12 de setembro de 2010
J de (O) Jardim e a Casa (IV)
E de Efeito Borboleta (II)
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A de Amor (IV)
O amor não é um símbolo.
O amor não é natural.
O amor não é felicidade.
O amor não é sofrimento.
O amor é uma arte mágica.
O amor é a indiferença absoluta






















