sábado, 20 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
G de Gostava de ter sido eu a tirar esta fotografia (II)
com a iluminação pública
as sombras dos choupos
nas cortinas das janelas
da minha sala
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
E de Estado de espírito (II)
Hospes comesque corporis,
Quae nunc abibis in loca
Pallidula, rigida, nudula,
Nec, ut soles, dabis iocos...
P. Elius Hadrianus, Imp.
sábado, 13 de novembro de 2010
S de Sino da minha aldeia (III)
Eu sei que é um xilofone, mas parecem quase sininhos e dão-me sempre vontade de dançar.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
B de Biorritmo (XL)
"[...] Nothing's ever as it seems/ Climb the ladder to your dreams/ If I die before you wake/ Don't you cry, don't you weep/ Nothing's ever yours to keep/ Close your eyes; go to sleep"
R de Regresso ao trabalho (VI)
gostava de descansar!
De poisar os meus olhos sobre outros…
descansar!
sobre outros de qualquer cor
e tamanho…
E, também, de escrever
com amabilíssima calma,
perfeita tranquilidade.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
S de Sino da minha aldeia (II)
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
P de (Dois Anos de) Pássaros (V)
[Para a Renata, este filme de que sempre gostei e que começa justamente com um pássaro a ser salvo junto ao mar. Ela sabe porquê.]
domingo, 7 de novembro de 2010
S de Solidão (ou C de Comunidade) V
Mais il y a d'autres mots qui libèrent, et on ne comprend pas pourquoi. Ne sont-ils pas les mêmes ? Ne sont-ils pas, eux aussi, du langage des hommes . Ils arrivent facilement, sans qu'on les cherche, ils sont légers, ils ne veulent rien, ils n'écrasent pas. Des mots aériens, suspendus sur le ciel blanc en escadres immobiles. C'est eux que l'on perçoit à présent, rien qu'eux. Comment un tel langage a-t-il pu s'inventer. On aimerait croire que c'est un mirage, un hasard, et pourtant on sait bien (à cause justement de tous les mots du langage lourd) que ce n'est pas une coïncidence. La musique ne trouble que la musique, et les mots d'Iniji retrouvent au fond de vous leur propre image, comme survolant un grand lac immobile.
Le poème est venu de loin, comme cela, calmement, avec ses gestes, avec sa vie, pour vous retrouver.
sábado, 6 de novembro de 2010
P de (Dois Anos de) Pássaros (III)
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
T de Tratado de Pedagogia (XV)
Let not young souls be smothered out before
They do quaint deeds and fully flaunt their pride.
It is the world's one crime its babes grow dull,
Its poor are ox-like, limp and leaden-eyed.
Not that they starve; but starve so dreamlessly,
Not that they sow, but that they seldom reap,
Not that they serve, but have no gods to serve,
Not that they die, but that they die like sheep.
R de Regresso ao trabalho (V)
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
O de Outono (VI)
Que vai ter à mansão divina.
Em cada corda da minha harpa
Canta uma estrela vespertina.
Em meio de luzes tantas,
Que sempre refulgirão,
Vejo astros às minhas plantas
E colho estrelas com a mão.
Quantos sublimes resplandores
Cintilam castos no meu peito!
São os responsos precursores
Da paz do meu último leito.
Minh’alma é árvore deserta
Que o Outono vem desfolhar.
Quando o sonho me desperta,
No meu peito canta o luar…
O Inverno passa, a primavera
Esconde-se entre alas de lírios:
Mas a minh’alma sempre espera
Dores novas, novos martírios.
Tudo me é sonoro e suave:
Emperolado de sol,
Bate as suas asas de ave
No meu peito de rouxinol.
As minhas ilusões são rosas
Esfolhadas por mãos celestes;
São como brisas silenciosas
Entre alamedas de ciprestes.
No campanário onde me acho,
Entre cítaras de luar,
Contemplo a lua debaixo
Da minh’alma, a soluçar…
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
B de Biorritmo (XXXVIII)
"[...]
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida
[...]"
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
P de (Um Ano de) Pássaros (XVIII)
O melro de todos os anos voltou a visitar a minha casa
mas eu permaneço aqui.
A sua música não muda, já o escrevi.
No entanto o meu trabalho é constatar o óbvio
e isso é o que o melro me vem recordar.
O tempo passa, as pessoas envelhecem, morrem
pela sua própria mão ou com ajuda.
As palavras vão descendo pelo escoadouro
do que alguém chamou a intra-história.
Tudo flui e perde-se, os rios no mar,
o mar na imensidão inabarcável do cosmos,
o cosmos no nada de onde não deveria ter saído.
Entretanto vamos dando às teclas.
Um tamborilar contra séculos de morte programada
e um futuro de certeira incerteza.
Um batalhão de patéticos amanuenses do esquecimento
exigindo duas camisas para o caminho até ao patíbulo.
O frio não é porém o problema, antes o medo.
E é o melro, na sua ignorância, quem conhece a verdade.
Cumpre sem a mínima estridência
o ritual que a biologia lhe impôs.
E de súbito morrerá. Sem epitáfios, como este,
que hão-de desfazer-se com uma careta indiferente
entre as chamas da última noite da Terra,
quando já ninguém reconhecerá qualquer significado,
se é que algo alguma vez teve significado.
in CRIATURA nº5
(tradução de Luís Filipe Parrado)
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
A de Alegoria da Cave
terça-feira, 26 de outubro de 2010
F de Fazer Fotografia (XXIII)
O meu poema é uma écloga
fechada num quarto cheio de borboletas
e esta mulher sólida e pacífica
que modela no lume esculturas frias
O meu poema não é um poema
mas apenas transposição de ver,
por exemplo, agora, o espanhol que viaja há três anos
a dormir em cemitérios
O meu poema é olhar,
velar a técnica,
fotografar as mãos para acender a luz
Um dia serei eu próprio o meu poema
com dentes de perdiz em tempo de caça
fugitivo
sensitivo
procurador
extintor de sono
Muhammad Abdur Rashid Ashraf (António Barahona)
in Criatura, nº 5
domingo, 24 de outubro de 2010
F de Fazer Fotografia (XXII)
Não é que seja o momento para trocar
cartões-de-visita. José Maria da Silva,
fotógrafo profissional com estúdio em Lisboa,
tem por hábito mudar-se para a vila da Ericeira
na época balnear. Ainda está por aqui
no dia 5 de Outubro. Um notável testemunho
(gelatina e sais de prata, memória pronta e fiel)
que, com sorte, há-de chegar à Ilustração
Portuguesa. Além disso, uma kodak não tropeça
em estrangeirismos, ornatos de sabor clássico,
no jeito francês da frase, nos defeitos da sintaxe.
José Maria da Silva, fotógrafo profissional,
passa o resto da tarde com um nervoso
miudinho. Até revelar as chapas. Olhem bem
para estas caras, estas formas do passado. Nada mau
para seres humanos. Pode dizer-se que sim.
sábado, 23 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O de Outono (III)
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
S de Solidão (ou C de Comunidade) IV
Mas hoje ainda é domingo, ainda é manhã escura em que poderei continuar a ser terna com quem está aqui na casa, sem necessária aparência de homem, e com raro espírito de ver.
Assírio & Alvim, p.146
sábado, 16 de outubro de 2010
B de Biorritmo (XXXVII)
"[...] I'll love you 'til the bluebells/ Forget to bloom/ I'll love you 'til the clover/ Has lost it's perfume/ And I'll love you 'til the poets/ Run out of rhyme."
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
M de Museu Imaginário (XIb)
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
P de (Um Ano de) Pássaros (XIV)
Que não aprove inteiramente os seus
Costumes. Ave proletária,
Nidifica em recessos e buracos, suja tudo
E por vezes deixa os ovos
Onde calha – no relvado da frente, por exemplo.
Ele julga que também sabe cantar. Na Primavera
Estão em todos os telhados, nos altos ramos
Ou nos postes telegráficos, num chinfrim
De notas dissonantes, repetindo os clichés
Dos outros melodistas.
Mas vai a Trafalgar Square
E demora-te, pela tardinha, nos degraus da
igreja de St. Martin;
Vê-os, lá no alto,
Os estorninhos, antes do recolher, numa revoada –
Centenas deles, a girar,
A pairar, a dançar, e todo o sonoro bando
Volteia como um único pássaro: uma imagem
Intuída da cidade.
in On Wings of Song, Everyman’s Library, 2000.
[Tradução de RPC]
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
S de Sete rosas mais tarde
Pertencem-lhe a sua folha e o seu espinho.
A esse põe ela a luz no prato,
com o seu sopro enche-lhe os copos,
só para ele sussurram as sombras do amor.
Quem arranca de noite o coração do peito e o arremessa ao alto:
não falha o alvo,
apedreja a pedra,
a esse bate-lhe o sangue fora do relógio,
o tempo faz-lhe soar na mão a sua hora:
pode brincar com bolas mais bonitas
e falar de ti e de mim.
sábado, 9 de outubro de 2010
S de S.T.T.L.
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, que não, que ao menos não me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela
a paixão grega
- Herberto Helder
in A faca não corta o fogo, Assírio & Alvim
AQUI
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
P de (The) Privacy of Rain (IV)
[Aconselha-se o visionamento das 4 partes seguidas, para ajudar a chuva a passar.]
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
B de Biorritmo (XXXV)
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
O de Outono (II)
domingo, 3 de outubro de 2010
H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (VII)
Um dos meus programas preferidos sobre cozinha:
A de Amor (V)
[Recomenda-se, em nota de rodapé, o documentário que Cédric Klapisch realizou sobre Aurélie Dupont e sobre a dança e a arte em geral e a busca da perfeição e a beleza e o ir mais longe e o entregar-se aos outros e... Chama-se "L'espace d'un instant". Eu também já fui assim; às vezes ainda me sinto assim, felizmente.]
T de Tratado de Pedagogia (XIII)

[…]
Outros, terão pago o luxo do alfabeto num bonito jardim-escola
Com jovens educadoras de infância muito viris e velhas doces
Entre o espanto de haver tantos meninos e o seu temor.
Vejam eu: encontrei o alfabeto na sopa. Em cada domingo
No jantar que se chamava ceia e identificava o domingo
A avó Tina, como num teatro, vinha do fundo da imensa cozinha
Altíssima e misteriosa no branco mágico de todos os dentes
Com o andar pautado de uma cerimónia bem estabelecida
E depunha ao centro da comprida mesa de trez tábuas de pinho
A terrina do pato branco grasnando de bico para mim.
Água, sal, um dente de alho, uma unha de banha, massinha de letras.
A receita mais sóbria para a única sopa sem odor.
O alho era tic apenas, uma vénia à rotina, uma malícia.
Era e não era uma sopa. Era uma iniciação à teoria extreme da forma.
Ao domingo, isto é, nesta sopa, a malga costumeira
Cuja borda estava no horizonte semanal do meu nariz
Dispunha a saia em roda como uma mulher de Buarcos
Virava prato de borda larga, côvo ranço do horizonte
E sobre ele descia a nave brilhante dos prodígios
Lenta como uma coisa com motor, não como se caísse.
A avó, de pé, servia-me a primeira e derradeira concha.
Sem sombra sem som sólida suave sem um salpico
A sopa decorria no prato roubando-lhe o fundo
Onde a maranha de sinais surgia subindo do poço
Prolongado desde mim até ao mais longe de mim
Num ponto que não acabava, nunca acaba, no sítio impossível
Onde origem e fim é igual, no lugar que persigo quando prossigo.
Claro que convenho: pedagogia versus didáctica!
Mas permanece a diferença e a diferença embaraça.
[…]
O que é a escrita? Arpoar baleias? Petiscar enfados?
Brincar laboriosamente com letras na borda do prato?
O aceitar regras transgredindo regras, criar regras
Recusar tudo no aceitar de tudo mas intervindo sempre
Com uma colher de obstinação, duas colheres de fome,
Trez colheres de desdéns?












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