domingo, 13 de março de 2011

P de (Dois Anos de - é uma brincadeira com um dos meus livros preferidos da Iris Murdoch) Pássaros (XXVI)



B de Biorritmo (LVII)




EL EQUILIBRIO


La tuya era de un verde tristón, casi oxidado.
Sobre aquel armatoste de huesos de metal yo te veía
perderte hacia el trabajo con las primeras luces.

La mía era de un rojo vivo alegre
(los Reyes la trajeron un buen año de pagas).
Me dejé las rodillas, tú la voz, intentando
aprender la imposible lección del equilibrio.

Sueño que es tarde y llega tu hora de volver,
que se acerca, cansada, la bicicleta verde,
y que estoy esperando, ansioso por contar
que ya he logrado conducir la mía.


ÁNGEL MENDOZA

V de Vida (V)

MESA DOS SONHOS


Ao lado do homem vou crescendo

Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente

Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas

Ao lado do homem vou crescendo

E defendo-me da morte povoando
De novos sonhos a vida.


ALEXANDRE O'NEILL


[Quanto a ontem, do início do jantar até ao fim da noite,
apetecia-me dizer isto aos amigos,
mas fiquei, como sempre, sem jeito:
obrigada por me deixarem crescer ao vosso lado,
dando-me vontade de ser um dia da vossa altura.
Assim vale a pena ter novos sonhos.]

sexta-feira, 11 de março de 2011

E de Espera (XII)

SÁBADOS DE AMOR


Preparabas los labios por si llegaba el beso,
dormido entre sus piernas.
Olías los perfumes de la noche más dulce,
antes de que viniera.
Repasabas canciones que en la orilla, al relente,
quemarías por ella,
deseando en el fondo la asfixia de no hallarla,
y vivir en los ritos hermosos de la espera.


Ángel Mendoza, Pájaro Negro (2010)

V de Vida (IV)

C de Chocolate Jesus (II)

Finalmente, conselhos sábios sobre como degustar chocolates e/ou ler livros:



["Aprendidos" na Chocolat Factory de Vigo,
onde passei 15 minutos de puro desejo]

B de Biorritmo (LVI)

sentada na tua cama
a vida infantil da morte
tem a graça das histórias mecânicas

Francis Picabia


Nas costas do postal que tinha e onde cai
desde há muito, não sei em que cidade,
uma tarde de chuva insuperável,
larguei apressado contorno à chama
desse homem que fez a noite ajoelhar-se.
Cambado corpo, sonoro, num colete
sem botões para cores de mau vinho.
Aquele ombro descaído, debicado
por generosos pássaros,
sustinham juntos o ofego do acordeão,
decente e triste, de uma presteza viajada.
Sua infecção calma abrindo-nos
poços de ar no sangue, lento e impuro,
mendigando mais a leste um novo embalo.
Os ossos vibrando, frágeis, ocos,
como flautas para o sopro de um deus.
E os três euros, um insulto não sei
se a nós mesmos, se a este mundo
que se faz caro
para o vazio nos parecer chique.

Espirais de fumo, um frasco de tinta
tombado e a mancha cega que aos poucos
levará a memória disto, este encontro
de amigos, este bar.
Voltarei a ter encostada à minha
a carne áspera da solidão, voltarei
a esse sim-não-sim-não-sim: perdido
para segundas escolhas,
reflexos abolidos entre estranhas
gravidades, entretido com rudes
brincadeiras e esses sonhos nocturnos
precisos e práticos neste estupor
de corpos que vão ficando de sobra
uns para os outros. Poesia nenhuma,
matemática, simples e atroz.

Faço o caminho de volta, demoro
esses cansados fins de ruas e a linha
de candeeiros, sua líquida luz misturada
de urina, onde perdem a pele as imagens
e oferecem a sua carne aflita ao delírio
que me leva pela mão.
Atravessando jardins suspensos
no assombro monocórdico das flores,
perfume frio e gesto prolongado,
essa vénia num jeito doce e final.

No quarto, enquanto o silêncio rói,
escava os seus buracos, bato uns versos,
extraindo à máquina de escrever
essa grave caligrafia,
como um piano rematando outra
das suas canções de abandono e morte.
Estou só cigarro nos lábios e espero.
Olho as mãos, a marca de um anel
que nunca pus no dedo e que me intriga,
dói-me a sua mordedura e veneno.
Sentada na cama, lá esta ela
de chinelos, balouçando os pés frios,
com o seu ar trágico e indeciso.


Diogo Vaz Pinto

quinta-feira, 10 de março de 2011

T de Tratado de Pedagogia (XVIII)

LEER POESÍA


Cuando acabo este libro de poemas
de Paul Celan, no sé ni qué me ha dicho
ni qué quiso decirme. Ni tan sólo
si pretendió decirme alguna cosa.
Hay tanto miedo en un poeta hermético.
Dejo la mano encima del libro ya cerrado,
y juro rechazar para sempre este miedo.
La poesia, que puede ser primeiro
un paisaje al que a veces se há llegado de noche,
acaba siendo sempre un espejo
donde uno ha de ler sus propios labios.
Y qué razón de ser
tiene el contenedor si está vacío?
Silencios y vacíos están hechos
sólo para los ángeles.
Contienen
el miedo a la basura. La basura del miedo.


Joan Margarit, Misteriosamente Feliz,
Madrid: Visor, 2009

M de Museu Imaginário (XVIII)

Caravaggio, "A Incredulidade de S. Tomé", 1601


B de Biorritmo (LV)




SEIS SUITES



Durante mucho tiempo casi me arrepentí
de no haberme comprado una versión más
limpia,
más moderna,
de las Seis Suites de Bach para cello solo
(Yo Yo Ma, por ejemplo, tan brillante).

Hoy, mientras vibran duras, misteriosas,
las cuerdas y las manos de Pau Casals, su vieja
grabación de los años treinta, París y Londres,
sé, con firmeza, que el rumor ahogado,
los pequños crujidos, el volumen
un tanto desigual de esta lejana música,
son el eco más cierto,
el sonido más claro, el himno roto,
de un paisaje que enferma dentro del corazón.


Ángel Mendoza, Pájaro Negro (2010)

T de Toponímia Poética (III)

Vigo / Março 2011

B de Biorritmo (LIV)

quarta-feira, 9 de março de 2011

H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (VIII)

Para o Miguel...





... de quem nos lembrámos na Casa Esperanza, La Curuxa, Maritima e El Mosquito, todos eles em Vigo e exactamente por esta ordem (com um regresso ao 1º amor).

F de Fazer Fotografia (XL)

Rui Miguel Ribeiro

V de Vigo (II)

A minha cantiga de amigo preferida:


Achava-me eu na ermida de São Simão
E cercarom-me as ondas, que grandes são:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

Estando na ermida ante o altar,
Cercarom-me as ondas grandes do mar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

E cercarom-me as ondas, que grandes são,
Não hei barqueiro nem remador:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

E cercarom-me as ondas do alto mar,
Não hei barqueiro, nem sei remar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

Não hei barqueiro nem remador
Morrerei eu formosa no mar maior:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

Não hei barqueiro, nem sei remar,
Morrerei eu formosa no alto mar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?
Meendinho
(séc. XIII)

C de Carnaval




Carnaval em Vigo: confetti e camélias desfolhadas.

terça-feira, 8 de março de 2011

V de Vigo




Mia irmana fremosa, treydes comigo
a la igreja de Vig', u é o mar salido:
E miraremos las ondas!

Mia irmana fremosa, treydes de grado
a la igreja de Vig', u é o mar levado:
E miraremos las ondas!

A la igreja de Vig', u é o mar salido,
e verrá i mia madr' e o meu amigo:
E miraremos las ondas!

A la igreja de Vig', u é o mar levado,
e verrá i mia madr' e o meu amado:
E miraremos las ondas!


Martim Codax

quinta-feira, 3 de março de 2011

V de Viagens (V)


Victor Hugo, "Ma destinée", 1857

quarta-feira, 2 de março de 2011

P de (Dois) Anos de Pássaros (XXV)


[François Truffaut chamou-lhe "le plus beau film du monde".]

R de Regresso ao trabalho (X)


terça-feira, 1 de março de 2011

F de Faca Romba

XII - FILOSOFIA DO GABIRU

[...]
Compreendo o materialista sincero, o idealista sincero. Num predomina a nuvem, no outro a terra. Tudo o que é verdadeiro, arraigado e fundo, é belo - até o crime.


Raul Brandão, Os Pobres
[Obrigada, Diogo]

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

S de Sete rosas mais tarde (IIIb)


[As irmãs Aurélia e Sofia de Sousa.]

P de (Dois) Anos de Pássaros (XXIII)

António Patrício:
o final de Dinis e Isabel - Conto de Primavera

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

G de Gostava de ter sido eu a lembrar-me deste título (II)

[Merecia uma capa/contracapa melhor.]

P de (Dois) Anos de Pássaros (XXII)


Robert Adamson, "The birdcage", 1890

P de (Dois) Anos de Pássaros (XXI)

Uma gaiola foi à procura de um pássaro.

FRANZ KAFKA

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

P de (Dois) Anos de Pássaros (XX)

Às vezes, por instantes, sinto em mim
A minha alma d'infanta...
A cotovia acorda em folhas secas...
E com asas partidas, ainda canta!


António Patrício, O Fim, Porto: Lello & Irmão, 1909

P de (Dois) Anos de Pássaros (XIX)

A de "Aqui começa o B" (II)

[II/2011]

J de (O) Jardim e a Casa (VII)

Vou pelo meu jardim...
Ando a regar o alecrim do norte.
Que bem que cheira! É só pr'a mim,
Ninguém m'o corte...

Onde eu passo tudo reverdece,
Não há inverno, fica tudo em flor...
Ressuscitai, flores do tapete,
Ganhai cor...

Sou jardineira.
Ando a regar a Morte...
E as covas não abrem a florir!...
É sina minha. É a minha sorte.


António Patrício, O Fim, Porto: Lello & Irmão, 1909
[Ontem ao som de António Fragoso]

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

J de Janelas II

Les Fenêtres


Celui qui regarde du dehors à travers une fenêtre ouverte, ne voit jamais autant de choses que celui qui regarde une fenêtre fermée. Il n'est pas d'objet plus profond, plus mystérieux, plus fécond, plus ténébreux, plus éblouissant qu'une fenêtre éclairée d'une chandelle. Ce qu'on peut voir au soleil est toujours moins intéressant que ce qui se passe derrière une vitre. Dans ce trou noir ou lumineux vit la vit, rêve la vie, souffre la vie.

Par delà des vagues de toits, j'aperçois une femme mûre, ridée déjà, pauvre, toujours penchée sur quelque chose, et qui ne sort jamais. Avec son visage, avec son vêtement, avec presque rien, j'ai refait l'histoire de cette femme, ou plutôt sa légende, et quelquefois je me la raconte à moi-même en pleurant.

Si c'eût été un pauvre vieux homme, j'aurais refait la sienne tout aussi aisément.

Et je me couche, fier d'avoir vécu et souffert dans d'autres que moi-même.

Peut-être me direz-vous: «Es-tu sûr que cette légende soit la vraie?» Qu'importe ce que peut être la réalité placée hors de moi, si elle m'a aidé à vivre, à sentir que je suis et ce que suis?
Charles Baudelaire

V de Vício (V)

NEW HEAVENS FOR OLD
By Amy Lowell

I am useless.
What I do is nothing.
What I think has no savour.
There is an almanac between the windows:
It is of the year when I was born.

My fellows call to me to join them,
They shout for me,
passing the house in a great wind of vermilion banners.
They are fresh and fulminant,
They are indecent and strut with the thought of it,
They laugh, and curse, and brawl,
And cheer a holocaust of “Who comes firsts!” at the iron fronts of the houses at the two edges of the street.
Young men with naked hearts jeering between iron house-fronts,
Young men with naked bodies beneath their clothes
Passionately conscious of them,
Ready to strip off their clothes,
Ready to strip off their customs, their usual routine,
Clamouring for the rawness of life,
In love with appetite,
Proclaiming it as a creed,
Worshipping youth,
Worshipping themselves.
They call for women and the women come,
They bare the whiteness of their lusts to the dead gaze of the old house-fronts,
They roar down the street like flame,
They explode upon the dead houses like new, sharp fire.

But I—
I arrange three roses in a Chinese vase:
A pink one,
A red one,
A yellow one.
I fuss over their arrangement.
Then I sit in a South window
And sip pale wine with a touch of hemlock in it,
And think of Winter nights,
And field-mice crossing and re-crossing
The spot which will be my grave.

[Gostava de pôr estes últimos cinco versos no colofón do livro que acabei de traduzir.]


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos" (IV)

O vídeo é um breve inventário de mim:
carrosséis e bicicletas à velocidade certa;
viagens de papel com o meu pai, antes das viagens a sério com os amigos (Veneza);
jardins com árvores; mar com vento e conchas;
pássaros sem mais nada; o gato; as sombras;
o desejo de voltar atrás.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

F de Falar para as Paredes (VI)


Fotografia de Marta Peixoto
[em Braga]

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

R de Rebeca (V)


William Turner (1775-1851)

"The morning after the shipwreck"

B de Biorritmo (LIII)

L de Livraria (III)

A caminho da minha livraria preferida:

[Fotografia de Rui Miguel Ribeiro]

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

R de Redenção (II)


J de "Jardins sous la pluie"

Camélias ontem, no Jardim da Estrela:




[Com a devida vénia a Monsieur Claude, pelo título.]

sábado, 12 de fevereiro de 2011

S de Salivação (IV)


Fui à pastelaria comprar príncipes ao quilo.

N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos" (II)

H de "Haverá uma beleza que nos salve?"

Eu tinha visto que a dor era sempre necessária para se produzir alguma coisa de belo e de gigante: para se agarrar um pedaço de sonho, que, apenas entrevisto, foge: para que nas nossas mãos esquálidas fique um farrapo dessa figura de prodígio: para que a vida tenha um fim: para amar: para criar: para que alguma coisa de duradouro reste. Num grito existe sempre viva uma porção de beleza. Da cova nascem coisas materiais, formas, árvores, nuvens - da dor jorra a beleza absoluta.

E com que fim? dir-me-ão.

Imaginem um estatuário: para compor uma marmórea figura, para realizar um fantasma entrevisto, precisa de sofrer. Depois tritura o barro, petrifica a dor. E acaso se pergunta se o barro sofre? Assim Deus esmaga o barro que nós somos para construir alguma coisa de extraordinário: mundos, a Vida e a Morte, alma infinita que tudo atravessa.

De que precisam os poetas para fazer uma obra de génio? De dor. O sofrimento cria. Lembram-se das figuras de mármore, para sempre debruçadas sobre os túmulos antigos? O luar que vem pela rosácea gótica ao tocar-lhes dá-lhes uma vida de sonho, fá-las todas de poalha: estremecem, levantam voo, dir-se-ia. Pois a dor, fio a fio, como o luar, dá vida ao sonho.

Para se criar é preciso sofrer-se. Hoje e sempre só a dor é que deu vida às coisas inanimadas. Com um escopro e um tronco inerte faz-se uma obra admirável, se o escultor sofreu. Mais: com palavras, com sons perdidos, com imaterialidades, consegue-se este milagre: fazer rir, fazer sonhar, arrancar lágrimas a outras criaturas. Com as simples e secas letras do abecedário, um desgraçado com génio, metido numa água furtada, edifica uma coisa eterna, uma construção mais sólida e mais bela, do que se fosse arrancar os materiais ao coração das montanhas.

O que é então a dor, milagre extraordinário, que consegue dar vida às fragas? o que é esse assombroso fluido, que se comunica, alma arrancada da própria alma e que se pode repartir como o pão? Nunca houve sob o sol criatura que sofresse da verdadeira dor cujo sofrimento não consolasse ou salvasse. Até as mais humildes, tal como árvores que ainda depois de mirradas, vão aquecer e alumiar os pobres.

A dor dá a vida e não é a própria vida: cria, redime, obra prodígios e nada há que se comunique, que convença, que torne os homens irmãos, como ela... Para onde vão pois todos esses gritos, unidos num só grito? Visto que nada se perde, que é que se sustenta no infinito com essa enxurrada de lágrimas? Deus?


Raul Brandão, Os Pobres

N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos"

Podemos regressar finalmente a um sítio, mas não podemos fotografar a nossa infância.

[Lisboa, 11/02/2011]

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O de "O mundo está escuro: ilumina-o" (XI)

Uma tradição que se voltou a cumprir este ano:

F de Fazer História

Fotografia de Alexandra Lucas Coelho, no Cairo:
a palavra escrita no caderno é REVOLUÇÃO.

C de Comfort Food

No restaurante Paladares do Mar:

Mas faltava o Miguel:

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

R de Regresso ao trabalho (IX)

Le travail est lui-même amour, infiniment plus d 'amour que l'individu n 'en peut susciter en autrui. Il est toutes les espèces d'amour.

Rainer Maria Rilke, Le Testament
trad. Philippe Jaccottet, éd. du Seuil, 1983

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

F de Fazer Fotografia (XXXVIII)

Leitura de cabeceira:

L de Ler (IV)

Ontem, aqui, entre as 19h e as 21h, ouvi uma leitura assombrosa de poemas, entre eles "o mais belo poema do século XX". Gostava sempre de acordar, como hoje, com estes versos na cabeça:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

N de "no lugar seguro da próxima Primavera" (III)


No meu caminho diário, algumas árvores decidiram antecipar a Primavera
e, de repente, toda a cidade fica em segundo plano.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

V de Vício (IVb)



Gosto tanto de policiais que até me apetece traduzi-los.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

S de Solidão (ou C de Comunidade) IX

ortofrenia


Aclamações
dentro do edifício inexpugnável
aclamações
por já termos chapéu para a solidão
aclamações
por sabermos estar vivos na geleira
aclamações
por ardermos de mansinho junto ao mar
aclamações
porque cessou enfim o ruído da noite a secreta alegria por escadas de caracol
aclamações
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve
porque outra é indubitável: não se ouve ninguém


Mário Cesariny, Pena Capital (2º ed.),
Lisboa: Assírio & Alvim, 1982

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

F de Fazer Fotografia (XXXVII)

Mais uma razão para regressar a Espanha:
comprar este livro...




... e ver coisas assim.


William Henry Fox Talbot,

"An oak tree in winter", c. 1842-43

"Dandelion seeds", 185o's

B de Biorritmo (LII)

Quero estar

T de "(um) torso dobrado pela música" (III)

Marc Chagall
[Esta também tinha a minha cara, Daniela.]

S de "(Las) simples cosas"




Lista provisória de coisas simples mas redentoras:
uma árvore ainda com folhas para dar no final de um dia mais longo,
um jogo em que ninguém perde, um bar só para amigos,
um beijo antes de adormecer.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

L de Livraria (II)


A caminho da minha livraria preferida.

R de Redenção


A de "Aqui começa o B"