segunda-feira, 31 de maio de 2010

V de Viagens (IV)

RUPTURA - III


Levantou-se e saiu
ainda gotejante.

Tinha uma mala de viagem à espera
e um caderno de pequenos textos
onde colara durante intervalos estáveis
recortes de películas a preto-e-branco.

Na mala, faltavam algumas
peças de roupa essenciais;
no caderno de pequenos textos,
finais plenos.

No entanto, era óbvio para ela
que bastavam aqueles dois utensílios
para suportar o peso inconstante
da felicidade ou do infortúnio
e que neles caberia o volume incerto
de qualquer aventura.



Paulo Tavares, Minimal Existencial,
Lisboa: Artefacto, 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

C de Carrosséis (VII)



"I used to know a little square/so long ago, when i was small/all summer long it had a fair/wonderful fair with swings and all/I used to love my little fair/and at the close of every day/I could be found, dancing around/a merry-go that used to play//ah, mon amour/à toi toujours/dans tes grands yeux/rien que nous deux (...)"

P de (No) princípio (era...) II

segunda-feira, 24 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

B de Biorritmo (XIX)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

P de Primavera (XII)

O meu perfume de Primavera chama-se "La chasse aux papillons"
(L'Artisan Parfumeur - Paris).


Max Ernst, "33 fillettes chassant les papillons", 1958
(Museo Thyssen-Bornemisza - Madrid)

I de Inverness (II)

GRAND HOTEL KØBENHAVN, 326


Onze horas: a tua mão adormecida marca
agora um conto de Karen Blixen
– veremos em breve essa casa cinzenta,
em Helsingør – enquanto eu ouço uma sonata
de Scarlatti tocada por Scott Ross
e sei que também isso ficarei a dever à Dinamarca.

Apontamentos culturais? Podem até chamar-lhes
assim, ignorando a áspera nudez da voz,
o grito comum que viemos suspender aqui.
Lá em baixo, por exemplo, os funcionários do
restaurante, terminado o serviço, abrem
a terceira garrafa de champanhe e fumam
ruidosamente, como se amanhã não existisse.

A questão, no fundo, é apenas esta: há momentos
em que a vida nos parece quase bela,
escolhos onde embatem as mais íntimas certezas.

Talvez adormeçamos lado a lado,
de costas para a morte, e haja corsários ao fundo,
um mar de gelo protegendo-nos da noite.


Manuel de Freitas, Brynt Kobolt

T de Tratado de Pedagogia (V)

"Não acredito na arte para eleitos, e lembro, a este propósito, uma frase que ouvi a Caetano Veloso: Todo o mundo pode entender tudo. Acredito, e quero continuar a acreditar, nesta formulação tão simples."

in

segunda-feira, 17 de maio de 2010

I de INVERNESS (Ana Teresa Pereira)

Pierre-Auguste Renoir, "A Onda", 1879

domingo, 16 de maio de 2010

M de Museu Imaginário (V)

Separados à nascença?

Francisco de Goya, "Riña de gatos", 1786-88 (Museo Nacional del Prado)



Jardim Bordallo Pinheiro/Museu da Cidade (15 Maio 2010)

sábado, 15 de maio de 2010

M de Museu Imaginário (IV)

Exposição "Joana Vasconcelos - Sem Rede"

(CCB/15 Maio 2010)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

E de (Dia da) Espiga




P de Primavera (XI)

primavera primeira


estremeço desde o princípio do meu rosto
desde o momento em que sorri e me sorriram
e é nesse lugar ínfimo que suspendo todas as palavras
que fecho os olhos e sinto a frescura de todas as águas
o oceano que cessa e atende o esvoaçar da primavera

é a primeira primavera de todos os outonos
é aqui que em silêncio se bordam os calendários
dias entre dias e sobre dias e as memórias que escapam
e não mais se alcançam se não nos tornarmos menores
- no futuro não há edquecimento nem segredos
cada coração guarda apenas o que for mais comum.


Vasco Gato, Um Mover de Mão,
Lisboa: Assírio & Alvim, 2000

quarta-feira, 12 de maio de 2010

P de Primavera (X)


Rose d'or (c. 1330),
Musée de Cluny/Paris

segunda-feira, 10 de maio de 2010

F de Futebol

O futebol tem momentos muito bonitos:



(9 Maio 2010)

domingo, 9 de maio de 2010

H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar"

Ontem jantei outra vez com este poema:

Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

ANTÓNIO RAMOS ROSA
(na parede do Louro & Sal, Bairro Alto)

sábado, 8 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

B de BIOGRAFIA, de David Teles Pereira (Língua Morta, 2010)

Um dos poemas começa assim:


Há dias em que não penso uma só palavra
que queira dizer-te, dias em que as fronteiras entre os homens
se encontram permanentemente abertas ao estreitar de mãos,
como laços de gravata a fecharem-se sobre o colarinho da camisa.
Não penso sequer na tua nuvem a morrer todos os dias à minha porta,
mas diz-me, diz-me afinal de contas tudo o que quiseres.
É que eu, eu passei demasiado tempo na tua pele,
a sonhar os gregos com intenções de cerâmica e laser,
e agora é Outono a caminho do teu rosto,
resta-me passar a rua pelos olhos, pedir café e uma amostra de cinema [datado,
tal como a originalidade da nossa história,
entregue a amanuenses talentosos na hora de nos ortografar bem.


Vou tentar curar a minha falta de palavras de hoje com uma rua,
um café e algum cinema datado.
Por esta ordem precisamente.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

W de Wild is the wind

Hoje esteve um dia de vento propício a momentos assim:
"Sometimes there's so much beauty in the world..."
(embora eu continue a preferir a écharpe branca que cai em La mariée était en noir, do Truffaut)