quinta-feira, 5 de março de 2015

F de Flor Suficiente (XI)



[ID, Lx, 10/011]



"[...]
olha     traz-me um ramo de qualquer coisa
qualquer coisa que venha amaciar o seco das palavras
deitadas a este relento entre ninhos de raposa
e um sonho de groselhas 
é que deixam secura e mais nada     não deixam mais nada
os sabugueiros ao menos deitam flores e bagas
tudo pérolas     traz-me um ramo de azul tuaregue
e nem é preciso que vás ao deserto
entra por esta noite     pode ser apenas esta
não dês alerta aos bichos dos varandins
às gatas e aos gatos com cio     aos homens com sabre
sossega as gazelas     vai à fonte e traz o azul 
eu estarei à tua espera sem o falcão
sem o rei na barriga nem a gataria à espreita
[...]


Abel Neves, Úsnea,
Lisboa: Averno, 2015







[ID, Lx, 02/015]

Sem comentários: