terça-feira, 13 de dezembro de 2011

S de Solidão (ou C de Comunidade) XXXIV

É Natal, nunca estive tão só.
Nem sequer neva como nos versos
do Pessoa ou nos bosques
da Nova Inglaterra.
Deixo os olhos correr
entre o fulgor dos cravos
e os diospiros ardendo na sombra.
Quem tem assim o verão
dentro de casa
não devia queixar-se de estar só,
não devia.


EUGÉNIO DE ANDRADE


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