sábado, 20 de junho de 2020

P de Pássaros anónimos (XII)








[ID | Príncipe Real, 15/06/012]

2 comentários:

sonia disse...

São tão lindinhos, Jóias vivas da natureza!!!

L. disse...

pássaros anónimos... do miguel d'ors:

CANTO


Que canto esse que chega do fundo destes robles,
tão inflamado e puro, tão pungente
pela alma; paisano do eterno
como o que San Virila ouviu uma vez
pelos bosques de Leyre, num minuto
que concentrou três séculos.
Que voz
regala ao Universo, esta manhã
já de 2012, pelo Monte da Tomba,
esta torrente de beleza, esta
melodia dourada e de linhas redondas,
líquidas, impossível de enjaular em palavras?
Melro, carriça, rouxinol? – Anónimo;
e seguro é que não se importa nada:
ele só sonha ser canção; entrega
todo o ser a este caudal de música,
sem se perguntar para quem, cumprindo
sem tristeza nem gozo
a sua missão neste momento deste bosque,
momento de que eu também sou parte,
mantendo o meu silêncio e o meu deslumbramento.

Este minuto de ouro
não o repetirá nenhum youtube;
dele não ficará nenhuma gravação
- nem mesmo captação com recursos caseiros -;
tão só o testemunho incapaz destes versos;
fica em mim – exemplar único, irrepetível,
secreto - como um fundo tesouro de beleza,
e sem dúvida que há algo em mim que agora mesmo
é um pouco melhor por este canto.

28/29-IV-2012