terça-feira, 25 de março de 2014

D de Dansa (IV)


[...]


III


Eu, que amei Pina Bausch muito antes
do português comum,
e ouvi depois
os novos-ricos a gritarem "bravo"
contra o seu rosto onde passava tudo
o que eles não entendiam,
gostava de pedir em alemão
"Tanzt", como ela pediu.
Estive uma vez
com uma rapariga da Holanda
que fez uma audição em Wuppertal.
"Make me laugh", eis o que Pina disse.

A rapariga,
é claro,
não entrou.
Mas não falava disso com despeito.
Brilhava, tarde fora, e não devido
à chuva que caía em Amesterdão.

Brilhava e eu não sei se, como os outros,
se esqueceu, entretanto,
de dançar.


Hélia Correia 
in Telhados de Vidro n.º18,
Lisboa, Averno, 2013

1 comentário:

Nuno Martins disse...

Sou só eu que acha isto um dos poemas mais pretensiosos de sempre?