sexta-feira, 26 de julho de 2013

F de "(Une) Famille d'Arbres" (VI)





E LUCEVAN LE STELLE


Para o meu avô,

os verdes na banca eram o real,
sem regresso ou poesia,
e a expansão acabara de novo
ali, no Cais da Ribeira,
quando a amada partira,
levando-lhe no nome a liberdade.

A tristeza tinha horas tão marcadas
que lhe tingiam os dedos,
portões que só se abriam
para as estrelas sempre acordadas
da mesma música: e nunca amei tanto
a vida, chorava em repetição.

Enquanto a felicidade boiava na praia,
à distância de um dia de verão
e de uma corda segura 
por quem não sabia sequer nadar.


Inês Dias, In Situ,
Lisboa: Língua Morta, 2012

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