quarta-feira, 6 de outubro de 2010

P de (The) Privacy of Rain (III)

Saul Leiter, New York, 1960

domingo, 3 de outubro de 2010

H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (VII)

Um dos meus programas preferidos sobre cozinha:

P de (Um Ano de) Pássaros (XIII)


B de Biorritmo (XXXIV)

A de Amor (V)

[Recomenda-se, em nota de rodapé, o documentário que Cédric Klapisch realizou sobre Aurélie Dupont e sobre a dança e a arte em geral e a busca da perfeição e a beleza e o ir mais longe e o entregar-se aos outros e... Chama-se "L'espace d'un instant". Eu também já fui assim; às vezes ainda me sinto assim, felizmente.]

T de Tratado de Pedagogia (XIII)




[…]

Outros, terão pago o luxo do alfabeto num bonito jardim-escola
Com jovens educadoras de infância muito viris e velhas doces
Entre o espanto de haver tantos meninos e o seu temor.
Vejam eu: encontrei o alfabeto na sopa. Em cada domingo
No jantar que se chamava ceia e identificava o domingo
A avó Tina, como num teatro, vinha do fundo da imensa cozinha
Altíssima e misteriosa no branco mágico de todos os dentes
Com o andar pautado de uma cerimónia bem estabelecida
E depunha ao centro da comprida mesa de trez tábuas de pinho
A terrina do pato branco grasnando de bico para mim.

Água, sal, um dente de alho, uma unha de banha, massinha de letras.
A receita mais sóbria para a única sopa sem odor.
O alho era tic apenas, uma vénia à rotina, uma malícia.
Era e não era uma sopa. Era uma iniciação à teoria extreme da forma.

Ao domingo, isto é, nesta sopa, a malga costumeira
Cuja borda estava no horizonte semanal do meu nariz
Dispunha a saia em roda como uma mulher de Buarcos
Virava prato de borda larga, côvo ranço do horizonte
E sobre ele descia a nave brilhante dos prodígios
Lenta como uma coisa com motor, não como se caísse.
A avó, de pé, servia-me a primeira e derradeira concha.

Sem sombra sem som sólida suave sem um salpico
A sopa decorria no prato roubando-lhe o fundo
Onde a maranha de sinais surgia subindo do poço
Prolongado desde mim até ao mais longe de mim
Num ponto que não acabava, nunca acaba, no sítio impossível
Onde origem e fim é igual, no lugar que persigo quando prossigo.

Claro que convenho: pedagogia versus didáctica!
Mas permanece a diferença e a diferença embaraça.
[…]

O que é a escrita? Arpoar baleias? Petiscar enfados?
Brincar laboriosamente com letras na borda do prato?
O aceitar regras transgredindo regras, criar regras
Recusar tudo no aceitar de tudo mas intervindo sempre
Com uma colher de obstinação, duas colheres de fome,
Trez colheres de desdéns?



Fotografia: Willy Ronis, 1946
Poema: João Pedro Grabato Dias, Facto-Fado (edição do autor)

P de (Um Ano de) Pássaros (XII)

Lisboa, 02/10/10

sábado, 2 de outubro de 2010

F de Fazer Fotografia (XIX)


Edouard Boubat, "L'arbre et la poule", 1950

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A de Altar (II)

Lisboa/Setembro 2010

A de Altar

Viana do Castelo/Agosto 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

M de Museu Imaginário (X)

[Azulejinhos/Algures em Lisboa]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

M de Museu Imaginário (Vb)


Pormenor dos frescos de Goya, na Ermida de San Antonio de la Florida
(uma das minhas paragens se voltar a Madrid)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

P de (Um Ano de) Pássaros (XI)

QUADRO COM PÁSSAROS


O muro é, deste lado, escuro e triste,
tal como acontecia naquele conto
que um dia te expliquei. Se fosse verdade, hoje
todos os pássaros pintados por ti
estariam à tua espera do outro lado
cantando para ti: a parte clara
de que falava o conto
iria acolher-te como eu e a tua mãe
se pudesses um dia regressar a casa.

Enquanto conto a mim mesmo a história,
vejo os últimos pássaros que pintaste.
Aqui, no lado sombrio deste muro,
de que forma poderia pagar a ilusão
de sentir-te na brisa de um instante?


Joan Margarit, Joana (Ediciones Hiperíon)

G de Gostava de ter sido eu a lembrar-me deste título

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

R de (O) rio da minha aldeia (IV)


Setembro 2010

S de Self

"She was not to talk with, she was not to cook, she was not to produce children. She was not to knit sweaters, to write plays, to dig ditches, to sing songs."
Lawrence Block, The Canceled Czech

R de (O) rio da minha aldeia (III)




[Faltava um dos cinco]

domingo, 26 de setembro de 2010

R de (O) rio da minha aldeia (II)

[Antes e depois da chegada do barco]

C de Chapeau!

Ontem:
amigos, poesia e música de se lhes tirar o chapéu.

[Fotografia de RMR]

F de Fazer fotografia (XVIII)

A "fotografia pendurada na parede" do poema de Joan Margarit:

Xavier Miserachs, "Passeig de Gràcia", 1962

sábado, 25 de setembro de 2010

B de Biorritmo (XXXIII)

"[...] e tudo aquilo que é viver"

P de (Um Ano de) Pássaros (X)


Fonte: The Complete Canterbury Tales,
ilustrações de Edward Burne-Jones e William Morris
(Eagle Editions)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

P de (The) Privacy of Rain (II)

P de "Portugal não é um país pequeno" (II)




Lisboa / 21 Set 10

L de Livraria

Tem site, mas é mais bonita ao vivo, em Copenhaga.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

E de Estado de espírito





Santa Cruz / Setembro 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

B de Biorritmo (XXXII)

"[...] the only thing that keeps you calm is to die everyday"

F de Futebol (II)

Como já disse, o futebol tem momentos muito bonitos:

"um Sporting que faz um jogo onírico e estranho"
versus
um Benfica "como um divorciado numa discoteca"


B de Biorritmo (XXXI)

Para os amigos que provaram uma vez mais que - diga o Rilke o que disser - às vezes nos podemos encontrar na mesma ilha.

sábado, 18 de setembro de 2010

H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (VI)

[Para a Renata]

S de Solidão (ou C de Comunidade)

XI

Et l’art n’a rien fait sinon nous montrer le trouble dans lequel nous sommes la plupart du temps. Il nous a inquietés, au lieu de nous rendre silencieux et calmes. Il a prouvé que nous vivons chacun sur son île ; seulement les îles ne sont pas assez distantes pour qu’on y vive solitaire et tranquille. L’un peut déranger l’autre, ou l’effrayer, ou le pourchasser avec un javelot – seulement personne ne peut aider personne.


XII

De l’île à île, il n’y a qu’une possibilité : de dangereux sauts où l’on risque plus que ses jambes. Cela donne un éternel va-et-vient bondissant, fait de hasards et de ridicules ; car il arrive qu’ils soient deux à sauter en même temps l’un vers l’autre, si bien qu’ils ne se rencontrent qu’en air, et qu’après ce pénible échange ils se retrouvent tout aussi loin – l’un de l’autre – qu’auparavant.

Rainer Maria Rilke, Notes sur la mélodie des choses,
Éditions Allia (que tem um dos mais bonitos catálogos de grandes livros pequeninos )

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

F de Fazer Fotografia (XVII)

Margaret Monck, "Man, Quayside with bird cages" (Portugal), 1930s

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

E de (Uma Outra) Educação

Por culpa do Vasco Granja, esta série de desenhos animados foi determinante na minha formação:

B de Biorritmo (XXIVd)

E como é que me foi escapar esta versão... Há músicas que conseguem salvar um dia, sobretudo com a ajuda da chuva lá fora.

B de BIOGRAFIA, de José Amaro Dionísio (TELHADOS DE VIDRO, nº14)


"O coração é uma arte difícil. Mas tudo o resto é a crédito."

P de Postais (III)


Fotografia de Ara Güler, 1956
(obrigada, Rui)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

R de Regresso ao trabalho (IV)

"O medo do aborrecimento é a única desculpa para trabalharmos."

"Se a preguiça nos faz infelizes, tem o mesmo valor que o trabalho."

Jules Renard, excertos do Diário (1887-1910) in Telhados de Vidro, nº14 (trad. José Miguel Silva), Averno

domingo, 12 de setembro de 2010

J de (O) Jardim e a Casa (IV)

Um dia vou mesmo visitar este jardim e reler lá uma das minhas frases preferidas:
http://arquivodecabeceira.blogspot.com/2009/11/d-de-dia-de-los-muertos-alias-hoje-e.html

E de Efeito Borboleta (II)

FLEURS VOLANTES
Pour l'étrange visionnaire Rudolf Steiner, les papillons sont des fleurs volantes. Une sorte de stade ultime de la fleur qui s'allège et prend son envol.
L'humanité chenille deviendra-t-elle papillon? Prendra-t-elle un jour son envol, elle aussi?
- Oui, répond cet auteur.
L'humanité s'allégera. L'antique malédiction de la gravité cessera et la terre, la matière, deviendra "éther". L'être humain aura une aile multicolore et nous deviendrons nous aussi des "fleurs volantes".
Érik Sablé, La sagesse des oiseaux
(obrigada, Renata)

D de Dedinhos dos Pés

Estes são de Viana:



sexta-feira, 10 de setembro de 2010

P de (Um Ano de) Pássaros (VIII)

Uma prenda de anos
que junta duas das minhas coisas preferidas.

T de Tratado de Pedagogia (XII)

Também se aplica ao ensino:

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A de Amor (IV)

[...]
O amor não é um símbolo.
O amor não é natural.
O amor não é felicidade.
O amor não é sofrimento.
O amor é uma arte mágica.
O amor é a indiferença absoluta
perfeita
e agente.
[...]
Manuel de Castro, "Regresso ao Oriente"
in A Estrela Rutilante
(obrigada, Diogo)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

P de (Um Ano de) Pássaros (VI)

Os novos pacotes de açúcar do café do lado:

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

C de Culto do Chá

A prenda perfeita para ajudar no regresso ao trabalho:

A de Aniversário (II)

"nas horas felizes, se as há"
(obrigada)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

M de Museu Imaginário (VIII b)




Mário Botas
reprodução de desenho distribuído com
non nova sed nove nº5, fevereiro 93

T de Tenebrae

B de Biorritmo (XXXI)

Faixa 2

domingo, 29 de agosto de 2010

B de Biorritmo (XXX)

sábado, 28 de agosto de 2010

P de Prazeres (II)


Entre o prazer e o vício, depende dos dias.
E dos sítios;
este, por exemplo, foi em Roskilde, há três anos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

L de Leituras de Verão (II)

Vila Real/13 Agosto 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

F de Flor Suficiente (II)

Um dos meus ingredientes preferidos…

… que já experimentei nesta sobremesa…

… e gostava de experimentar nesta mistura de especiarias,
quando a encontrar...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

F de Flor Suficiente




Lisboa (Agosto 2010)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

V de Vício (IV)

Um dos meus amores de juventude:


[Fonte: Béatrice Nicodème e Éric Biville, Dictionnaire du roman policier, Hachette]

domingo, 22 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

T de Toponímia Poética (II)

Viana do Castelo / Agosto 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

E de Espinhas para um gato (II)

A presença humana é de Jack Kerouac. O gato é de William S. Burroughs. A fotografia é de Allen Ginsberg.

[Fonte: CD "Blues and Haikus", Jack Kerouac - com Al Cohn e Zoot Sims]

domingo, 15 de agosto de 2010

T de Tratado de Pedagogia (X)

"Sou profissional do sofrimento/ Professor do sentimento/ Do amor fui artesão// Mestre do viver já fui chamado/ Conselheiro do reinado/ Cujo rei é o coração/ Mestre do viver já fui chamado/ Conselheiro do reinado/ Cujo rei é o coração// Quebrei do peito a corrente/ Que me prendia à tristeza/ Dei nela um nó de serpente/ Ela ficou sem defesa/ Mas não fiquei mais contente/ Nem ela menos acesa// Tristeza que prende a gente/ Dói tanto quanto a que é presa/ Abre meu peito por dentro/ O amor entrou como um raio/ Saí correndo do centro/ Dentro do vento de maio/ Dentro do vento de maio"

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (V)

Afinal até se pode almoçar duas vezes no mesmo restaurante:

Camarão à "Varino" (Nazaré)/Agosto 2010

M de Museu Imaginário (IX)


Léon Spilliaert, "Quai avec pêcheur" (1909)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A de Amor (III)

Não são ainda 7301, como no poema, mas obrigada por estes primeiros 4017 dias.
7301


Learning to read you, twenty years ago,
Over the pub lunch cheese-and-onion rolls.

Learning you eat raw onions; learning your taste
For obscurity, how you encoded teachers and classrooms

As the hands, the shop-floor; learning to hide
The sudden shining naked looks of love. And thinking

The rest of our lives, the rest of our lives
Doing perfectly ordinary things together – riding

In buses, walking in Sainsbury’s, sitting
In pubs eating cheese-and-onion rolls,

All those tomorrows. Now twenty years after,
We’ve had seventy-three hundred of them, and

(If your arithmetic’s right, and our luck) we may
Fairly reckon on seventy-three hundred more.

I hold them crammed in my arms, colossal crops
Of shining tomorrows that may never happen.

But may they! Still learning to read you.
To hear what it is you’re saying, to master the code.


U. A. Fanthorpe
in Heaven on Earth: 101 Happy Poems
(Faber and Faber)

domingo, 8 de agosto de 2010

H de (A) Humanidade em Agosto (IV)

Nazaré/Agosto 2010

P de (The) Privacy of Rain


Joshua Benoliel, "Chegada de Afonso Costa a Lisboa" (1912)