sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

F de Falar para as Paredes (VI)


Fotografia de Marta Peixoto
[em Braga]

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

R de Rebeca (V)


William Turner (1775-1851)

"The morning after the shipwreck"

B de Biorritmo (LIII)

L de Livraria (III)

A caminho da minha livraria preferida:

[Fotografia de Rui Miguel Ribeiro]

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

R de Redenção (II)


J de "Jardins sous la pluie"

Camélias ontem, no Jardim da Estrela:




[Com a devida vénia a Monsieur Claude, pelo título.]

sábado, 12 de fevereiro de 2011

S de Salivação (IV)


Fui à pastelaria comprar príncipes ao quilo.

N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos" (II)

H de "Haverá uma beleza que nos salve?"

Eu tinha visto que a dor era sempre necessária para se produzir alguma coisa de belo e de gigante: para se agarrar um pedaço de sonho, que, apenas entrevisto, foge: para que nas nossas mãos esquálidas fique um farrapo dessa figura de prodígio: para que a vida tenha um fim: para amar: para criar: para que alguma coisa de duradouro reste. Num grito existe sempre viva uma porção de beleza. Da cova nascem coisas materiais, formas, árvores, nuvens - da dor jorra a beleza absoluta.

E com que fim? dir-me-ão.

Imaginem um estatuário: para compor uma marmórea figura, para realizar um fantasma entrevisto, precisa de sofrer. Depois tritura o barro, petrifica a dor. E acaso se pergunta se o barro sofre? Assim Deus esmaga o barro que nós somos para construir alguma coisa de extraordinário: mundos, a Vida e a Morte, alma infinita que tudo atravessa.

De que precisam os poetas para fazer uma obra de génio? De dor. O sofrimento cria. Lembram-se das figuras de mármore, para sempre debruçadas sobre os túmulos antigos? O luar que vem pela rosácea gótica ao tocar-lhes dá-lhes uma vida de sonho, fá-las todas de poalha: estremecem, levantam voo, dir-se-ia. Pois a dor, fio a fio, como o luar, dá vida ao sonho.

Para se criar é preciso sofrer-se. Hoje e sempre só a dor é que deu vida às coisas inanimadas. Com um escopro e um tronco inerte faz-se uma obra admirável, se o escultor sofreu. Mais: com palavras, com sons perdidos, com imaterialidades, consegue-se este milagre: fazer rir, fazer sonhar, arrancar lágrimas a outras criaturas. Com as simples e secas letras do abecedário, um desgraçado com génio, metido numa água furtada, edifica uma coisa eterna, uma construção mais sólida e mais bela, do que se fosse arrancar os materiais ao coração das montanhas.

O que é então a dor, milagre extraordinário, que consegue dar vida às fragas? o que é esse assombroso fluido, que se comunica, alma arrancada da própria alma e que se pode repartir como o pão? Nunca houve sob o sol criatura que sofresse da verdadeira dor cujo sofrimento não consolasse ou salvasse. Até as mais humildes, tal como árvores que ainda depois de mirradas, vão aquecer e alumiar os pobres.

A dor dá a vida e não é a própria vida: cria, redime, obra prodígios e nada há que se comunique, que convença, que torne os homens irmãos, como ela... Para onde vão pois todos esses gritos, unidos num só grito? Visto que nada se perde, que é que se sustenta no infinito com essa enxurrada de lágrimas? Deus?


Raul Brandão, Os Pobres

N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos"

Podemos regressar finalmente a um sítio, mas não podemos fotografar a nossa infância.

[Lisboa, 11/02/2011]

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O de "O mundo está escuro: ilumina-o" (XI)

Uma tradição que se voltou a cumprir este ano:

F de Fazer História

Fotografia de Alexandra Lucas Coelho, no Cairo:
a palavra escrita no caderno é REVOLUÇÃO.

C de Comfort Food

No restaurante Paladares do Mar:

Mas faltava o Miguel:

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

R de Regresso ao trabalho (IX)

Le travail est lui-même amour, infiniment plus d 'amour que l'individu n 'en peut susciter en autrui. Il est toutes les espèces d'amour.

Rainer Maria Rilke, Le Testament
trad. Philippe Jaccottet, éd. du Seuil, 1983

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

F de Fazer Fotografia (XXXVIII)

Leitura de cabeceira:

L de Ler (IV)

Ontem, aqui, entre as 19h e as 21h, ouvi uma leitura assombrosa de poemas, entre eles "o mais belo poema do século XX". Gostava sempre de acordar, como hoje, com estes versos na cabeça:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

N de "no lugar seguro da próxima Primavera" (III)


No meu caminho diário, algumas árvores decidiram antecipar a Primavera
e, de repente, toda a cidade fica em segundo plano.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

V de Vício (IVb)



Gosto tanto de policiais que até me apetece traduzi-los.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

S de Solidão (ou C de Comunidade) IX

ortofrenia


Aclamações
dentro do edifício inexpugnável
aclamações
por já termos chapéu para a solidão
aclamações
por sabermos estar vivos na geleira
aclamações
por ardermos de mansinho junto ao mar
aclamações
porque cessou enfim o ruído da noite a secreta alegria por escadas de caracol
aclamações
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve
porque outra é indubitável: não se ouve ninguém


Mário Cesariny, Pena Capital (2º ed.),
Lisboa: Assírio & Alvim, 1982

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

F de Fazer Fotografia (XXXVII)

Mais uma razão para regressar a Espanha:
comprar este livro...




... e ver coisas assim.


William Henry Fox Talbot,

"An oak tree in winter", c. 1842-43

"Dandelion seeds", 185o's

B de Biorritmo (LII)

Quero estar

T de "(um) torso dobrado pela música" (III)

Marc Chagall
[Esta também tinha a minha cara, Daniela.]

S de "(Las) simples cosas"




Lista provisória de coisas simples mas redentoras:
uma árvore ainda com folhas para dar no final de um dia mais longo,
um jogo em que ninguém perde, um bar só para amigos,
um beijo antes de adormecer.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

L de Livraria (II)


A caminho da minha livraria preferida.

R de Redenção


A de "Aqui começa o B"


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

F de Fazer Fotografia (XXXVI)


[Obrigada, Mariana]

R de Regresso ao real

Há dias/semanas assim:
André Franquin
in Idées Noires

F de Falar para as árvores (II)

T de "(um) torso dobrado pela música" (II)

Gosto de receber postais assim:
Rei David, relicário do séc. XVIII,
Museu do Abade de Baçal (Bragança)

domingo, 30 de janeiro de 2011

F de Falar para as árvores

[No Príncipe Real]

N de "Never drive a car when you're dead"

"Já viu? Parámos para deixar passar a morte."

[Hoje, às 11h40, de taxi]

sábado, 29 de janeiro de 2011

O de "O mundo está escuro: ilumina-o" (X)



"Cuantas cosas quedaron prendidas
hasta dentro del fondo de mi alma
cuantas luces dejaste encendidas
yo no se como voy a apagarlas."

T de "(um) torso dobrado pela música"

Herberto Helder

F de Fazer Fotografia (XXXIV)


LOUIS DARGET




(1896)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

R de Rebeca (IV)

Atlântico-Sul: Preta e Bela no Cosme Velho: "1. — Elas saltaram para a rua, foram atrás — disse o Marcos quando liguei do aeroporto, a dizer que tinha deixado a chave debaixo do tapete..."

S de Solidão (ou C de Comunidade) VIII

Outra leitora atenta de Rilke:

I de Inverno

[ Lisboa, 27 Janeiro.
Um amigo disse-me entretanto que, mesmo sem folhas, as árvores se dão a si mesmas.
É bonito quando isso também acontece com as pessoas.]

E de Espinhas para um gato (IV)

Marcel Broodthaers
(28 de Janeiro de 1924 - 28 de Janeiro de 1976)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

P de (Dois Anos de) Pássaros (XVIII)

Étienne-Jules Marey
(1830-1904)

"Cronografia de um pássaro a voar"

"Zoetrope"

F de Fazer Fotografia (XXXIII)

[Mais uma descoberta pelos olhos da Daniela]

B de Biorritmo (LI)

M de Música para os meus olhos (X)

No regresso de mais uma consulta de oftalmologia:

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

F de Fazer Fotografia (XXXII)

Um dos meus fotógrafos do coração:

M de Música para os meus olhos (IX)

[Victoria and Albert Museum]
[Smithsonian American Art Museum]

No decurso do século XVIII, tornaram-se populares estas pequenas pinturas de olhos.
Eram usadas para celebrar o amor por uma pessoa que morrera
ou cuja identidade devia permanecer em segredo. Também podiam ser oferecidas
como sinal de que se mantinha um olhar vigilante ou protector sobre alguém.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

C de Carrosséis (XI)

P de (Dois Anos de) Pássaros (XVII)

Quando se está a trabalhar,
todos os sinais de Primavera fazem a sua diferença.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

S de Solidão (ou C de Comunidade) VII

A 11.600 metros de altitude leio dois livros fora-de-mercado. Um é jovem, vem dentro de um pequeno envelope amarelo. O outro é seu ancestral. Contra tudo o que reduz e emudece, a tarefa maior é estarmos fortes, nós que não o somos. O ancestral diz: "É preciso que as pessoas entrem e saiam. Que vivam por toda a parte." E é ele quem diz: "Todos os dias os mortos ressuscitam."


Alexandra Lucas Coelho
in P2, 3 Dezembro 2010

domingo, 23 de janeiro de 2011

O de "O mundo está escuro: ilumina-o" (IX)



S de Salivação (IV)

Começam a chegar sugestões caridosas para se eu tiver mesmo de deixar o café e o chocolate por uns tempos:

sábado, 22 de janeiro de 2011

B de Biorritmo (L)

Mas ainda não é esta a versão de que ando à procura:

F de Falar para as paredes (V)

A julgar pela emenda na última palavra,
alguém que leu Rilke e hesita também entre a solidão e a comunidade:
[Em Alcântara]

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

M de Música para os meus olhos (VIII)

Começa assim o poema:

"Eu hei-de embebedar o coração um dia
E assassiná-lo a rir de encontro ao peito escuro..."

José Duro, "Cego"
in Fel (1898)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

M de Música para os meus olhos (VII)



[Tens razão, Sandra, é mesmo assim que me sinto...]

M de Música para os meus olhos (VI)

A versão mais lenta e bonita desta canção:

R de Regresso ao trabalho (VIIb)


Hoje, às 7h40

L de (A) Luz da Sombra (II)

Luis Buñuel, Él (1952)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

R de Regresso ao trabalho (VII)


Hoje, às 7h45
(ou uma das vantagens de ir a pé para o trabalho)

C de Chocolate Jesus



"Well it's got to be a chocolate Jesus
Make me feel good inside
Got to be a chocolate Jesus
Keep me satisfied"