quinta-feira, 14 de outubro de 2010

M de Museu Imaginário (XII)

Madeline von Foerster - Drawing for "The Promise"
[http://www.madelinevonfoerster.com]

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

P de (Um Ano de) Pássaros (XIV)

Tenho afeição pelo estorninho, se bem
Que não aprove inteiramente os seus
Costumes. Ave proletária,
Nidifica em recessos e buracos, suja tudo
E por vezes deixa os ovos
Onde calha – no relvado da frente, por exemplo.

Ele julga que também sabe cantar. Na Primavera
Estão em todos os telhados, nos altos ramos
Ou nos postes telegráficos, num chinfrim
De notas dissonantes, repetindo os clichés
Dos outros melodistas.

Mas vai a Trafalgar Square
E demora-te, pela tardinha, nos degraus da
igreja de St. Martin;
Vê-os, lá no alto,
Os estorninhos, antes do recolher, numa revoada –
Centenas deles, a girar,
A pairar, a dançar, e todo o sonoro bando
Volteia como um único pássaro: uma imagem
Intuída da cidade.



JOHN HEATH-STUBBS, “The Starling”
in On Wings of Song, Everyman’s Library, 2000.
[Tradução de RPC]

T de Tratado de Pedagogia (XIV)


Arthur Leipzig, "Chalk games", 1950

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

M de Museu Imaginário (XI)

"La Dame à la Licorne (À mon seul désir)",
finais do séc. XV
Musée de Cluny/Paris

sábado, 9 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

P de (The) Privacy of Rain (IV)

[Aconselha-se o visionamento das 4 partes seguidas, para ajudar a chuva a passar.]

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

F de Fazer Fotografia (XX)

Shoji Ueda (1913-2000)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

B de Biorritmo (XXXV)

Passe a ironia:
Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

David Mourão-Ferreira, "Casa",
cantado por Camané in Do amor e dos dias

O de Outono (II)

Las riendas de la vida cogí entre café y café para no quedarme dormido. El poder de la decisión, me dije. La elección moral y estelística que sea mía, que sólo yo sea dueño de mis actos y mis errores, mejor dicho, que sólo los errores que me incumban sean sólo míos sin interminables excusas ajenas. Pero soñaba, ya soñaba. Aquellos cafés no eran suficiente, mantenerme despierto después de toda aquella montaña de papeles amontonados, cosas que leer, textos que escribir, el horror sumergido en el fondo de todos aquellos informes. La vida me esperaba demasiado cargada de bombo, demasiado brava, me tomó por los pelos y me dejó allí a la deriva, medio muerto y ansiando los días refugiado tras los cristales mientras caía el otoño, o llegaba la primavera, vaya, lo mismo es, da igual, estaciones de tránsito, como mi vida, una vida de tránsito entre la obligación y la alegría del hombre libre.

Ignacio Escuín Borao, Habrá una vez un hombre libre
(Huacanamo)

P de (The) Privacy of Rain (III)

Saul Leiter, New York, 1960

domingo, 3 de outubro de 2010

H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar" (VII)

Um dos meus programas preferidos sobre cozinha:

P de (Um Ano de) Pássaros (XIII)


B de Biorritmo (XXXIV)

A de Amor (V)

[Recomenda-se, em nota de rodapé, o documentário que Cédric Klapisch realizou sobre Aurélie Dupont e sobre a dança e a arte em geral e a busca da perfeição e a beleza e o ir mais longe e o entregar-se aos outros e... Chama-se "L'espace d'un instant". Eu também já fui assim; às vezes ainda me sinto assim, felizmente.]

T de Tratado de Pedagogia (XIII)




[…]

Outros, terão pago o luxo do alfabeto num bonito jardim-escola
Com jovens educadoras de infância muito viris e velhas doces
Entre o espanto de haver tantos meninos e o seu temor.
Vejam eu: encontrei o alfabeto na sopa. Em cada domingo
No jantar que se chamava ceia e identificava o domingo
A avó Tina, como num teatro, vinha do fundo da imensa cozinha
Altíssima e misteriosa no branco mágico de todos os dentes
Com o andar pautado de uma cerimónia bem estabelecida
E depunha ao centro da comprida mesa de trez tábuas de pinho
A terrina do pato branco grasnando de bico para mim.

Água, sal, um dente de alho, uma unha de banha, massinha de letras.
A receita mais sóbria para a única sopa sem odor.
O alho era tic apenas, uma vénia à rotina, uma malícia.
Era e não era uma sopa. Era uma iniciação à teoria extreme da forma.

Ao domingo, isto é, nesta sopa, a malga costumeira
Cuja borda estava no horizonte semanal do meu nariz
Dispunha a saia em roda como uma mulher de Buarcos
Virava prato de borda larga, côvo ranço do horizonte
E sobre ele descia a nave brilhante dos prodígios
Lenta como uma coisa com motor, não como se caísse.
A avó, de pé, servia-me a primeira e derradeira concha.

Sem sombra sem som sólida suave sem um salpico
A sopa decorria no prato roubando-lhe o fundo
Onde a maranha de sinais surgia subindo do poço
Prolongado desde mim até ao mais longe de mim
Num ponto que não acabava, nunca acaba, no sítio impossível
Onde origem e fim é igual, no lugar que persigo quando prossigo.

Claro que convenho: pedagogia versus didáctica!
Mas permanece a diferença e a diferença embaraça.
[…]

O que é a escrita? Arpoar baleias? Petiscar enfados?
Brincar laboriosamente com letras na borda do prato?
O aceitar regras transgredindo regras, criar regras
Recusar tudo no aceitar de tudo mas intervindo sempre
Com uma colher de obstinação, duas colheres de fome,
Trez colheres de desdéns?



Fotografia: Willy Ronis, 1946
Poema: João Pedro Grabato Dias, Facto-Fado (edição do autor)

P de (Um Ano de) Pássaros (XII)

Lisboa, 02/10/10

sábado, 2 de outubro de 2010

F de Fazer Fotografia (XIX)


Edouard Boubat, "L'arbre et la poule", 1950

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A de Altar (II)

Lisboa/Setembro 2010

A de Altar

Viana do Castelo/Agosto 2010