quinta-feira, 31 de maio de 2012
E de "É assim que se faz a História. Sem palavras a mais." (XXVI)
«"Transformer le monde", a dit Marx; "Changer la vie", a dit Rimbaud; ces deux mots d’ordre pour nous n’en font qu’un.»
ANDRÉ BRETON
quarta-feira, 30 de maio de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
segunda-feira, 28 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
E de Espera (XVIII)
INCERTEZA
Até onde nos transformam as certezas?
Como o gato de Schrödinger,
não sei
se vai viver,
até que abro a caixa:
agradeço ao amor a sua incerteza.
Josep M. Rodríguez
[Trad. ID]
[Trad. ID]
[...]
[...]
Peço-te notícias tuas e da pouca gente que interessa. E auguro-te uma possibilidade de saída. Sei que nunca serás afogado por santaréns e isso assegura-me no que respeita à viagem de que participamos nós dois e uns tantos mais que resistem como se pode e quanto se deve. Deixa os papagaios com os seus joguinhos de paciência. Nunca aprenderão nada que já não saibam e o que sabem é o lixo da Consciência Geral. Escreve.
[...]
Manuel de Castro, Nada de mutações bruscas na paisagem,
Lisboa: Alexandria, 2003
quinta-feira, 24 de maio de 2012
C de Começar o dia com um livro novo (VIII)
2
Da paixão cansei me (pode acolher tanta morte um corpo, esse mesmo que brilha à luz do desejo, esse mesmo que guarda a promessa da alegria). A verdade gastou se (é o mais fácil de perceber: a verdade gasta se, quando chegamos ao lugar de a encontrar, sabemos por fim que não existe). Sobrou o que sou e o que não sou também, pelo meio a linha de uma estreita solidão, e é isto que te dou (isto o que te posso dar). Só aqui, só agora, este sorriso de estar vivo, e por vezes o cansaço, tantas vezes o cansaço (que embora não pareça, faz parte do sorriso). E agora já me entendes? E agora ainda me queres?
- Jorge Roque, Canção da Vida,
Lisboa: Averno, 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
T de Tempo Sem Tempo (X)
PAISAGEM IDEAL
Tínhamos de aceitar o mundo como nos era dado:
A ama passivamente sentada no parque
Raro abordada por príncipe disfarçado.
As manhãs sucediam-se iguais e nuas
Em salas de ser-eu onde nós acordávamos
Para ver o hoje como o ontem desdobrado.
Os nossos amigos não eram de beleza sobrenatural
Nem falavam com línguas de ouro; os nossos amantes
Atabalhoados quando mais perfeição esperávamos,
Ou escondiam-se em armários, os céus a troar.
O humano erguia-se para sempre nos assombrar,
Maculado, em carne viva, exigindo mais do que podíamos tolerar.
E sempre o tempo a correr como um eléctrico
Pelas ruas de uma cidade estrangeira, ruas
A desembocar em praças amplas e soalheiras
Que nunca reveríamos, nem mapa algum poderia mostrar -
Jamais aquelas fontes na mesma luz lançadas,
As estátuas verdes e brancas, as árvores douradas.
- Adrienne Rich, Uma Paciência Selvagem (Cotovia)
Tínhamos de aceitar o mundo como nos era dado:
A ama passivamente sentada no parque
Raro abordada por príncipe disfarçado.
As manhãs sucediam-se iguais e nuas
Em salas de ser-eu onde nós acordávamos
Para ver o hoje como o ontem desdobrado.
Os nossos amigos não eram de beleza sobrenatural
Nem falavam com línguas de ouro; os nossos amantes
Atabalhoados quando mais perfeição esperávamos,
Ou escondiam-se em armários, os céus a troar.
O humano erguia-se para sempre nos assombrar,
Maculado, em carne viva, exigindo mais do que podíamos tolerar.
E sempre o tempo a correr como um eléctrico
Pelas ruas de uma cidade estrangeira, ruas
A desembocar em praças amplas e soalheiras
Que nunca reveríamos, nem mapa algum poderia mostrar -
Jamais aquelas fontes na mesma luz lançadas,
As estátuas verdes e brancas, as árvores douradas.
- Adrienne Rich, Uma Paciência Selvagem (Cotovia)
segunda-feira, 21 de maio de 2012
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