terça-feira, 22 de dezembro de 2009

F de Foi deste poema que te falei:

UM POUCO MAIS QUE HAIKU DE AMOR


Tenho medidos os dias a cigarros, rápidos e imprecisos,
fumados até ao litoral dos teus olhos. Continuo...
no mesmo sítio de sempre, devolvendo
às cadeiras o sorriso emprestado pela familiaridade
dos seus gestos tão pouco poéticos.

Tenho acertado os dias pelos copos e agora
estão - ou estarei eu? - vazios. Vai-me pedindo
mais uma cerveja, que eu vou convocar
certos demónios no espelho da casa de banho e, depois,
beber um pouco de água opaca, lavar bem as mãos, secá-las
e regressar à mesa quatro minutos menos feliz.

Não morras nunca, digo-te, acrescentando logo a seguir
que, mesmo assim, não quero falar da morte,
muito embora - desculpa-me a insistência -
o teu cabelo hoje me pareça mais preto que nunca.
Sorris.

É o que me vale, sabes sempre sorrir tão bem.


David Teles Pereira
in Criatura, n.º 4 (Dezembro 2009)

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