terça-feira, 6 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

F de Fazer Fotografia (XI)


B de Biorritmo (XXII)

MORGEN

Música: Richard Strauss

Texto: John Henry Mackay

Elisabeth Schwarzkopf, Soprano / LSO, George Szell





Und morgen wird die Sonne wieder scheinen,/und auf dem Wege, den ich gehen werde,/ wird uns, die Glücklichen, sie wieder einen/ inmitten dieser sonnenatmenden Erde...// Und zu dem Strand, dem weiten, wogenblauen,/ werden wir still und langsam niedersteigen,/ stumm werden wir uns in die Augen schauen,/und auf uns sinkt des Glückes stummes Schweigen...

[And tomorrow the sun will shine again/ And on the path that I shall take/ It will reunite us, the blessed ones,/In the midst of this world that breathes in the sun...// And to the broad shore, lapped by blue waves,/ We shall quietly and slowly climb down,/ Silently we shall look into each other's eyes/ While upon us descends the silence of true bliss...]

sábado, 26 de junho de 2010

C de Carrosséis (IX)


"[...] I have seen things that I can't explain/ Looking through windows, feeling the same/ I have seen moments I'd like to share [...]"

quarta-feira, 23 de junho de 2010

M de Museu Não Imaginário

Sandra Filipe

B de Biorritmo (XXI)

terça-feira, 22 de junho de 2010

M de Museu Imaginário (VI)

Quando se gosta mesmo de uma obra de arte,
também nos sentimos parte dela:

Collier Schorr, "Arrangement # 21 (Geraniums)" in GERMAN FACES (exposição temporária no Museu Colecção Berardo)

T de Tratado de Pedagogia (VI)

JOVENS


Escrevam o que queiram.
No estilo que lhes pareça melhor.
Passou demasiado sangue sob as pontes
para continuar-se a crer
que possa seguir-se um só caminho.

Em poesia tudo é permitido.

Com a condição expressa
é evidente
de superar-se o papel em branco.


Nicanor Parra
(tradução de Jorge de Sena)
retirado daqui.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

B de Biorritmo (XX)

LA CALESITA DEL TIEMPO
Nacho Whisky


Las heridas y los sueños
se citaron una noche.
Nadie sabía la hora,
nadie sabía el lugar.

Las cargaban en el alma
tres hombres del tiempo de antes
que se fueron por la vida
apuntando a la razón.

La calesita* del tiempo
les devolvió la sortija.
Uno contaba del oso,
el otro habló del camello
y el tercero dió jirafa
porque apuntaba hacia el cielo
y se tomaron el vino
de la revancha final.

Las lágrimas se escondieron
por honor y por mentira
y en la arruga del pasado
les floreció el corazón.

Y la aguja perforada
del obelisco porteño
les remendó las miradas
y el dolor se iluminó.

Cuarteto Cedrón,
Piove en San Telmo (canciones lunfardas), 2004
* calesita = carrossel

quinta-feira, 17 de junho de 2010

M de Mesa de Amigos (III)

"Y tú siempre vas por la vida así, eligiendo restaurantes?"

Manuel Vásquez Montalbán
Asesinato en el Comité Central

quarta-feira, 16 de junho de 2010

P de Primavera (XIII)


Santarém (Maio 2010)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

T de Tampa

domingo, 13 de junho de 2010

P de (No) princípio (era...) IV

O princípio de um dos meus filmes preferidos de sempre:

C'est l'histoire d'un homme qui tombe d'un immeuble de 50 étages. Le mec, au fur et à mesure de sa chute, il se répète sans cesse pour se rassurer:

"Jusqu'ici, tout va bien."

"Jusqu'ici, tout va bien."

"Jusqu'ici, tout va bien."

Mais l'important, c'est pas la chute. C'est l'atterrissage...

sábado, 12 de junho de 2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

B de Biorritmo (XIX)

C de Carrosséis (VIII)



Robert Doisneau, "Le manège de Monsieur Barre" (1955)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

J de (O) Jardim e a Casa

Porto/Junho 2010

"Era uma vez um jardim maravilhoso, cheio de grandes tílias, bétulas, carvalhos, magnólias e plátanos.
Havia nele roseirais, jardins de buxo e pomares. E ruas muito compridas, entre muros de camélias talhadas.
E havia nele uma estufa cheia de avencas onde cresciam plantas extraordinárias que tinham, atada ao pé, uma placa de metal onde o seu nome estava escrito em latim.
E havia um grande parque com plátanos altíssimos, lagos, grutas e morangos selvagens. E havia um campo com trigo e papoilas, e um pinhal onde entre mimosas e pinheiros cresciam urzes e fetos."
Sophia de Mello Breyner Andresen, O Rapaz de Bronze
[Visitei ontem o jardim,
que continua maravilhoso e é actualmente o Jardim Botânico do Porto,
no Campo Alegre.]

quinta-feira, 3 de junho de 2010

M de Morte (II)

MINIMAL EXISTENCIAL


Quando morrermos,
não haverá divisões, nem fronteiras, nem estatutos.
Haverá, quando muito, um nome.

[tu sabias, querida Emily,
tu sabias quando disseste
“forever – is composed of nows –“]

Haverá valas comuns, túmulos
opulentos, gente que chorará a partida
de alguns, ignorando a vida de outros.

Quando eu morrer,
enterrem o caixão longe do meu corpo.


Paulo Tavares

quarta-feira, 2 de junho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

V de Viagens (IV)

RUPTURA - III


Levantou-se e saiu
ainda gotejante.

Tinha uma mala de viagem à espera
e um caderno de pequenos textos
onde colara durante intervalos estáveis
recortes de películas a preto-e-branco.

Na mala, faltavam algumas
peças de roupa essenciais;
no caderno de pequenos textos,
finais plenos.

No entanto, era óbvio para ela
que bastavam aqueles dois utensílios
para suportar o peso inconstante
da felicidade ou do infortúnio
e que neles caberia o volume incerto
de qualquer aventura.



Paulo Tavares, Minimal Existencial,
Lisboa: Artefacto, 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

B de Biorritmo (XIX)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

P de Primavera (XII)

O meu perfume de Primavera chama-se "La chasse aux papillons"
(L'Artisan Parfumeur - Paris).


Max Ernst, "33 fillettes chassant les papillons", 1958
(Museo Thyssen-Bornemisza - Madrid)

I de Inverness (II)

GRAND HOTEL KØBENHAVN, 326


Onze horas: a tua mão adormecida marca
agora um conto de Karen Blixen
– veremos em breve essa casa cinzenta,
em Helsingør – enquanto eu ouço uma sonata
de Scarlatti tocada por Scott Ross
e sei que também isso ficarei a dever à Dinamarca.

Apontamentos culturais? Podem até chamar-lhes
assim, ignorando a áspera nudez da voz,
o grito comum que viemos suspender aqui.
Lá em baixo, por exemplo, os funcionários do
restaurante, terminado o serviço, abrem
a terceira garrafa de champanhe e fumam
ruidosamente, como se amanhã não existisse.

A questão, no fundo, é apenas esta: há momentos
em que a vida nos parece quase bela,
escolhos onde embatem as mais íntimas certezas.

Talvez adormeçamos lado a lado,
de costas para a morte, e haja corsários ao fundo,
um mar de gelo protegendo-nos da noite.


Manuel de Freitas, Brynt Kobolt

T de Tratado de Pedagogia (V)

"Não acredito na arte para eleitos, e lembro, a este propósito, uma frase que ouvi a Caetano Veloso: Todo o mundo pode entender tudo. Acredito, e quero continuar a acreditar, nesta formulação tão simples."

in

segunda-feira, 17 de maio de 2010

I de INVERNESS (Ana Teresa Pereira)

Pierre-Auguste Renoir, "A Onda", 1879

domingo, 16 de maio de 2010

M de Museu Imaginário (V)

Separados à nascença?

Francisco de Goya, "Riña de gatos", 1786-88 (Museo Nacional del Prado)



Jardim Bordallo Pinheiro/Museu da Cidade (15 Maio 2010)

sábado, 15 de maio de 2010

M de Museu Imaginário (IV)

Exposição "Joana Vasconcelos - Sem Rede"

(CCB/15 Maio 2010)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

E de (Dia da) Espiga




P de Primavera (XI)

primavera primeira


estremeço desde o princípio do meu rosto
desde o momento em que sorri e me sorriram
e é nesse lugar ínfimo que suspendo todas as palavras
que fecho os olhos e sinto a frescura de todas as águas
o oceano que cessa e atende o esvoaçar da primavera

é a primeira primavera de todos os outonos
é aqui que em silêncio se bordam os calendários
dias entre dias e sobre dias e as memórias que escapam
e não mais se alcançam se não nos tornarmos menores
- no futuro não há edquecimento nem segredos
cada coração guarda apenas o que for mais comum.


Vasco Gato, Um Mover de Mão,
Lisboa: Assírio & Alvim, 2000

quarta-feira, 12 de maio de 2010

P de Primavera (X)


Rose d'or (c. 1330),
Musée de Cluny/Paris

segunda-feira, 10 de maio de 2010

F de Futebol

O futebol tem momentos muito bonitos:



(9 Maio 2010)

domingo, 9 de maio de 2010

H de "Hay que beber para recordar y comer para olvidar"

Ontem jantei outra vez com este poema:

Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

ANTÓNIO RAMOS ROSA
(na parede do Louro & Sal, Bairro Alto)

sábado, 8 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

B de BIOGRAFIA, de David Teles Pereira (Língua Morta, 2010)

Um dos poemas começa assim:


Há dias em que não penso uma só palavra
que queira dizer-te, dias em que as fronteiras entre os homens
se encontram permanentemente abertas ao estreitar de mãos,
como laços de gravata a fecharem-se sobre o colarinho da camisa.
Não penso sequer na tua nuvem a morrer todos os dias à minha porta,
mas diz-me, diz-me afinal de contas tudo o que quiseres.
É que eu, eu passei demasiado tempo na tua pele,
a sonhar os gregos com intenções de cerâmica e laser,
e agora é Outono a caminho do teu rosto,
resta-me passar a rua pelos olhos, pedir café e uma amostra de cinema [datado,
tal como a originalidade da nossa história,
entregue a amanuenses talentosos na hora de nos ortografar bem.


Vou tentar curar a minha falta de palavras de hoje com uma rua,
um café e algum cinema datado.
Por esta ordem precisamente.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

W de Wild is the wind

Hoje esteve um dia de vento propício a momentos assim:
"Sometimes there's so much beauty in the world..."
(embora eu continue a preferir a écharpe branca que cai em La mariée était en noir, do Truffaut)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

T de Tai Chi

Pronto estábamos en la mañana como um grupo que hace
tai chi en un parque.
Nuestros cuerpos eran sencillos
y realizábamos movimientos repetitivos para obtener un alma.


Juan Andrés García Román,
"Capítulo 00. Del nacimiento de la melancolía"
(com epígrafe de Tom Waits)

G de Greve

Há males que vêm por bem. A minha vista da greve de hoje foi assim:

segunda-feira, 26 de abril de 2010

P de Primavera (IX)



As flores vieram de cá, mas a jarra trabalhava como garrafa de água em Madrid. Achei que era um azul demasiado bonito para ser reciclado e convidei-a para conhecer uma sala também azul. Ontem, pressentindo talvez a importância das flores na celebração do feriado, o botão transformou-se numa terceira coroa imperial.

domingo, 25 de abril de 2010

C de Cravos

Le Livre d'Heures de la Reine Anne de Bretagne (1508)

E de Eu fui...

Gosto de concertos assim, que me lembram de quando tinha a carne intacta, achava que era vagamente imortal e não parava a meio do concerto para calcular quantas horas de sono ia conseguir ter antes do trabalho (aliás, nem pensava muito no dia seguinte). Tem o seu lado terapêutico.

Olly Moss

(um dos muitos posters em http://omgposters.com/)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

P de Primavera (VIII)

Porque a Primavera nem sempre depende dos meteorologistas, mas sim dos amigos. Às vezes é apenas uma flor que escapa de uma natureza morta e se passa de mão em mão dentro de uma caixa. Ou uma flor guardada entre as páginas de um livro improvisado. Ou uma cave em que há noite convivem túlipas e harpas.



FLOR SUFICIENTE

Uma idade em que nos apetecia ainda
falar de idade, sem futuro nem constrangimentos.

Para o Manuel
A doce insolência de uns dias
mais a sul, esse regresso pontual aos lugares
onde fiz à pressa os primeiros seis anos
e quis ser tudo menos, é claro,
poeta, emprestou-me uma razão.
Na demora do crepúsculo a luz
inchava e fez parecer
belo o fim da rua que subi.

Entro no supermercado, atravesso
sozinho os corredores enquanto penso
na glória obscena e acessível
deste nosso princípio de século.
Bolachas e iogurtes, fiambre, um saco
de café, cervejas e sabão. Não é
o real quotidiano, mas umas coisas
que tinha em falta quando saí.

Volto por um outro caminho
a ver se espreito um pouco dessa vocação
litoral. Putos dos que têm ainda
as ruas e montam ventos (desses
que às miúdas levantam as saias), andam
aos chutos na fuça do mar, trepam descalços
às árvores e fazem guerra com a fruta.

Um acerta outro em cheio e grita
morreste!, esse cai cá abaixo. Larga cuspo
nos dedos, esfrega a estrela de sangue
que lhe abre o joelho e volta lá para cima.
Morrer e matar, também brincámos
a isto. Mas a coisa depois foi
ficando séria. Deixámos para trás
infâncias épicas, muitas mesmo
inventadas. O tempo mordia-nos então
com doçura, agora, às vezes,
magoa.

À distância (segura) de algumas pedradas,
devolvemos imagens à memória,
nós como eles, trincando o caule das azedas
com uns dois, três cães velhos
sempre por perto, ao alcance de um
último afago, de vez em quando as sobras
do lanche, pedaços do pão com manteiga.

Um dos miúdos isolou-se entretanto.
Com um isqueiro, a chama lambendo
as murtas, ele soprando a cinza. Os olhos
à frente, devagar, batendo a beleza cansada
de terra baldia, a medir com um suspiro
ou mais a dimensão desse jardim deserto.

O mesmo assobio, tão antigo,
o mesmo vigor melodioso, preso entre
aqueles dois lábios breves e a falta
de ritmo que dói nestes versos.
Um silêncio afogando-se noutro
e a cor que o atingiu aos poucos.
Abrindo o mais que pôde, uma flor
foi suficiente para aproximar-nos
em idade e no resto.

Diogo Vaz Pinto

domingo, 18 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

T de Toponímia Poética

Calle del Desengaño,
em Madrid.

(Dá um bom título, não dá?)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

T de Tratado de Pedagogia (IV)

"Si usted es un pirómano de libros se habrá fijado en que los libros de versos arden mejor que los de prosa. Los espacios en blanco facilitan la combustión."

Manuel Vásquez Montalbán,
Asesinato en Prado del Rey y otras historias sórdidas

M de Museu Imaginário (III)

 


Rafael, "Retrato de um jovem (Alexandre de Medicis?)", c. 1515
(Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid)


 

sábado, 10 de abril de 2010

B de Biorritmo (XVIII)

Cuando llegues a Madrid, chulona mía
voy a hacerte emperatriz de Lavapies;
y alfombrarte con claveles la Gran Vía,
y a bañarte con vinillo de Jerez.
En Chicote, un agasajo postinero
con la crema de la intelectualidad
y la gracia de un piropo retrechero
más castizo que la calle de Alcalá.

Madrid, Madrid, Madrid,
pedazo de la España en que nací
por algo te hizo Dios
la cuna del requiebro y del chotis.
Madrid, Madrid, Madrid,
en Méjico se piensa mucho en tí
por el sabor que tienen tus verbenas
por tantas cosas buenas
que soñamos desde aquí;
y vas a ver lo que es canela fina
y armar la tremolina
cuando llegues a Madrid.

Agustín Lara, "Madrid"
(não sei porquê, fiquei com esta música na cabeça...)

terça-feira, 30 de março de 2010

O de Objecto(s) de desejo (III)

Poesia Incompleta: dona Inês, cá estão as lombadas que enervam

U de "Últimos olhos"

Às vezes há coisas que gostava de fotografar, para as poder conservar de algum modo. No sábado, por exemplo, gostava de ter fotografado a cinza que ia crescendo no cigarro, sem cair, enquanto se lia um poema chamado "O fumo" - a cinza que esperou até que o poema terminasse. Se calhar é por isso que gosto dos filmes de Wong Kar-Wai (ou do filme de Tom Ford), em que um instante desses se pode transformar num plano lento e incrivelmente belo e perfeito.

sábado, 27 de março de 2010

E de Eu vou...


segunda-feira, 22 de março de 2010

P de Postais (II)

Este veio de uma livraria pequenina em Montmartre, com tantos livros de poesia espalhados por todo o lado que mal se conseguia entrar. Enfim, o paraíso...

P de Primavera (VII)



Ofereceram-me este bocadinho de Primavera:
é um sabonete da Confiança,
comercializado entre 1930 e 1960
e reeditado em 2008 para A Vida Portuguesa.

sábado, 20 de março de 2010

M de Museu Imaginário (II)

Todos os quadros de Dominguez Alvarez, a começar por estes dois: Homem a correr à chuva e À Chuva (1930).

P de Primavera (VI)

sexta-feira, 19 de março de 2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

E de Espinhas para um gato

O Barnabé já devia conhecer este poema antes de mim...
CAT IN AN EMPTY APARTMENT


Die - you can't do that to a cat.
Since what can a cat do
in an empty apartement?
Climb the walls?
Rub up against the furniture?
Nothing seems different here,
but nothing is the same.
Nothing has beem moved,
but there's more space.
And at nightime no lamps are lit.

Footsteps on the staircase,
but they're new ones.
The hand that puts fish on the saucer
has changed, too.

Something doesn't start
at its usual time.
Something doesn't happen
as it should.
Someone was always, always here,
then suddenly disappeared
and stubborny stays disappeared.


Every closet has been examined.
Every shelf has been explored.
Excavations under the carpet turned up nothing.
A commandment was even broken:
papers scattered everywhere.
What remains to be done.
Just sleep and wait.

Just wait till he turns up,
just let him show his face.
Will he ever get a lesson
on what not to do to a cat.
Sidle toward him
as if unwilling
and ever so slow
on visibly offended paws,
and no leaps or squeals at least to start.


Wislawa Szymborska
in The Great Cat - poems about cats
(Everyman's Library)

T de Tratado de Pedagogia (III)

Com muitos anos de atraso, descubro estas palavras na parede do meu antigo liceu. As escolas, apesar de terem centenas de pessoas lá dentro, podem ser sítios muito solitários também:


(Lisboa, Março 2010)

sábado, 13 de março de 2010

P de Primavera (V)

En ce monde nous marchons
sur les toits de l'enfer
et regardons les fleurs.

Kobayashi Issa

sexta-feira, 12 de março de 2010

P de Primavera (IV)

A Primavera trabalha em part-time no Mercado da Flor da Ribeira:
2ª e 4ª das 7h às 14
e 6ª das 16h às 20h.



quarta-feira, 10 de março de 2010

B de Biorritmo (XVI)

P de Primavera (III)

E ninguém pára a Primavera. Ela ri-se do perigo e infiltra-se, com as suas floritas aparentemente inocentes, até nas instalações eléctricas mais sérias. Como nesta, que vejo quase todos os dias:


sábado, 6 de março de 2010

B de Biorritmo (XV)

"Where I come from nobody knows and where I am going everything goes. The wind blows, the sea flows, nobody knows. And where I am going, nobody knows."



in O Retrato de Jennie

(passou ontem na Cinemateca)

quinta-feira, 4 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

P de Primavera (II)

Tenho a sorte de estar rodeada por pessoas para quem, independentemente de chuvas e cansaços, a Primavera já chegou - ou está mesmo a chegar.

Ribatejo/2008

domingo, 28 de fevereiro de 2010

M de Museu Imaginário




Vieira da Silva, "La grille", 1931
(Fundação Arpad Szènes - Vieira da Silva)

P de (Oh, what a) Perfect Day

De vez em quando, há dias em estado de quase graça. Começam, por exemplo, com um vento igual ao de Santa Cruz nos setembros da minha memória; aprende-se a "levar o tigre para a montanha" e recebe-se o lai-si, como se pudéssemos começar de novo o ano; descobre-se, numa exposição pequenina, o retrato em criança de alguém que conhecemos quarenta anos depois; sorrimos por estar entre amigos que sabem que o silêncio também pode ser aconchegante quando partilhado; e acabam num restaurante, com a coincidência perfeita de ouvir de repente, em fundo, a canção de que se estava a falar.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

T de Tratado de Pedagogia (II)

INTRODUCTION TO POETRY


I ask them to take a poem
and hold it up to the light
like a colour slide

or press an ear against its hive.
I say drop a mouse into a poem
and watch him probe his way out,

or walk inside the poem's room
and feel the walls for a light switch.

I want them to water-ski
across the surface of a poem
waving at the author's name on the shore.

But all they want to do
is tie the poem to a chair with rope
and torture a confession out of it.

They begin beating it with a hose
to find out what it really means.


Billy Collins

L de Levantar a cabeça (III)

"We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars."

Oscar Wilde

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

P de Postais (para o Saulo)

Este chegou da Síria nas férias grandes:


domingo, 21 de fevereiro de 2010

B de Biorritmo (XIV)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A de Acabar o dia com um novo filme

Priest: If men don't trust each other, this earth might as well be hell.
Commoner: Right. The world's a kind of hell.
Priest: No! I don't want to believe that!
Commoner: No one will hear you, no matter how loud you shout. Just think. Which one of these stories do you believe?
Woodcutter: None makes any sense.
Commoner: Don't worry about it. It isn't as if men were reasonable.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

B de Biorritmo (XIII)

"I love the sound of a jukebox playin' (...)"

A de Amor (II)



(Vala, Dezembro 08)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

E de Escritório



Um escritório improvável, no centro de Lisboa, com vista para o rio.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

C de Carrosséis (IV)

http://omelhoramigo.blogspot.com/2010/02/carrossel.html

P de Parabéns (II)

AZUL DE GIOTTO
Quatro meses são passados,
hoje é Sexta-Feira Santa

outra vez no calendário.
À luz de archotes na noite

pintada de azul em fundo,
Giotto captou o beijo

que se não vê na pintura:
sobressai imenso manto

que ilumina toda a cena
pelo avesso da hora

de trevas desse momento
- o manto do próprio Judas.

O falso brilho do pano
convoca ao centro o olhar.

Assim Giotto pintou
- oiro sobre azul, um beijo.

José António Almeida, Obsessão, Lisboa: &etc, 2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010

N de Nuvens

(Charles Schulz, Peanuts)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A de Agarrar a cauda do pássaro

É o nome de um dos movimentos que aprendi hoje na minha primeira aula de Tai Chi (aliás, acho que o movimento parece ainda mais bonito depois de se saber o nome).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

P de Primavera

Começam a nascer as primeiras flores, mesmo nos sítios mais solitários e nos momentos mais inóspitos. Sabem mais do que nós, as flores.



(Lisboa, Fevereiro 2010)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A de Acabar o dia com um livro novo (comprado no centro do mundo)

THREE THINGS TO REMEMBER


A robin redbreast in a cage
Puts all Heaven in a rage.

A skylark wounded on the wing
Doth make a cherub cease to sing.

He who shall hurt the little wren
Shall never be loved by men.


William Blake
in On Wings Of Song - poems about birds
(Everyman's Library Pocket Poets)

L de Ler (III)


(Um marcador tão bonito que até dá vontade de ir aos Açores. Obrigada, Renata!)

domingo, 31 de janeiro de 2010

V de Vida (II)

Eva - É preciso aprender-se a viver. Eu treino todos os dias.

in Ingmar Bergman, Sonata de Outono

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

V de Vida/Morte/?

QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS


Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.

Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.

Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.

Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.

Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.

Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.

Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.

Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.

Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.

Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.

Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.

Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.

Natália Correia

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

B de Biorritmo (XII)

domingo, 24 de janeiro de 2010

R de Regresso ao Trabalho (II)

Desejo a todos que amanhã comece mais uma semana cheia de "alegria no trabalho":


(Alcântara, Janeiro 2010)

C de Conto da Primavera

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A de Afinidades Electivas

Já Goethe dizia que as afinidades eram electivas, mas Jorge Reis-Sá (citado na última Time Out) vai mais longe: "As escolhas são sempre mais electivas". Indiscutível...

F de Fazer Fotografia (IX)


Izis Bidermanas, "Homme aux bulles de savon" (Londres, 1950)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

F de Fazer Fotografia (VIII bis)

Há dias que começam com sinais muito contraditórios. Hoje, a caminho do trabalho, fui presenteada com um arco-íris enorme. Já tinha decidido que só podia ser um bom sinal, um sinal a guardar em fotografia para substituir o arco-íris que o portátil "desfragmentara", quando descobri que deixara a máquina em casa. Mau sinal? Talvez não. Logo a seguir começou a chover e descobri mais uma coisa: que o guarda-chuva ficara em casa, ao lado da máquina. Se calhar, era mesmo mau sinal. Cheguei completamente encharcada ao trabalho, mas acabei por decidir que aquele arco-íris, já nada nem ninguém me tirava. Era um bom sinal. Até agora, não tenho provas em contrário...

domingo, 10 de janeiro de 2010

F de Fazer Fotografia (VIII)

O computador portátil dediciu desfragmentar a pen com as minhas fotografias dos últimos três anos. Fiquei deprimida, como se perder aqueles três anos de imagens eqivalesse efectivamente a perder três anos de vida; aliás, a perder toda a parte feliz desses três anos, porque só essa se fixa normalmente. No inventário de instantes perdidos, doeu-me sobretudo o arco-íris, de um lado ao outro da lezíria, que tinha conseguido surpreender numa manhã de Novembro.
Se calhar começo a perceber que, quanto mais tentamos possuir e guardar as coisas, mais nos arriscamos a perdê-las; devemos sobretudo vivê-las.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

B de Biorritmo (XI)

I made a small small song
made a small small song
I sang it all night long
All through
The wind and rain
Until the morning came

This song is my small song
This song is my small song
I sang it all night long
And when
The morning came
I had to start all over again

My song is so so small
My song is so so small
I could get down and crawl
Searching from
Wall to wall
And never see
Anything at all

How could you hate
Such a small song?
How could you hate
Such a small song?
If I was right
I would be wrong
Don't be afraid
It's just a small song

Lhasa de Sela,
no disco "The Living Road"

C de Carrosséis

Acabei de ouvir, nas notícias, estas declarações de um proprietário de carrossséis em protesto:
"Fazemos tanta parte das festas como as procissões. (...) Vendemos sensações lúdicas, saudáveis."
Subscrevo a primeira parte; sempre gostei mais dos carrosséis. Mesmo (talvez ainda mais) agora.