domingo, 28 de fevereiro de 2021
I de Intimidade - b
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
S de "Sempre disse tais coisas esperançad@ na vulcanologia" - XXX b
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
T de (Uma) teoria de pássaros (XXXIV)
Lawrence Ferlinghetti, A poesia como arte insurgente,
trad. de Inês Dias,
Lisboa, Relógio D'Água, 2016
sábado, 20 de fevereiro de 2021
T de Tempo Sem Tempo (VI)
domingo, 14 de fevereiro de 2021
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
A de A propósito de melros *
mas eu permaneço aqui.
A sua música não muda, já o escrevi.
No entanto o meu trabalho é constatar o óbvio
e isso é o que o melro me vem recordar.
O tempo passa, as pessoas envelhecem, morrem
pela sua própria mão ou com ajuda.
As palavras vão descendo pelo escoadouro
do que alguém chamou a intra-história.
Tudo flui e perde-se, os rios no mar,
o mar na imensidão inabarcável do cosmos,
o cosmos no nada de onde não deveria ter saído.
Entretanto vamos dando às teclas.
Um tamborilar contra séculos de morte programada
e um futuro de certeira incerteza.
Um batalhão de patéticos amanuenses do esquecimento
exigindo duas camisas para o caminho até ao patíbulo.
O frio não é porém o problema, antes o medo.
E é o melro, na sua ignorância, quem conhece a verdade.
Cumpre sem a mínima estridência
o ritual que a biologia lhe impôs.
E de súbito morrerá. Sem epitáfios, como este,
que hão-de desfazer-se com uma careta indiferente
entre as chamas da última noite da Terra,
quando já ninguém reconhecerá qualquer significado,
se é que algo alguma vez teve significado.
A única coisa que se movia
Era o olho de um melro.
Eu tinha três ideias em mente,
Tal como uma árvore
Em que estão três melros.
Era uma ínfima parte da pantomina.
São um.
Um homem e uma mulher e um melro
São um.
A beleza das entoações
Ou a beleza dos subentendidos,
O melro a assobiar
Ou o instante depois.
De vidro bárbaro.
A sombra do melro
Atravessava-a, de um lado para o outro.
O ambiente
Desenhava na sombra
Uma causa indecifrável.
Porque é que imaginam pássaros de ouro?
Não vêem como o melro
Anda entre os pés
Das vossas mulheres?
E de ritmos lúcidos, irresistíveis;
Mas sei, também,
Que o melro faz parte
Daquilo que sei.
Marcou o limite
De um de muitos círculos.
A esvoaçar na luz verde,
Até as alcoviteiras da eufonia
Gritariam subitamente.
Numa carruagem de vidro.
Um dia, o medo apoderou-se dele,
Ao confundir
A sombra dos seus cavalos
Com melros.
O rio move-se.
O melro deve estar a voar.
Estava a nevar.
E ia nevar.
O melro pousou
Nos ramos do cedro.
CANTO DA CHÁVENA DE CHÁ
Mestre,
O dia foi breve menos do que os outros possível
tão breve a passagem dum melro todo amarelo no canto
foi só escrever o poema
e logo a noite tão breve
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
C de Começar o dia com um livro novo (XXXI)
fiquei com pouco tempo
para dar à claridade
e as abelhas já não vêm
pôr mel dentro das rosas.
às vezes, a minha sombra
é um pedaço de risco,
qualquer coisa desavinda
a que o Sol quer dar sustento.
quem disse que a memória
é sempre muito antiga?
quem falou de uma aranha
para tecer a eternidade?
domingo, 24 de janeiro de 2021
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
M de 'Memory of a bird' (III)
Só para te ouvir cantar
E foi doce e foi bom
E o amor estava ainda a despontar
Despeço‑me de ti, meu rouxinol
Foi há muito que te encontrei
Falha agora o teu belo canto
E a floresta fecha‑se à tua volta
O sol põe‑se a coberto de um véu
Era agora que me chamavas
Por isso descansa em paz, meu rouxinol
Sob o teu ramo de azevinho
Despeço‑me de ti, meu rouxinol
Vivia para estar ao teu lado
Continuas a cantar noutro sítio
Mas deixei de poder ouvir ‑te
domingo, 10 de janeiro de 2021
P de "Pelos caminhos da manhã" (VIII)
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Merry Christmas (III)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
M de 'Mourned by the wind'
"[...]
Este texto não existiria se eu não tivesse visto ontem, no claustro da Sé de Lisboa, uma grade românica do século XIII. Há oito séculos que estes pássaros não cantam, que estas cobras não deslizam pela relva húmida, que estas osgas não sobem paredes esboroadas. Ninguém sabe, aliás, que mãos lhes deram forma, que nome atribuir à beleza leve e robusta desta grade. Sabemos apenas, como diria Rui Chafes, que ali o ferro se fez vento - e que o vento chegou até nós, incólume e cantante. Estes pássaros, estas cobras, estão muito mais vivos do que nós, indiferentes a modas, balanços e ao Juízo Final. Não têm tempo, porque são o próprio tempo, traduzido em ferro por mãos feitas de nada e de ossos breves."
- Manuel de Freitas, 769118,
com capa de Inês Dias e arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa, Averno, 2020
sexta-feira, 6 de novembro de 2020
P de (Dois Anos de) Pássaros - mais andorinha, menos andorinha... - XXVIII b
[...]
que idade tinhas
quando a primeira árvore
te disse para subires?
domingo, 1 de novembro de 2020
D de Dia de los Muertos (VI)
Os cartazes de MODERN TIMES acolhiam-nos em cada escala. Infelizmente, viajávamos demasiado depressa para revermos juntos o filme.
Esta noite, em Montargis, numa garagem convertida em cinema, garagem essa que se deve parecer com o hotel de Bourgogne, revi essa obra, digna das farsas de Molière e das aberturas de Mozart.
Os meus amigos iniciam nele uma segunda morte, e eu vejo-os, de boa aberta como na lanterna mágica, exprimir sentimentos complexos com o à vontade dos antigos coreógrafos quando descreviam a beleza com um gesto redondo em volta do rosto, e o amor juntando as mãos sobre o coração.
Esta solidão, esta tristeza de lied que lança sobre Chaplin uma penumbra cuja causa deve ser o facto de ele se ter tornado rico a incarnar um pobre e a fortuna não trazer nada de novo a almas de tamanha elegância, são reforçadas ainda pelo meu cinema de província quase vazio.
A última vez que nos despedimos foi ao telefone, em Hollywood. A sua voz e a de Pauline chegavam até mim, separadas das suas imagens, tal como esta noite as suas imagens chegam até mim separadas das suas vozes.
Nunca desejei tanto um fenómeno que permitisse aos meus amigos ganharem relevo e cor, deixarem o ecrã, trocarem as estátuas finas de uma miúda e do ilustre vagabundo pela jovem resplandecente, e pelo dramaturgo de rosto vermelho e caracóis brancos.
O meu sonho trazia-os até França, a esta data, nesta sala onde MODERN TIMES continua sem eles, onde falaríamos de uma época de máquinas, de armas e de cansaço. Época difícil, que precede uma ainda mais difícil. Sempre que repousamos, sempre que passeamos, o destino ameaça-nos, de dedo apontado, pálido e terrível como o director da fábrica na parede da casa de banho.
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
O de "Oh! qu'ils sont chers, les trains manqués/ Où j'ai passé ma vie à faillir m'embarquer!..." - d
domingo, 4 de outubro de 2020
P de Postais - V b
A tempestade sacode as suas bátegas
contra a janela anoitecida:
o vidro estremece sob o granizo lançado.
Desengonçada, a televisão perde o controlo,
esvai-se em preto e branco,
depois em silêncio, enquanto as linhas descem.
Os postais dela agitam-se na prateleira, caem;
as luzes de Calais apagam-se uma por uma.
Ele não lhe pode contar
que os gansos regressam ao crepúsculo,
que o farol passeia a sua luz
por entre as trincheiras do mar.
Ele não lhe pode contar que a vasta noite
desliza como uma porta sem ela,
que ele é a fechadura
e ela é a chave.
sábado, 3 de outubro de 2020
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
E de Espinhas para um gato (XV)
terça-feira, 29 de setembro de 2020
sábado, 19 de setembro de 2020
S de Sense of Snow (XI)
BALLADEN OM JENNY LIND
que viram ou não viram, sob nuvens de fumo
que escondiam mal um inglês de circunstância.
Na parede junto à nossa mesa (recorte
da época) Jenny Lind morria - e eu
ficava a saber, em sueco, que "Rökning
dödar", o que não parecia incomodar
nenhum dos presentes. No Nyhavn,
porém, anoitecia muito depressa. Teremos
de esperar pela neve, agora que passou a chuva.
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
E de Espera (XXI)
terça-feira, 15 de setembro de 2020
A de Aniversário (VI)
My heart is like a singing bird
Whose nest is in a water'd shoot;
My heart is like an apple-tree
Whose boughs are bent with thick-set fruit;
My heart is like a rainbow shell
That paddles in a halcyon sea;
My heart is gladder than all these,
Because my love is come to me.
Raise me a daïs of silk and down;
Hang it with vair and purple dyes;
Carve it in doves and pomegranates,
And peacocks with a hundred eyes;
Work it in gold and silver grapes,
In leaves and silver fleurs-de-lys;
Because the birthday of my life
Is come, my love is come to me
segunda-feira, 14 de setembro de 2020
N de Nefelibata
Já as conheces
de certo modo são como as pessoas
querem muito encontrar-se:
as nuvens, as palavras.
Por isso agora
após o relâmpago
quando as nuvens lutam por criar raízes
as palavras juntam-se para descobrir
onde se encontram
os que desaparecem.
E os silêncios mudam de lugar.
E a vida é
quase mais estranha ainda
menos nossa
do que supúnhamos.
Já nos conheces.
terça-feira, 8 de setembro de 2020
S de "Sempre disse tais coisas esperançad@ na vulcanologia" (XXX)
[ID, São Miguel / Agosto 012]
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
terça-feira, 25 de agosto de 2020
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
I de Incipit
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
terça-feira, 18 de agosto de 2020
M de Museu Imaginário (XVI)
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
D de "deve ser/ com certeza um sítio muito triste" (II)
quarta-feira, 12 de agosto de 2020
P de (Um Ano de) Pássaros (V)
capa de Pedro Serpa a partir de fotografia de Inês Dias,
terça-feira, 11 de agosto de 2020
(O) Jardim e a Casa (XXI)
Inês Dias, Ponto-Sombra,
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
F de Férias (II)
segunda-feira, 3 de agosto de 2020
N de "Nous deux encore" (VII)
Poder-me-ão encontrar, trago um rapaz na minha
memória, a casa a uma janela
da qual o faço vir como um sabor à boca,
falésias onde o aguardo à hora do crepúsculo.
Regresso assim ao mar de que não posso
falar sem recorrer ao fogo e as tempestades
ao longe multiplicam-me os passos.
Onde eu não sonhe a solidão fá-lo por mim.
J de Janelas - V b
da morte. Tu vibras numa vertical
do deserto, em plena velocidade
fracturada. Há nuvens de pontos
na dobra da visão, nenhum limite.
Exposto como um ferimento, que soberania
exerces no vazio? Assim se arruinaram
as arquitecturas: armadilhar a casa
ficar preso dentro de uma sala.
Fechar uma parede para abrir uma janela.









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