segunda-feira, 18 de junho de 2012

F de Falar para as paredes (XIV)



Hoje, no metro, a insustentável leveza do amor.

domingo, 17 de junho de 2012

R de Resistência

Os poetas não são profetas mas, não tendo em geral um sentido do presente nem o dom de se adaptarem profundamente a ele, talvez possuam um sentido do que é constante, de que pode ser válido num dado momento e depois. Eles não predizem nada do futuro, mas sentem às vezes no presente algo que só se tornará evidente para todos no futuro.

Pierre Reverdy, Le livre de mon bord, 1948
[Trad. ID]

P de Perder a cabeça (VII)



[Lisboa, 16/06/12]

B de Biorritmo (CXXXV)




Don't go to church on Sunday
Don't get on my knees to pray
Don't memorize the books of the Bible
I got my own special way
But I know Jesus loves me
Maybe just a little bit more

     
[...]
          

R de Rezar na era da técnica (IX)




 "1101175503112011":
uma instalação de Izumi Ueda Yuu
no espaço Câmara Lenta.

[ID, 15/06/12]

sábado, 16 de junho de 2012

S de Sense of snow (VI)


CURVA

Para Karl Miller

Sob a boca
da lua: um campo
  
de giestas com luvas de neve,
e muito abaixo, o mar,

naufragando
contra as rochas.

No quarto bruxuleante
o fogo

encontra o whisky, aceso
na sua ranhura dourada,

no calcanhar
morno do copo.

Uma curva
de pedra e madeira,

coisas tornadas
mais belas pelo uso;

o voo como neve
a cair da coruja,

o virar
as páginas de um livro.


Robin Robertson
[Trad. ID]

P de Poética (XXIV)

[...]
Nasci em Maceió, uma pequena cidade marítima e lagunar do nordeste brasileiro, e a paisagem nativa se casava plenamente à paisagem dos romances afortunados. Diante de mim estava sempre o mar, com as suas vagas sucessivas, os navios que convidavam à partida e à evasão, e um branco farol vigilante no alto de uma colina. A realidade e a imaginação se fundiam no instante milagroso. Assim, desde cedo aprendi que a única verdade do homem é a verdade de sua imaginação, esteja ela guiando a mão de um escritor ou a ambição de um menino.
[...]
Naquele momento, aprendi que a poesia é filha da realidade e da materialidade e impureza do mundo visível, mas só através da criação poética o mundo pode ser desvelado. Aos poetas, como aos demais criadores, cabe a tarefa ou a missão de proceder à visibilidade do universo. A poesia é uma arte de ver - de ver e saber ver o que, mesmo sob os nossos olhos, só pode ser distinguido pelo uso e iluminação da linguagem.
[...]


Lêdo Ivo, "Rumo ao Farol",
in Antologia Poética,
Porto: Edições Afrontamento, 2012

T de Tratado de Pedagogia (LIV)



Hoje, no EXPRESSO/"Actual".

sexta-feira, 15 de junho de 2012

E de "É assim que se faz a História. Sem palavras a mais." (XXIX)

A SAQUE E A SANGUE


Na minha cidade a saque e a sangue
um grilo sacana canta e não canta
um grilo couraçado, desesperado
dentro da gaiola, pequena garganta

*

Conheço estas vozes que cheiram a tabaco
e dizem e dizem a saque e a sangue
a missão do poeta na miséria dos tempos:
Construir uma Rosa, suicidar-se estanque
   
ou viver pesaroso, fumador de navios,
ou vampiro feliz na encruzilhada dos rios


António Barahona
in Grifo (1970)

F de Flor Suficiente (XIX)



[Príncipe Real, Junho 2012]


S de Sexta-feira (II)

SEXTA-FEIRA

para o Manuel e a Inês
Um vidro com anúncios, dão-se explicações
sob varandas esfoladas de onde ninguém
nos acena. Lisboa, as pequenas praças
de empedrado incerto, quando saímos
de um café e pensamos: olha, já escureceu.
As manobras difíceis dos autocarros
de sexta, o fruto não apetecido de Novembro
na mercearia que a mesma tristeza oprime
desde a década de 50. À volta, os muitos filhos
da realidade ilustram os trabalhos outonais,
sombrios, inexpressivos figurantes do erro,
da repetição. Sentimos que não podemos
continuar – mas continuamos. E à noite talvez
venha por nós, de mãos mais frias, a poesia.

Rui Pires Cabral, Longe da Aldeia (Averno)

quinta-feira, 14 de junho de 2012


Helen Levitt, New York, c.1942
 

W de Wild is the wind (IV)





 
Vento = Tempo


quarta-feira, 13 de junho de 2012

A de Aniversário (X)

Para o Miguel, de oito anos estreados, a quem fico hoje a dever um jardim e três prendas:




Lucien Clergue, "Pássaro caído do ninho", 1955

A de Anomalia Poética (IV)



Lisboa, 12/06/12



segunda-feira, 11 de junho de 2012

sábado, 9 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A de "aparece de vez em quando uma inês que gostaria de fotografar coincidências" (IV)


 
Alain Resnais, L'année dernière à Marienbad, 1961

*


Wolf Suschitzky, "Boys Playing Cards", Dundee, 1944

 
"Children in a Bomb Shelter", England c. 1941