[ID, Lisboa, 2016|2017]
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
domingo, 29 de janeiro de 2017
P de "Postais do fim do mundo"
"Caminhavam e dormiam contra o ritmo do mundo. [...] Atiravam ao rio os jornais, e isso era a sua oração: serem levados, erguidos, pisados, sem sentirem no homem o osso da dor instalada no esqueleto, mas só o pulsar do fluxo do sangue. Nada de combates, de violências, de despertar."
Anaïs Nin, "A Casa Fluvial", Debaixo de uma Redoma,
trad. de Maria Ondina Braga, Lisboa: Vega, 1986
[27/01/2013]
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
domingo, 15 de janeiro de 2017
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
C de Cicatriz (III)
You talk like Marlene Dietrich
And you dance like Zizi Jeanmaire
Your clothes are all made by Balmain
And there's diamonds and pearls in your hair, yes there are
You live in a fancy apartment
Off the Boulevard Saint-Michel
Where you keep your Rolling Stones records
And a friend of Sacha Distel, yes you do
But where do you go to my lovely
When you're alone in your bed
Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes I do
I've seen all your qualifications
You got from the Sorbonne
And the painting you stole from Picasso
Your loveliness goes on and on, yes it does
When you go on your summer vacation
You go to Juan-les-Pins
With your carefully designed topless swimsuit
You get an even suntan on your back and on your legs
And when the snow falls you're found in Saint Moritz
With the others of the jet-set
And you sip your Napoleon brandy
But you never get your lips wet, no you don't
But where do you go to my lovely
When you're alone in your bed
Won't you tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes I do
Your name, it is heard in high places
You know the Aga Khan
He sent you a racehorse for Christmas
And you keep it just for fun, for a laugh
They say that when you get married
It'll be to a millionaire
But they don't realize where you came from
And I wonder if they really care, or give a damn
Where do you go to my lovely
When you're alone in your bed
Tell me the thoughts that surround you
I want to look inside your head, yes I do
I remember the back streets of Naples
Two children begging in rags
Both touched with a burning ambition
To shake off their lowly-born tags, so they try
So look into my face Marie-Claire
And remember just who you are
Then go and forget me forever
But I know you still bear the scar, deep inside, yes you do
I know where you go to my lovely
When you're alone in your bed
I know the thoughts that surround you
'Cause I can look inside your head
[ouvido/dansado no Bartleby]
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
R de Rezar na era da técnica (VI)
Não nos induzas em tentação.
sed libera nos a malo. Livra-nos, se puderes,
das angústias sem fim, das noites de insônia,
dos sonhos possíveis que se tornam impossíveis.
Livra-nos do assédio dos fracos,
da inconsistência das coisas,
do medo sem motivo, das confissões
excessivas e do sucesso,
que tira a nossa liberdade
e é capaz de iludir os mais sagazes.
- MARLY DE OLIVEIRA
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
S de Solidão (ou C de Comunidade) - LXVI
José Amaro Dionísio
in Às Escuras (com Helder Moura Pereira, Fátima Maldonado
e Fernando Cabral Martins), Lisboa, 100 Cabeças, 2016
sábado, 31 de dezembro de 2016
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
P de Poética (LIX)
ESCREVER
Ficas frente à parede, abraças a cal. Dizem que queima.
José Amaro Dionísio
in Às Escuras (com Helder Moura Pereira, Fátima Maldonado e Fernando Cabral Martins), Lisboa, 100 Cabeças, 2016
[ID, Lisboa, 03/016]
domingo, 25 de dezembro de 2016
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
C de Coração arquivista
[ID, 'Pelos caminhos da manhã', 11/016]
SEIS RECOMENDAÇÕES
Que idade tem esta sombra
Não lhe toques a carne
Concentra-te na superstição
Arrepio do pensamento
Prepara um chá, não arrastes a cadeira
Os nomes são ditos para dentro
Assoa-te, tira a cera dos ouvidos
Recordas Afrodite no wc?
Não adormeças no carril
O destino não tem ramal
Desliga a luz de cabeceira
E dorme para o lado que é teu
Nunes da Rocha, Óculos sujos, fígado gordo,
Lisboa, & etc, 2013
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
E de Estudos literários comparados (II)
A Terra precisa tanto de mais parques de estacionamento
como nós precisamos de mais remendos de asfalto
implantados no rosto e nos órgãos genitais
para que minúsculos discos voadores
do Planeta dos Germes Extraterrestres
possam estacionar em nós como as moscas
que E. Dickinson ouviu zumbir
à volta da sua cabeça quando morreu.
Hakim Bey (trad. Inês Dias)
in Cão Celeste n.º4, Lisboa, Novembro de 2013
*
I heard a Fly buzz – when I died –
The Stillness in the Room
Was like the Stillness in the Air –
Between the Heaves of Storm –
The Eyes around – had wrung them dry –
And Breaths were gathering firm
For that last Onset – when the King
Be witnessed – in the Room –
I willed my Keepsakes – Signed away
What portions of me be
Assignable – and then it was
There interposed a Fly –
With Blue – uncertain stumbling
Buzz – Between the light – and me –
And then the Windows failed – and then
I could not see to see –
- EMILY DICKINSON
Libellés :
"Porque agora vemos como por espelho",
Cão Celeste
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
M de Mesa de Amigos (X)
IV.
Mulher, casa e gato.
Uma pedra na cabeça da mulher; e na cabeça
da casa, uma luz violenta.
Anda um peixe comprido pela cabeça do gato.
A mulher senta-se no tempo e a minha melancolia
pensa-a, enquanto
o gato imagina a elevada casa.
Eternamente a mulher da mão passa a mão
pelo gato abstracto,
e a casa e o homem que eu vou ser
são minuto a minuto mais concretos.
[...]
Herberto Helder, Ofício Cantante,
Lisboa: Portugália, 1967
J de (O) Jardim e a Casa (V)
PROPORÇÃO
No céu há uma lua e estrelas,
E no meu jardim há mariposas amarelas
Agitando-se em torno do arbusto de azáleas brancas.
Amy Lowell (trad. de Miguel Martins)
in Telhados de Vidro, nº 14, Lisboa, Averno, 2010
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
B de Biorritmo - LXXI b
LEONARD COHEN, 1979
Era bem claro, nessa noite,
o quanto a sua música
se afastava de "other forms
of boredom advertised as poetry",
denúncia que se mantém válida.
Não serão bússolas duradouras
- tudo, enfim, falece -,
mas são palavras que nos protegem
da avalanche dos dias e dos meses,
destas poucas horas a que chamamos nossas.
Uma maneira de voltar a morrer?
Talvez,
quando até nas cinzas encontramos lume.
Manuel de Freitas
in pequena morte: poemas, Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2008
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