domingo, 10 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
P de (Dois Anos de) Pássaros (XXXIV)
[Obrigada, David - e prometo que vou tentar manter a minha obsessão por pássaros sob controlo...]
sexta-feira, 8 de abril de 2011
F de Fazer Fotografia (XLIV)
[Gosto muito da luz, das sombras e, sobretudo, dessa outra espécie de sombra - o gatinho preto que dorme ao sol em segundo plano]
quinta-feira, 7 de abril de 2011
T de Tratado de Pedagogia (XXII)
– Excelente. Doce, compreensiva, de confiança. Oh, por vezes tinha tendência para se enervar e perder um pouco a cabeça em situações de emergência, mas nada de sério. E todos os miúdos a adoravam. Tinha jeito, como acontece com muitas mulheres sem filhos, para fazer com que os miúdos se sentissem muito importantes e especiais, em vez de algo que acontecera devido ao encontro casual de um espermatozóide e de um óvulo. Uma boa pessoa, a Sra. Harker. Tivemos pena de ficar sem ela.
V de Vista para um saguão
Com a tarde
cansaram-se as duas ou três cores do pátio.
Esta noite a luz, o claro círculo,
não domina o seu espaço.
Pátio, céu demarcado.
O pátio é o declive por onde se derrama o céu na casa.
Serena,
a eternidade espera na encruzilhada de estrelas.
Grato é viver na amizade escura
de um saguão, de uma latada e de uma cisterna.
[O saguão do poema é do sítio do costume. O saguão da fotografia é da casa do gato que gosta de olhar para o pássaro.]
quarta-feira, 6 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
W de Women's Studies
P de Prazeres (III)
And all I do is pour
Black coffee
Since the blues caught my eye
I'm hangin' out on Monday
My Sunday dreams to dry
[...]
domingo, 3 de abril de 2011
S de Solidão (ou C de Comunidade) XIV
The dew is on the moor
Where are the arms that held me
And pledged her love before
And pledged her love before
It's such a sad old feeling
The hills are soft and green
It's memories that I'm stealing
But you're innocent when you dream, when you dream
You're innocent when you dream, when you dream
You're innocent when you dream
I made a golden promise
That we would never part
I gave my love a locket
And then I broke her heart
And then I broke her heart
And it's such a sad old feeling
The fields are soft and green
It's memories that I'm stealing
But you're innocent when you dream, when you dream
You're innocent when you dream
Innocent when you dream
Running through the graveyard
We laughed my friends and I
We swore we'd be together
Until the day we died
Until the day we died
And it's such a sad old feeling
The fields are soft and green
It's memories that I'm stealing
But you're innocent when you dream, when you dream
You're innocent when you dream, when you dream
TOM WAITS
(autor de uma epígrafe de José Miguel Silva)
B de Biorritmo (LXIX)
[...]
What are we coming to
No room for me, no fun for you
I think about a world to come
Where the books were found by the Golden Ones
Written in pain, written in awe
By a puzzled man who questioned
What we were here for
All the strangers came today
And it looks as though they're here to stay
[...]
sábado, 2 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
B de Biorritmo (LXVIII ou Págs. 167 e 168*)
Lingering falls the southern moon;
Far over the mountain,
Breaks the day too soon!
In thy dark eyes' splendor,
Where the warmlight loves to dwell,
Weary looks, yet tender,
Speak their fond farewell.
Nita!Juanita!
Ask thy soul if we should part!
Nita!Juanita!
Lean thou on my heart.
[...]
"Juanita" is a love song subtitled "A Spanish Ballad". It was first published in 1855 attributed to Mrs. Norton, with music arranged by T.G May. The opening four-bar phrase of the song is taken from Handel's aria "Lascia ch'io pianga" from the opera Rinaldo, although the subsequent melody differs from that of the aria.
* Margaret Millar, Um estranho no meu túmulo, Lisboa: Averno, 26 de Março de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
C de Culinária Mediterrânea
A poesia é como as ovas de ouriço-do-mar
sabe melhor com um pouco de acidez
David Teles Pereira
Cogumelos com manteiga de ervas aromáticas e amêndoas
Espargos com molho de iogurte
Acompanha: Lenz Moser Prestige, 2007
Prato Principal [Obrigada, Maria Antónia]:
As melhores francesinhas do mundo
Acompanha: Koeher-Ruprecht, Riesling, 2007
Sobremesa [Obrigada, Miguel]:
Tarte de pêra
Acompanha: Averna e digestivos. E uma roda de amigos, e um gato de sono tranquilo, e muitas rosas amarelas.
Foto de Rui Miguel Ribeiro
S de Solidão (ou C de Comunidade) XIII
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta,
que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
quarta-feira, 30 de março de 2011
P de (Dois Anos de) Pássaros (XXXIII)
Escúchale, ya que no puedes verle
en la pineda oscura.
Lleva cantando un siglo
y ninguna palabra de las suyas
ha sido pronunciada
más alta que la otra. Así su música
el camino te enseñe hacia la sombra
que en la sombra tú buscas.
col. "A Quien conmigo va", Sevilha: Renacimiento, 2003
(300 exs)
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
B de Biorritmo (LXVI)
What power art thou,
Who from below,
Hast made me rise,
Unwillingly and slow,
From beds of everlasting snow!
See'st thou not how stiff,
And wondrous old,
Far unfit to bear the bitter cold.
I can scarcely move,
Or draw my breath,
I can scarcely move,
Or draw my breath.
Let me, let me,
Let me, let me,
Freeze again...
Let me, let me,
Freeze again to death!
[Música de Henry Purcell / Letra de John Dryden]
domingo, 27 de março de 2011
P de (Dois Anos de) Pássaros (XXX)
[Agradecemos que não atirem pedras às andorinhas; só à fotógrafa.]
T de Tratado de Pedagogia (XXI)
Oh camponesa formosa
De olhos gentis de matar
Vem clarear-me a tristeza
Vem clarear-me a tristeza
Com a luz do teu olhar
Mostra-me o trilho florido
Que ao teu afecto conduz
Dá-me o teu braço amorável
Dá-me o teu braço amorável
Sou um ceguinho sem luz
Tu que descalça e risonha
Percorres montes e vales
Deixa que eu siga os teus passos
Deixa que eu siga os teus passos
Deixa que esqueça os meus males
Leva-me assim pela mão
Lá pelos romances da serra
Tira-me tudo, a cidade
Tira-me tudo, a cidade
Que me entristece a terra
Quero ser para ti como Jacob a Raquel
Quero morrer a teus pés
Quero morrer a teus pés
Como teu cão mais fiel
sábado, 26 de março de 2011
A de Aniversário (IV)
MARGARET MILLAR(5 de Fevereiro de 1915 - 26 de Março de 1994)
S de Santa Cruz
Idealizavas uma solidão
Joan Margerit, Aguafuertes,
sexta-feira, 25 de março de 2011
S de Solidão (ou C de Comunidade) X
O amor está tão perto de ser ódio.
O ódio está tão perto do amor.
Os extremos não se tocam: fundem--
Dificuldade de ser: não mentir,
António Barahona, O Som do Sôpro,
quinta-feira, 24 de março de 2011
P de (Dois Anos de) Pássaros (XXIX)
alanceando a luz
isenta-se da terra;
sem prendê-la, sustém
a sombra que despiu
e voa livre sob ela.
P de (The) Privacy of Rain (XI)
B de Biorritmo (LXIII)
"Apesar de tudo existe
Uma fonte de água pura
Quem beber daquela água
Não terá mais amargura"
quarta-feira, 23 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
T de Tratado de Pedagogia (XX) - No fundo, é isto:
ADENDA
Para a Inês e à memória
de quantas andorinhas matei
Como a fotografia que tiras, a pedra
que vos lancei desde essa primavera
da minha infância
tinha (se me perdoares a franqueza)
a mesma intenção: capturar o momento.
Mas um jeito rude, cretino, o desejo
quando só sabe ser grosseiro, antes
de ganhar bons modos, mais artísticos.
Em vez de «para sempre»
ou apenas «para mais tarde recordar»,
ali mesmo se precipitava, atropelando
a realidade nesse seu golpe possessivo.
Não sabendo reproduzir, criar igual,
vai destruir – para ter pelo menos
mão na coisa, um papel qualquer
ainda que seja o de vilão.
Não espero que o entendas. Por sorte,
eu entendo-te. E o que nos separou
talvez recorde aos dois o nosso papel.
Chama-se educação, professora.
in AAVV, A propósito de andorinhas,
Lisboa, 18 de Abril de 2011
P de (Dois Anos de) Pássaros - mais andorinha, menos andorinha... (XXVIII)
"Les vrais enfants sont ceux qui ont passé leur enfance dans les arbres à dénicher des nids, et perdu leur vie."
segunda-feira, 21 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
M de Música para os meus olhos (XI)
Giovanni Girolamo Kapsberger: "Libro Primo d'Intavolatura di Lauto"
(onde se lê alaúde, leia-se agora harpa)
O de "O mundo está escuro: ilumina-o" (XII)
Qué imposible la noche que no venía contigo
Ángel Mendoza, Cercanías,
sexta-feira, 18 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Q de Quem te avisa teu amigo é
quarta-feira, 16 de março de 2011
T de Tratado de Pedagogia (XIX)
Es la classe. Y explico a mis alumnos, seriamente,
cosas creíbles en que yo no creo.
Que el hombre del Barroco, por ejemplo,
es distinto y distante de aquel de la Edad Media.
Que algo cambia
si unos hombres deciden ser vanguardia
o publicar un manifiesto.
Que la vida se afecta si el hormigón desplaza al arquitrabe.
Ellos toman apuntes y parecen creerlo.
Pero, como explicarles, contra toda evidencia,
que el tiempo nunca pasa?
Como decirles eso? Contra toda evidencia,
que aqui estaremos sempre. Y que seremos
no más de lo que hoy somos y ayer fuimos.
Y continúo monótono y cansino,
hablándoles de cambios y rupturas.
Porque al mirar sus rostros com acne y maquillaje,
su soñolienta piel elástica, sus piercings,
sus cuadernos apenas comenzados,
no acabo de atreverme
a decirles que el tiempo nos entierra
capa tras capa sobre el mismo sitio,
que somos substitutos del soldado que cae,
e del actor que enferma,
que jugamos una misma comédia com arreglos,
que Edad Media, Barroco, Ilustración, Romanticismoson tan sólo migajas
del pavor en el bosque del tiempo
y continúo
dictándoles apuntes,
explicándoles crisis, y cortes, y rupturas,
y finalmente
no, no me decido
– no sé si es compasión o es puro miedo,
Y no sé si por ellos o por mí
– a romper los esquemas,
a salirme ni un pelo del programa.
P de (Dois Anos de) Pássaros (XXVII)
To get a letter
If they can find you
I have heard
Because you can't
Send a letter
To a bird
You can't send a letter
To a bird.
terça-feira, 15 de março de 2011
N de "Notre Dame des Gargouilles"
para a Inês
Sombra de ninguém, gémeo
do Unicórnio que há séculos desafia
um céu feito de injúrias e promessas.
Sobreviverás, de pé, à última noite
do mundo?
B de Biorritmo (LIX)
Entre mariposas negras
va una muchacha morena
junto a una blanca serpiente
de niebla.
Tierra de luz,
cielo de tierra.
Va encadenada al temblor
de un ritmo que nunca llega;
tiene el corazón de plata
y un puñal en la diestra.
¿Adónde vas, siguiriya,
con un ritmo sin cabeza?
¿Qué luna recogerá
tu dolor de cal y adelfa?
Tierra de luz,
cielo de tierra.
segunda-feira, 14 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
B de Biorritmo (LVIII)
[Ao vivo é tão mágico que saí hoje do concerto a achar que conseguia dançar.]
B de Biorritmo (LVII)
EL EQUILIBRIO
La tuya era de un verde tristón, casi oxidado.
Sobre aquel armatoste de huesos de metal yo te veía
perderte hacia el trabajo con las primeras luces.
La mía era de un rojo vivo alegre
(los Reyes la trajeron un buen año de pagas).
Me dejé las rodillas, tú la voz, intentando
aprender la imposible lección del equilibrio.
Sueño que es tarde y llega tu hora de volver,
que se acerca, cansada, la bicicleta verde,
y que estoy esperando, ansioso por contar
que ya he logrado conducir la mía.
ÁNGEL MENDOZA
V de Vida (V)
Ao lado do homem vou crescendo
Defendo-me da morte quando dou
Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Ao lado do homem vou crescendo
E defendo-me da morte povoando
ALEXANDRE O'NEILL
[Quanto a ontem, do início do jantar até ao fim da noite,
sexta-feira, 11 de março de 2011
E de Espera (XII)
Preparabas los labios por si llegaba el beso,
dormido entre sus piernas.
Olías los perfumes de la noche más dulce,
antes de que viniera.
Repasabas canciones que en la orilla, al relente,
quemarías por ella,
deseando en el fondo la asfixia de no hallarla,
y vivir en los ritos hermosos de la espera.
C de Chocolate Jesus (II)
B de Biorritmo (LVI)
a vida infantil da morte
tem a graça das histórias mecânicas
Francis Picabia
Nas costas do postal que tinha e onde cai
desde há muito, não sei em que cidade,
uma tarde de chuva insuperável,
larguei apressado contorno à chama
desse homem que fez a noite ajoelhar-se.
Cambado corpo, sonoro, num colete
sem botões para cores de mau vinho.
Aquele ombro descaído, debicado
por generosos pássaros,
sustinham juntos o ofego do acordeão,
decente e triste, de uma presteza viajada.
Sua infecção calma abrindo-nos
poços de ar no sangue, lento e impuro,
mendigando mais a leste um novo embalo.
Os ossos vibrando, frágeis, ocos,
como flautas para o sopro de um deus.
E os três euros, um insulto não sei
se a nós mesmos, se a este mundo
que se faz caro
para o vazio nos parecer chique.
Espirais de fumo, um frasco de tinta
tombado e a mancha cega que aos poucos
levará a memória disto, este encontro
de amigos, este bar.
Voltarei a ter encostada à minha
a carne áspera da solidão, voltarei
a esse sim-não-sim-não-sim: perdido
para segundas escolhas,
reflexos abolidos entre estranhas
gravidades, entretido com rudes
brincadeiras e esses sonhos nocturnos
precisos e práticos neste estupor
de corpos que vão ficando de sobra
uns para os outros. Poesia nenhuma,
matemática, simples e atroz.
Faço o caminho de volta, demoro
esses cansados fins de ruas e a linha
de candeeiros, sua líquida luz misturada
de urina, onde perdem a pele as imagens
e oferecem a sua carne aflita ao delírio
que me leva pela mão.
Atravessando jardins suspensos
no assombro monocórdico das flores,
perfume frio e gesto prolongado,
essa vénia num jeito doce e final.
No quarto, enquanto o silêncio rói,
escava os seus buracos, bato uns versos,
extraindo à máquina de escrever
essa grave caligrafia,
como um piano rematando outra
das suas canções de abandono e morte.
Estou só cigarro nos lábios e espero.
Olho as mãos, a marca de um anel
que nunca pus no dedo e que me intriga,
dói-me a sua mordedura e veneno.
Sentada na cama, lá esta ela
de chinelos, balouçando os pés frios,
com o seu ar trágico e indeciso.
quinta-feira, 10 de março de 2011
T de Tratado de Pedagogia (XVIII)
Cuando acabo este libro de poemas
de Paul Celan, no sé ni qué me ha dicho
ni qué quiso decirme. Ni tan sólo
si pretendió decirme alguna cosa.
Hay tanto miedo en un poeta hermético.
Dejo la mano encima del libro ya cerrado,
y juro rechazar para sempre este miedo.
La poesia, que puede ser primeiro
un paisaje al que a veces se há llegado de noche,
acaba siendo sempre un espejo
donde uno ha de ler sus propios labios.
Y qué razón de ser
tiene el contenedor si está vacío?
Silencios y vacíos están hechos
sólo para los ángeles. Contienen
el miedo a la basura. La basura del miedo.
B de Biorritmo (LV)
SEIS SUITES
Durante mucho tiempo casi me arrepentí
de no haberme comprado una versión más
limpia,
más moderna,
de las Seis Suites de Bach para cello solo
(Yo Yo Ma, por ejemplo, tan brillante).
Hoy, mientras vibran duras, misteriosas,
las cuerdas y las manos de Pau Casals, su vieja
grabación de los años treinta, París y Londres,
sé, con firmeza, que el rumor ahogado,
los pequños crujidos, el volumen
un tanto desigual de esta lejana música,
son el eco más cierto,
el sonido más claro, el himno roto,
de un paisaje que enferma dentro del corazón.
quarta-feira, 9 de março de 2011
V de Vigo (II)
Achava-me eu na ermida de São Simão
E cercarom-me as ondas, que grandes são:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?
Estando na ermida ante o altar,
Cercarom-me as ondas grandes do mar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?
E cercarom-me as ondas, que grandes são,
Não hei barqueiro nem remador:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?
E cercarom-me as ondas do alto mar,
Não hei barqueiro, nem sei remar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?
Não hei barqueiro nem remador
Morrerei eu formosa no mar maior:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?
Não hei barqueiro, nem sei remar,
Morrerei eu formosa no alto mar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?
terça-feira, 8 de março de 2011
V de Vigo
a la igreja de Vig', u é o mar salido:
E miraremos las ondas!
Mia irmana fremosa, treydes de grado
a la igreja de Vig', u é o mar levado:
E miraremos las ondas!
A la igreja de Vig', u é o mar salido,
e verrá i mia madr' e o meu amigo:
E miraremos las ondas!
A la igreja de Vig', u é o mar levado,
e verrá i mia madr' e o meu amado:
E miraremos las ondas!
quinta-feira, 3 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
F de Faca Romba
[...]
Compreendo o materialista sincero, o idealista sincero. Num predomina a nuvem, no outro a terra. Tudo o que é verdadeiro, arraigado e fundo, é belo - até o crime.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
P de (Dois) Anos de Pássaros (XX)
A minha alma d'infanta...
A cotovia acorda em folhas secas...
E com asas partidas, ainda canta!
J de (O) Jardim e a Casa (VII)
Ando a regar o alecrim do norte.
Que bem que cheira! É só pr'a mim,
Ninguém m'o corte...
Onde eu passo tudo reverdece,
Não há inverno, fica tudo em flor...
Ressuscitai, flores do tapete,
Ganhai cor...
Sou jardineira.
Ando a regar a Morte...
E as covas não abrem a florir!...
É sina minha. É a minha sorte.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
J de Janelas II
Celui qui regarde du dehors à travers une fenêtre ouverte, ne voit jamais autant de choses que celui qui regarde une fenêtre fermée. Il n'est pas d'objet plus profond, plus mystérieux, plus fécond, plus ténébreux, plus éblouissant qu'une fenêtre éclairée d'une chandelle. Ce qu'on peut voir au soleil est toujours moins intéressant que ce qui se passe derrière une vitre. Dans ce trou noir ou lumineux vit la vit, rêve la vie, souffre la vie.
Par delà des vagues de toits, j'aperçois une femme mûre, ridée déjà, pauvre, toujours penchée sur quelque chose, et qui ne sort jamais. Avec son visage, avec son vêtement, avec presque rien, j'ai refait l'histoire de cette femme, ou plutôt sa légende, et quelquefois je me la raconte à moi-même en pleurant.
Si c'eût été un pauvre vieux homme, j'aurais refait la sienne tout aussi aisément.
Et je me couche, fier d'avoir vécu et souffert dans d'autres que moi-même.
Peut-être me direz-vous: «Es-tu sûr que cette légende soit la vraie?» Qu'importe ce que peut être la réalité placée hors de moi, si elle m'a aidé à vivre, à sentir que je suis et ce que suis?
V de Vício (V)
By Amy Lowell
I am useless.
What I do is nothing.
What I think has no savour.
There is an almanac between the windows:
It is of the year when I was born.
My fellows call to me to join them,
They shout for me,
passing the house in a great wind of vermilion banners.
They are fresh and fulminant,
They are indecent and strut with the thought of it,
They laugh, and curse, and brawl,
And cheer a holocaust of “Who comes firsts!” at the iron fronts of the houses at the two edges of the street.
Young men with naked hearts jeering between iron house-fronts,
Young men with naked bodies beneath their clothes
Passionately conscious of them,
Ready to strip off their clothes,
Ready to strip off their customs, their usual routine,
Clamouring for the rawness of life,
In love with appetite,
Proclaiming it as a creed,
Worshipping youth,
Worshipping themselves.
They call for women and the women come,
They bare the whiteness of their lusts to the dead gaze of the old house-fronts,
They roar down the street like flame,
They explode upon the dead houses like new, sharp fire.
But I—
I arrange three roses in a Chinese vase:
A pink one,
A red one,
A yellow one.
I fuss over their arrangement.
Then I sit in a South window
And sip pale wine with a touch of hemlock in it,
And think of Winter nights,
And field-mice crossing and re-crossing
The spot which will be my grave.
[Gostava de pôr estes últimos cinco versos no colofón do livro que acabei de traduzir.]
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
N de "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos" (IV)
carrosséis e bicicletas à velocidade certa;
viagens de papel com o meu pai, antes das viagens a sério com os amigos (Veneza);
jardins com árvores; mar com vento e conchas;
pássaros sem mais nada; o gato; as sombras;
o desejo de voltar atrás.















